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Coluna do Othelino

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Data de Publicação: 21 de setembro de 2006
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DE ALGUM MOMENTO DO PASSADO ECOA UM GRITO DE INDIGNAÇÃO! - Se tiver paciência para ler esta carta até o fim, compreenderá a intensidade do impulso que me impele a escrever-lhe.

Transcorria suave o ano de 1956 em nossa Upaon Açu; eu era uma estudante aplicada do Colégio Santa Teresa e fiz como dever de aula uma redação e a mesma foi publicada no jornal do grêmio colegial Paula Frassinetti.

Título do mesmo; "A Imprensa". Surpresa, recebi algum tempo depois o cartão de um jornalista cumprimentando-me. Seu nome: Othelino Nova Alves. Não cheguei a conhecê-lo mas fiquei envaidecida com sua manifestação de consideração pelo meu trabalho e muitíssimo mais com o incentivo de suas palavras gentis. A mestra de classe chamou minha mãe e sugeriu que me enviasse a uma faculdade de jornalismo porque eu era aproveitável mas, para isso eu teria de sair de casa e vir ao Rio estudar, o que estava fora de questão; em nossa terra não havia ainda tal curso.

Dirigi minha vida para outro rumo e embarquei no sonho de uma love story que começaria a desenrolar-se na Amazônia. Tal experiência foi única, maravilhosa, especial, intransferível, porém quase me comprometeu definitivamente a saúde, devido à falta de atendimento médico adequado naqueles confins do Brasil, onde quase se ouvia somente rádio em idioma espanhol (Iquitos, Havana, Moscou) ou a rádio Barés de Manaus, após as 22 horas, devido ao fuso horário.

Vivi uma epopéia magistral e aprendi, sofrendo, como as Telecomunicações eram e são primordiais para a integração de nosso país-continente.

Talvez por isso eu hoje seja fã ardorosa da internet e acredite firmemente na força do que se convencionou denominar "Quarto Poder".

O mundo não caminharia sem os arroubos e a coragem da juventude, não?

Casei-me em janeiro de 1960 e fui a Fortaleza em viagem de núpcias, feliz, despreocupada. Quando nos dirigimos ao aeroporto para retornar a S. Luís e, em seguida, rumar para o Alto Solimões, tivemos a desagradável surpresa de saber que as companhias aéreas estavam boicotando nossa cidade, em virtude de um fato gravíssimo ali ocorrido. Note que vivíamos tempos de democracia plena. Perplexa, horrorizada, soube que um jornalista fora espancado brutalmente após ser retirado com violência do interior de uma aeronave prestes a decolar, quase falecendo em virtude da agressão covarde. Nome do mesmo: Othelino Nova Alves.

Quatro décadas e meia depois, aqui me encontro, realizada afetivamente, compromissos rigorosamente cumpridos sonhos possíveis satisfeitos.

Conheço bem o meu país, que idolatro, viajei muito, o quanto pude, pelo mundo desenvolvido, visando aprimorar minha instrução, que reputo o maior bem do ser humano. Gostaria, antes de findar meus dias, de perceber o Brasil rumando para um desenvolvimento independente, porque temos as condições, não precisamos importar modelos, ideologias exóticas e imbecilidades. Quando formos um povo educado ,haveremos encontrado nosso exato lugar, sem favores, sem genuflexão, sem concessões demasiadas ao deus $.

Esta é minha única Utopia. A meu modo, dentro dos limites de que disponho, aplaudo todas as manifestações de "vida inteligente" que combatam o emburrecimento institucionalizado, as "capitanias hereditárias" eternizadas, os métodos "jagunçada" e o amordaçamento dos formadores de opinião respeitáveis, responsáveis, conscientes e independentes. Ainda mantenho laços de amizade com colegas de colégio e possuo primos em São Luís.

Recentemente soube que o jornalista Othelino, Sênior, falecera de forma violenta e uma vez mais me horrorizei. Graças à internet consegui acessar o site do Jornal Pequeno e vi seu nome. Percebi que trava uma luta sagrada, contra este "sátrapa" maldito, possuído de deliriopatia e que infelicita nosso pobre Estado há tantas décadas. Insaciável com os domínios de que já dispõe, estende os tentáculos cefalópodes rumo ao Amapá e consegue, graças a seu "puder" espúrio, amordaçar a imprensa, sempre visando os pequenos interesses de um clã construído pelos métodos que todos sabemos e, breve, se Deus quiser, o Brasil inteiro saberá.

"Há mais coisas entre o céu e a terra do que pode conceber nossa vã filosofia", já afirmava o bardo inglês. Minha narrativa é a prova dessa afirmação. O incentivo recebido do jornalista, que imagino seja seu genitor, jamais esqueci. Você - permita-me o tratamento informal - mantém a tradição de uma profissão nobre, poderosa e temível, quando a serviço da Verdade. Desejo-lhe sucesso em seus objetivos

Em algum lugar do passado adormecera uma bela recordação de minha juventude ludovicense, que agora desperta e se depara agradavelmente com o fruto da boa semente plantada por alguém que nem conheci mas, sem dúvida, haverá combatido o bom combate. Cordialmente

Patrícia Oliveira (magivar@uol.com.br).

Não pode haver lenitivo maior para quaisquer espíritos inconformados com o mandonismo de oligarquias sequiosas de poder e truculentas - que acumulam fortunas incalculáveis à custa do suor, sofrimento, sangue e lágrimas de pessoas humildes e indefesas - do que as palavras usadas por você, bondosas e estimulantes, a respeito de uma causa que ninguém sabe realmente quando começou e quando terminará. Othelino Nova Alves - o pai e avô de humildes jornalistas - hasteou a bandeira libertária, naquele tempo, provavelmente, por ser a missão que o destino lhe reservou na passagem por esse plano de vida. Cumpriu-a com dignidade. Como a missão não está concluída, se o Criador nos permitir seguiremos em frente, procurando honrar a causa, também alimentando as nossas utopias no sentido de que um dia ela será definitivamente vitoriosa.

Othelino Neto, desde muito jovem, ainda colegial, abdicou das vivências juvenis naturais para integrar-se à luta, intensificando sua atuação através de diretórios acadêmicos e, em seguida, na militância partidária e nas atividades profissionais, como economista, ambientalista e jornalista. Assinou esta coluna - numa inusitada parceria entre pai e filho - durante um bom tempo, deixando de fazê-lo por exigência da legislação eleitoral, uma vez que é candidato a deputado estadual.

Permita-me, pois, assimilar o seu incentivo de maneira extensiva ao meu companheiro e ao JP, enquanto os nossos agradecimentos se expressam na justificada fé em que se consolide nas consciências lúcidas o compromisso com o equilíbrio entre os valores espirituais e matérias, como um postulado firme em defesa da vida com dignidade. Que seja uma conquista coletiva, solidária e compartilhada urgentemente por todos os nossos irmãos excluídos, explorados, escravizados, órfãos da insanidade de déspotas pusilânimes.

Atenciosamente

Othelino (othelinofilho@yahoo.com.br).

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