POR OSWALDO VIVIANI
ENFIM, UM ‘TUBARÃO’ NA REDE
Vinte e sete dias depois do início da “Operação Galáticos”, desencadeada em Imperatriz em 23 de agosto, a Polícia Federal prendeu ontem o primeiro empresário acusado de envolvimento com o esquema de desvio de dinheiro pela internet por “crackers” (“invasores” de contas).
Leonardo Garcia Martins, dono da Romano’s, a pizzaria mais conhecida da cidade, foi detido por agentes federais, nas primeiras horas da manhã de ontem, em seu próprio apartamento, localizado no edifício do Timbira Shopping (centro de Imperatriz).
Algemado, Leonardo foi conduzido para a sede da Polícia Federal, no Conjunto Planalto. Depois, passou por exame de corpo de delito e foi transferido para a Cadeia Pública de Augustinópolis, no estado do Tocantins, que abriga cerca de 35 pessoas detidas pela “Operação Galáticos”.
De acordo com o delegado Pedro Roberto Meireles Lopes – que comanda a “Galáticos” e já havia colhido o depoimento de Leonardo Garcia – a prisão do empresário cumpriu um mandado de prisão preventiva decretado pela Justiça.
A prisão foi pedida, segundo o delegado, porque Leonardo estava tentando obstruir as investigações e ocultando provas. Pedro Lopes afirmou que o empresário participava do esquema dos “crackers” por meio de cartões de débito e crédito, simulando compras para “lavar” o dinheiro obtido por métodos fraudulentos.
“Ele pegava o cartão do ‘laranja’ [arregimentado pelos “crakers” só para “emprestar” suas contas], para onde eram transferidos os valores desviados, e passava nas máquinas da pizzaria, simulando uma despesa. Depois, retirava o dinheiro, ficando com uma porcentagem para ele e dando o restante aos ‘crackers’”, explicou Lopes.
Faturamento suspeito – Oziel Vieira, advogado de Leonardo Garcia Martins, não quis comentar a prisão de seu cliente. Há alguns dias, em contato por telefone com o Jornal Pequeno, Oziel, que é vice-presidente da OAB local, negou as acusações de “lavagem” de dinheiro contra Leonardo.
Ele justificou o faturamento de R$ 4.500 da Romano’s Pizzaria num só dia (bastante suspeito, segundo a PF), pelo fato de a data em questão ser 12 de junho, Dia dos Namorados. O faturamento da Romanos (avenida Dorgival Pinheiro de Sousa) neste dia foi quase o dobro do que normalmente é apurado em uma semana (R$ 2.500, em média).
Oziel Vieira também não viu como prova do envolvimento do empresário “a simples constatação da presença de pessoas suspeitas de serem ‘crackers’ na pizzaria, naquela noite”, como constatou a Polícia Federal.
Segundo o advogado, “todo mundo em Imperatriz vai na Romano’s; até ‘crackers’”.
‘Entregando’ o concorrente – O JP apurou que, além de tentar ocultar provas, outra atitude de Leonardo Garcia que irritou a Polícia Federal foi a tentativa de convencer as autoridades policiais – provavelmente sob orientação de seu advogado – de que um concorrente seu – a Roma Pizzaria – é que estaria envolvida com o esquema fraudulento de “lavagem” de dinheiro dos “crackers”, informação que se revelou totalmente infundada.
Segundo informou a Polícia Federal, mais prisões de empresários ligados aos “crackers” que desviavam dinheiro de contas “on-line” devem acontecer esta semana.
Além de Leonardo Garcia Martins, já prestaram depoimento na PF Pedro Santos Souza, o “Irmão”, dono da Angecar (revendedora de carros importados) e Jocifran Alves, o “Fran”, dono da Calçadeira De Luca e da loja Empório e Arte.
O empresário Edson Cunha (proprietário do Posto Avenida e irmão do candidato a deputado estadual roseanista Leo Cunha), também investigado por participação no esquema fraudulento dos “crackers”, ainda não depôs.