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Fenômeno 'Cristina' desperta atenção da imprensa nacional
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Fenômeno 'Cristina' desperta atenção da imprensa nacional

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Data de Publicação: 20 de setembro de 2006
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Adversária de Sarney diz que ele é motivo de gozação por ter dançado na televisão

'Só falta o turbante para ele ficar igual a mim'

O fenômeno ‘Cristina Almeida’, a quilombola e ex-presidente do Incra que ameaça a reeleição de José Sarney para o Senado, no Amapá, está chamando a atenção da imprensa nacional. Ontem, o jornal Folha de São Paulo, a Agência Folha e o UOL destacaram a difícil situação de Sarney no Amapá. A agência Folha, inclusive, disponibilizou duas matérias, sendo uma delas uma entrevista com Cristina Almeida, que o Jornal Pequeno reproduz a seguir:

Em sua primeira eleição, Cristina Almeida (PSB) diz que resolveu concorrer ao Senado “porque faltava opção para tirar Sarney”. Afirma que vai lutar para o Amapá “voltar a ter três senadores”, já que o rival “trabalha pelo Maranhão” e que ele está “apelando” ao dançar marabaixo —dança popular praticada por Cristina— na TV.

FOLHA - A candidata acredita que esse crescimento nas pesquisas está atrelado à alta rejeição ao senador José Sarney?

CRISTINA ALMEIDA - Eu acredito. As pessoas quando me encontram dizem: “Eu ainda não a conhecia, mas já era [a favor de] a senhora, porque chega de Sarney”. Ao mesmo tempo, temos muitos candidatos aqui e nenhum chegou a 1%. Eu percebi que a população começou a confiar que existia alguém que podia atender a um sonho. As pessoas não queriam o Sarney, mas não tinham opção. A verdade era essa.

FOLHA - Por que Sarney tem essa alta taxa de rejeição?

CRISTINA - Porque ele foi eleito pelo Amapá, mas não exerce o cargo pelo Estado. Aliás, o que me levou a este desafio é o fato de promover o equilíbrio federativo. Todos os Estados hoje têm direito a três senadores. Só o Amapá tem dois. O Maranhão tem quatro.

FOLHA - É a primeira vez que a sra. concorre a um cargo eletivo. Não falta experiência política?

CRISTINA - Não, com certeza absoluta. Eu já fui coordenadora de campanha muitas vezes, tenho experiência de militância. Fui superintendente do Incra e acompanhava o trabalho do meu senador [João Capiberibe, que foi cassado e hoje é candidato ao governo].

FOLHA - Não há uma contradição em Sarney ter os votos da parcela mais pobre e a sra. dos mais ricos e instruídos?

CRISTINA - Isso acontece porque a população só vai aderindo à minha candidatura quando tem conhecimento dela. As pessoas viam minha foto, mas não sabiam que eu era a Cristina, superintendente do Incra. Mas tem um outro ponto fundamental. Há pessoas carentes que não votam em mim porque têm medo. O governo ameaça. Ou você vota, ou perde o emprego. Elas estão subordinadas a essa pressão.

FOLHA - O Sarney já apareceu dançando até marabaixo na TV...

CRISTINA - Aqui, ele é motivo de gozação. Nunca veio pedir voto. Dizem até que, com medo de cair em buraco, ele não olha para o povo, mas para o chão. Em 16 anos de mandato, ele nunca deu R$ 1 a quilombolas, nunca pisou em uma festa e agora aparece na tela com uma bata dançando. Só falta o turbante para ficar igual a mim.

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