No último texto que escreveu para o Cimi, um texto em memória de dom Luciano Mendes de Almeida, arcebispo de Mariana (MG), que morreu em 27 de agosto passado, o bispo de Balsas refletiu:
“Em outras religiões a morte é apresentada como a cura definitiva das doenças da vida. Para nós, cristãos, a morte é algo ilegítimo, uma mancha no quadro maravilhoso da criação. É fruto do pecado que estragou a natureza humana. Deus só planejou a vida, não a morte. Por isso Jesus veio a este mundo para derrotar a morte! ‘Eu sou a Ressurreição e a Vida. Quem acredita em mim, mesmo que morra, viverá’. (Jo 11,25). ‘A morte foi tragada pela vitória. Onde está, ó morte, a sua vitória? Onde está, ó morte, o seu ferrão?’ (1Cor 15,55). A morte perdeu o seu aguilhão, como uma serpente cujo veneno só é capaz agora de adormecer a vítima por algum tempo, sem poder matá-la. A morte já não é um muro diante do qual tudo se rompe, mas tornou-se uma porta, uma passagem, uma ‘Páscoa’, um ‘Mar Vermelho’, graças ao qual se entra na terra prometida. A verdadeira morte acontece quando colocamos a nossa esperança e o sentido de nossa vida na posse, no poder, no prazer desregrado, quando fechamos o nosso coração ao próximo e nos deixamos levar pelo egoísmo. A verdadeira morte é quando temos medo de perder nossa vida por causa de Jesus e do Evangelho (Mt 8,35).
Por isso dom Luciano não morreu”.