A ingestão de substâncias tóxicas por crianças é um dos acidentes domésticos mais comuns, apesar dos inúmeros cuidados dos adultos. Hoje, 20, esse será um dos assuntos abordados na reunião científica do UDI Hospital, intitulada "Emergência: intoxicações exógenas".
A intoxicação consiste em uma série de efeitos sintomáticos produzidos quando uma substância tóxica é ingerida ou entra em contato com a pele, olhos ou membranas mucosas.
O professor Marcos André Cabral, 28, quando tinha cinco anos, deu um copo de alvejante para a irmã de quatro. "Como ela começou a passar mal, tive que contar para a minha mãe. Em seguida, ela foi levada ao hospital e teve rápida recuperação", afirmou.
Segundo o médico que vai apresentar a palestra na reunião, Francisco Aguiar, alguns procedimentos populares para "cortar" o efeito tóxico da substância é fazer com que a pessoa tome leite, água morna, óleo, ovo cru, entre outros. O objetivo, na maioria das vezes, é provocar o vômito, o que pode agravar o quadro.
"A substância quando ingerida causa corroção por onde passa. Ao vomitar, ela vai corroer duplamente. A melhor medida, então, é levar a pessoa intoxicada ao hospital o mais rápido possível", explicou o médico.
Os sintomas de intoxicação dependem do produto, da quantidade ingerida e de certas características físicas da pessoa que o ingeriu. Algumas substâncias não são muito potentes e exigem uma exposição contínua para que ocorram problemas. Outros produtos são mais tóxicos e basta uma gota sobre a pele para causar graves problemas.
Mesmo sendo um quadro como envenenamento por raticida, é possível interromper a intoxicação, evitando, dessa forma, a morte. O dr. Francisco Aguiar explica que o produto, antes de atingir a corrente sanguínea ou mesmo o intestino, pode ser retirado através de lavagem gástrica. "Isso é possível quando o médico é procurado com urgência. Pode-se adotar também o carvão ativado, que impede a absorção pelo intestino, pois ele absorve os elementos tóxicos", afirmou.
Alguns produtos de uso doméstico que podem intoxicar: acetona, água sanitária, álcool, amônia, anti-séptico bucal, naftalina, cloro, colas, desodorantes, detergentes, esmalte de unha, éter, flúor, gasolina, herbicidas, inseticidas, perfumes, querosenes, alimentos, bebidas alcóolicas, etc.