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GeralHepatites B e C já representam uma das maiores causas de morte no mundo

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18 de setembro de 2006
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A revista científica Journal of Hepatology de outubro de 2006 publica um estudo realizado pelo Centro de Controle de Doenças (CDC), organismo oficial dos Estados Unidos, o qual levantou dados mundiais sobre casos de cirrose ou câncer de fígado por causa das hepatites B e C, consideradas como as duas maiores epidemias da atualidade. Segundo dados da OMS, Organização Mundial da Saúde, na forma crônica a hepatite C atinge entre 170 e 200 milhões de pessoas no mundo e 4,5 milhões no Brasil. Os casos de hepatite B são 350 milhões no mundo dos quais 2 milhões no Brasil.

A historia natural destas hepatites mostra que uma alta proporção dos infectados progride para danos irreparáveis no fígado, evoluindo para a cirrose ou o câncer de fígado e, consequentemente, a morte. A OMS estima que estas duas doenças já representam uma em cada quarenta mortes no mundo. Pesquisadores estudaram os diagnósticos de cirrose ou câncer de fígado de pacientes infectados com a hepatite B e/ou hepatite C nos Estados Unidos e das estimativas da OMS em 11 diferentes regiões do mundo. O resultado alarmante mostra que 57% dos casos de cirrose foram ocasionados pelas hepatites, sendo 30% pela hepatite B e 27% pela hepatite C. 78% dos casos de câncer no fígado foram ocasionados pelas hepatites, sendo 53% pela hepatite B e 25% pela hepatite C.

Ao cruzar os dados do estudo com os de mortalidade pela cirrose e o câncer da OMS, vê-se que no ano de 2002 as hepatites B e C ocasionaram 929.000 mortes no mundo, sendo a hepatite B responsável por 235.000 mortes por cirrose e 328.000 por câncer e, a hepatite C, responsável por 211.000 mortes por cirrose e 155.000 por câncer de fígado.

Os autores alertam sobre a imediata necessidade de realizar campanhas públicas de detecção dos milhões de infectados, de prevenção de novas infecções e de fornecer tratamento adequado aos pacientes.

Uma pesquisa no Brasil, sobre a ação do Ministério da Saúde no combate as hepatites B e C, realizada pelo Grupo Otimismo em setembro de 2006 mostra que o Brasil prefere ignorar o problema. A "censura" em relação à hepatite B é total. O site do Programa DST/AIDS sequer cita a hepatite B, doença que sexualmente se transmite até 100 vezes mais facilmente que a AIDS. A testagem das DST é estimulada pelo programa, mas somente constam Aids, Cancro mole, Condiloma ou HPV, Herpes, Linfogranuloma venéreo, Sífilis, Tricomoníase, Gonorréia e Clamídia. No site do Programa DST/AIDS parece que a hepatite B não quer ser detectada. Já o Site da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde relaciona uma série de doenças infecciosas que esta secretaria tem como obrigação a atribuição de cuidar, mas as hepatites B e C, doenças sob sua responsabilidade já que o Programa Nacional de Hepatites Virais pertence a esta secretaria, não são sequer citadas. Somente a Influenza, Dengue, AIDS, Tuberculose e Hanseníase aparecem com suas respectivas descrições.

Segundo esta pesquisa, o resultado que o Ministério da Saúde consegue apresentar após quatro anos de implementar um Programa Nacional de Hepatites são pífios, sem resultados práticos. "Os números podem ser frios, mas quando vemos que em 2005, de dois milhões de infectados pela hepatite B somente 1.070 receberam tratamento e dos 4,5 milhões de infectados com a hepatite C somente 6.500 foram tratados, qualquer argumentação ou desculpa por parte dos gestores federais fica ridícula".

Conforme é moda na política para os gestores da saúde o melhor a ser feito e ficar de boca calada e fazer de conta que de nada sabem, que nada ouviram e que não foram informados. Administram a saúde pública com visão de economistas. Acreditam que realizando a detecção dos infectados será necessário se fornecer um tratamento o qual representa uma despesa elevada. Já se os infectados não são diagnosticados, não é necessário gastar recursos na atual gestão e, ainda, será realizada uma economia considerável no futuro ao ter que pagar menos anos de aposentadoria, beneficio este conseguido mediante a morte prematura dos doentes, afirma Carlos Varaldo, coordenador do estudo.

Parece que muitas vezes é necessário que os doentes morram para melhorar os índices finais de infestação das doenças, já que curando ou morrendo o resultado final (estatisticamente falando) é o mesmo: "menos doentes".

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