A 13 dias das eleições, o senador José Sarney (PMDB), que concorre à reeleição no Amapá, é rejeitado por 37% dos eleitores do Estado, que dizem não votar nele de jeito nenhum. Sua rejeição, segundo o Ibope, é a maior entre os candidatos. Sua rival Cristina Almeida (PSB), sete pontos percentuais atrás nas intenções de voto, tem um índice bem menor: 24%.
Com a reeleição ameaçada por uma novata na política, o senador intensificou a campanha pelo interior do Amapá e ensaiou passos de marabaixo -dança típica do Estado- na propaganda eleitoral na TV.
Em maio, o Ibope dava 50 pontos de diferença: 58% a Sarney e 8% a Cristina. No fim de agosto, o Ibope dava 29% a ela e 50% a ele. Cristina tem agora 40%, contra 47% do senador.
Sarney, 76, que cogitara não fazer campanha intensa, visitou os 16 municípios do Estado e tenta colar sua imagem à população de baixa renda. Segundo o Ibope, o senador lidera entre os menos instruídos (até a 8ª série) e os mais pobres (até dois salários mínimos). Cristina está na frente entre quem ganha mais de dois salários mínimos e quem possui ao menos ensino médio completo.
Ela é militante do movimento negro e participa ativamente das festividades populares tradicionais. É dançarina do grupo de marabaixo da comunidade de Campina Grande. Para igualar a disputa, Sarney também dançou o marabaixo na TV.
A coligação “União pelo Amapá”, da qual faz parte, é a campeã em representações contra a imprensa no Estado. Sarney entrou com ações contra rádios, jornais, agências de notícias, sites de busca, periódicos eletrônicos e até blogs. Os blogs contra-atacaram com notas de repúdio ao que consideram censura e fizeram campanha intitulada “Xô Sarney”, pedindo que volte ao Maranhão, onde nasceu. A Folha tentou falar com o senador, mas não o localizou. (Thiago Reis – da Agência folha)
‘Almoçomícios’
O Ministério Público Eleitoral do Amapá entrou com uma representação ontem contra o governador e candidato à reeleição, Waldez Góes (PDT), por captação ilícita de sufrágio (compra de votos) e condutas vedadas aos agentes públicos em campanha eleitoral (uso da máquina pública).
Segundo a ação, o governador promoveu, em plena campanha, nos dias 14 e 27 de agosto, “almoçomícios” —um misto de almoço e comício— em que houve distribuição de refeições (feijoada, com arroz e farofa, acompanhada de refrigerante).
O MPE pede a condenação de Góes nas pena de multa e cassação do registro ou diploma. Segundo o órgão, os “almoçomícios” foram realizados na periferia de Macapá, atraindo “pessoas humildes, adultos e crianças, os quais naqueles dias tiveram, em troca do voto, o almoço garantido”.
'Almoçomícios' II
Ainda de acordo com a ação, no dia 17, foram usados instalações físicas e utensílios da cozinha e ainda os serviços das merendeiras e da diretora de uma escola estadual.
No dia 27, o “almoçomício”, segundo o MPE, foi organizado por servidores públicos estaduais detentores de cargos comissionados.
Em ambos, o candidato Waldez Góes discursou e pediu votos.
Cerca de 200 refeições foram distribuídas em cada evento, diz a ação.
Esforço reconhecido
O deputado Rubem Brito destacou ontem a atuação do governo José Reinaldo no campo da educação.
Ao informar sobre a inauguração de mais um centro de ensino médio em São Luís, o “Inácio Rangel”, entre a Cidade Operária e a Maiobinha, Brito disse que o governo já construiu 18 novas escolas de ensino médio e outras 114 encontram-se em fase de construção. E lembrou que quando Zé Reinaldo assumiu havia ensino médio em apenas 58 municípios e concluiu:
“O governo faz um esforço gigantesco para libertar (os maranhenses) da opressão das consciências”.
Mais escolas
A propósito, em solenidade ontem à tarde no Palácio dos Leões, o governador José Reinaldo Tavares assinou contrato para a construção de mais 22 escolas de um total de 31 que pretende autorizar ainda este ano.
O governador disse, na ocasião que desejaria que o ensino maranhense já estivesse igual ao de Santa Catarina, traduizndo o empenho de seu governo para melhorar, em quantiadade e qualidade, a educação estadual.
- Se esse esforço prosseguir, em breve chegaremos lá - arrematou o chefe do Executivo.
Joaquim na praça
O deputado Mauro Bezerra desqualificou os prognósticos do seu colega Joaquim Haickel sobre as eleições para a Assembléia e Câmara dos Deputados.
Segundo Mauro, com a chamada “Lista de Haickel”, que é publicada a cada semana no jornal O Estado do Maranhão, sempre com novas alterações, o deputado roseanista “presta um desserviço” ao processo eleitoral, porque tenta induzir o eleitor a erro.
Mauro, que se diz amigo de Haickel, acha que o doublé de analista político está querendo mesmo é aparecer no período eleitoral. “Seria melhor que se postasse na Praça João Lisboa”, sugere.
“Um rato”
O senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) não deixou barato as declarações de Lula feitas em seu terreiro. Nos comícios de Feira de Santana e Salvador, no sábado, o presidente, ao lado do candidato petista ao governo do Estado, Jacques Wagner, disse que ACM não é o leão do Nordeste, mas o hamster do Nordeste. Foi o bastante para despertar a fúria do baiano.
Ontem, ele revidou: “Estou mais para gato caçador de rato ladrão do dinheiro público do que para hamster. Até porque estou mais acostumado a combater os grandes ratos. E a cada dia fica mais confirmado que Lula é um roedor implacável, incontrolável, para si e para seus familiares”.
O senador atribuiu os ataques de Lula ao “idílio etílico”, que afirma serem habituais no presidente e desmoralizam o cargo que ele ocupa. E retrucou: “é mais fácil eu ainda ser um leão do que ele ser um homem sério”.
Grampos
A Polícia Federal abriu inquérito ontem para investigar os grampos identificados nos telefones de três ministros do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). O pedido partiu da PGR (Procuradoria Geral da República). A investigação ficará a cargo da Diretoria de Inteligência Policial. Como se trata de uma área de inteligência, o nome do delegado responsável pela investigação não será revelado pela PF.
Os grampos foram encontrados nos telefones dos ministros Marco Aurélio Mello, César Peluzo e Marcelo Ribeiro utiliza. A varredura foi feita a pedido do próprio tribunal, que adota a prática de monitorar as linhas há nove anos.
Prisão rejeitada
A Justiça Federal em Cuiabá rejeitou ontem o pedido de prisão temporária, feito pelo procurador da República Mário Lúcio Avelar, contra o ex-assessor especial da Presidência da República Freud Godoy, suspeito de envolvimento no caso do dossiê contra tucanos.
Em outra decisão, o juiz Marcos Alves Tavares, substituto da 2ª Vara Federal, mandou soltar o advogado Gedimar Pereira Passos e o empresário Valdebran Carlos Padilha da Silva, presos na sexta-feira também no caso do dossiê que tenta envolver diretamente o candidato a governador de São Paulo pelo PSDB, José Serra.
Tavares também rejeitou o pedido de prisão contra o empresário Darci José Vedoin, 61, pai de Luiz Antônio Vedoin, chefe da máfia dos sanguessugas e que receberia R$ 2 milhões pela venda do dossiê.
MIUDINHAS
Os programas eleitorais de rádio da campanha de Edson Vidigal têm conseguido tanto destaque que a coordenadora Gisele Neubarth, da Pública – agência responsável pela campanha –, foi convidada pela turma do último período de Comunicação da Ufma para uma palestra. Será hoje, às 14h30.
O VIII Encontro Estadual de Comunidades Negras Quilombolas do Maranhão acontece de 21 a 24 de setembro, em Itapecuru-Mirim.
Dois mil representantes de comunidades quilombolas do Maranhão homenageiam o líder da Balaiada Negro Cosme morto em 20 de setembro de 1842; realizam debates sobre políticas públicas; e anunciam novos projetos que beneficiarão diretamente mais de cinco mil quilombolas moradores de comunidades situadas no município de Itapecuru.