Entrevista publicada pelo UOL
No extremo norte do Brasil, o Amapá integra a região amazônica. Na rota do ecoturismo, o Estado se destaca pelas riquezas naturais: a variedade de peixes em rios, cachoeiras e corredeiras é enorme, em destaque, o tucunaré. O marabaixo é uma das danças típicas. A base da economia está na extração da castanha-do-pará e da madeira, e na mineração de manganês.
O Estado do Amapá fica na região Norte do país e tem 594.587 habitantes, distribuídos em 16 municípios. São 360.614 eleitores.
No comando do Estado Waldez Góes, do PDT, que tenta a reeleição. Também concorrem ao cargo João Capiberibe, do PSB; Papaléo Paes, do PSDB; Clécio Vieira, pelo PSOL; Errolflynn Paixão, pelo PT; Raimundo Nonato, do PAN; e Gil Mauro, do PHS.
O pedetista Waldez Góes, atual governador, lidera a disputa segundo pesquisa Ibope divulgada no dia 29 de agosto, com 48% dos votos. Em segundo lugar está João Capiberibe, do PSB, com 39%. Na simulação de segundo turno, Waldez seria reeleito com 51% contra 44% de Capiberibe.
Em Brasília, o Amapá tem atualmente 8 deputados federais (2 são do PL; e PP, PT, PTB, PFL, PMDB e PC do B têm 1 parlamentar cada). Os deputados estaduais no Estado somam 24 (3 são do PMDB; PDT, PL, PSDB, PSL, PT do B, PTB e PV têm 2 cada; e PC do B, PFL, PHS, PPS, PT, PSB e PSOL têm uma cadeira).
O UOL News entrevistou o sociólogo Manoel Pinto sobre as eleições no Amapá.
UOL – Vai para o segundo turno a eleição aí no Estado?
Manoel Pinto - Tudo indica que sim. A luta está bastante acirrada, com os dois candidatos, Waldez Góes e João Capiperibe, praticamente empatados.
UOL – Que avaliação que a população faz do atual governo?
Manoel Pinto - Waldez Góes, nos seus primeiros três anos de governo, teve pouca expressão. Este ano conseguiu fazer uma série de obras públicas e melhorar sua imagem frente à opinião pública. Mas, para governar, seu governo foi marcado pela fragmentação de poder. Muitos grupos políticos importantes do Amapá fazem parte hoje do núcleo que decide aqui no governo. O setor de saúde é o mais criticado em Macapá em relação ao governo atual.
UOL – Quais os temas de destaque nas campanhas dos principais candidatos?
Manoel Pinto - Waldez Góes traz a bandeira, sua marca registrada, de um Amapá produtivo, que é a tentativa de industrializar o Estado, trazendo indústrias. É o carro chefe da campanha de Waldez Góes. Capiberibe tem o discurso mais de preservação ambiental, de desenvolvimento sustentável, que foi a marca também de seus oito anos de governo.
UOL – Na segunda-feira, 18/9, o Ministério Público Eleitoral do Amapá entrou com uma representação contra o atual governador pedindo multa e cassação por sufrágio, que é a compra de votos, e uso da máquina pública. Ele teria distribuído comida durante um almoço onde fez comício e usado uma escola pública e seus funcionários para preparar as refeições. A escola, inclusive, dispensou alunos e funcionários para isso. O governador chegou a comentar o caso?
Manoel Pinto - Esses episódios têm a ver com o processo de reeleição. É muito difícil para quem está no poder se distanciar dessas manobras políticas que existem. Há uma semana também pegaram o candidato Capiberibe tentando armar um vídeo mostrando que a saúde estava um caos. Essa semana foi a vez de Waldez sofrer críticas por talvez estar usando a máquina do Estado com fins políticos. Isso faz parte do ambiente político e do próprio processo de reeleição, que é muito complicado. Quem está no poder geralmente utiliza de várias formas da máquina a seu comando.
UOL – O senador José Sarney, do PMDB, que concorre à reeleição e faz dobradinha na chapa com o governador Waldez, tem sofrido muitos ataques aí no Estado, não? Blogs têm publicado notas de repúdio ao senador. Como a população tem reagido?
Manoel Pinto - O que está havendo aqui é uma disputa acirrada pelo Senado. Eu não diria nem que é a Cristina Almeida que está disputando com o Sarney, mas sim, João Capiberibe. A disputa está bastante acirrada, pela primeira vez o ex-presidente Sarney está fazendo campanha no Amapá, o que não acontecia anteriormente. Antes ele mandava vídeos, os comícios eram feitos através de teleconferência, mais ou menos assim. Atualmente ele faz campanha corpo-a-corpo em Macapá. Na verdade, o que existe é uma disputa e entre Capiberibe e Sarney. Muitos eleitores de Capiberibe consideram que Sarney foi muito importante para a cassação do mandato do casal Capiberibe, então, dificilmente quem vota em Capiberibe vota no Sarney para o Senado. A meu ver, o que está acontecendo é isso.
UOL – O senador também tem perdido muito tempo de propaganda política na TV, condenado pela Justiça. Última pesquisa divulgada, inclusive, mostra uma aproximação da segunda colocada ao Senado, a candidata Cristina Almeida, do PSB, que tem agora 40% das intenções de voto contra 47% de Sarney. O que é que está acontecendo?
Manoel Pinto - Esses números refletem o número para governo também. O que Capiberibe tem para o governo acaba também transferindo votos para Senado porque há essa idéia de que José Sarney foi importante para o processo de cassação do casal Capiberibe no ano passado. É uma disputa particular para o Senado entre Capiberibe e José Sarney.
UOL – O vínculo original de Sarney com o Estado do Maranhão é lembrado pelos seus adversários políticos?
Manoel Pinto - Com certeza, mas a questão do prestígio do ex-presidente José Sarney é muito importante para o Amapá e esse fato continua existindo. Sarney é muito prestigiado pelo Amapá, até porque existe uma série de questões da administração pública que não foram resolvidas e todo mundo considera que Sarney pode resolver alguns problemas de funcionários públicos do Amapá. Mas também não houve uma conscientização maior do povo amapaense em relação à presença de Sarney no Amapá.