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17 de setembro de 2006
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Roseana e Mirante: quem mente mais?

A Rede Globo de Televisão não é nenhum exemplo de ética e, todos nós sabemos, em determinados períodos, manchou a sua história acumpliciada a regimes ditatoriais, como aconteceu nos anos de chumbo do golpe de 1964. E a TV da família Marinho sempre acha um meio de estar aliada aos governantes de plantão, no plano federal, garantindo a fabulosa receita que a torna uma das maiores redes do Mundo no campo televisivo. Mas, uma virtude a Rede Globo tem: ela evita o envolvimento com as facções políticas regionais, talvez até como forma de garantir um mínimo de respeitabilidade entre os seus telespectadores nos Estados.

Isso explica porque, raramente, matérias produzidas pela TV Mirante, sua afiliada aqui no Maranhão, são aproveitadas a nível nacional..O pessoal da Globo sabe que a Mirante pertence ao senador José Sarney, que não tem o menor escrúpulo em utilizar aquele veículo de comunicação para alavancar seus projetos políticos pessoais. Aliás, ele próprio disse, recentemente, que só possui um império de comunicação porque é político Quando veicula alguma reportagem sobre o Maranhão, a Globo quer ter a certeza de que o material é essencialmente jornalístico, sem qualquer conotação política. Por via das dúvidas, a emissora mantém hoje uma jornalista de seus quadros em São Luís, para garantir a independência das matérias. Não significa, evidentemente, que haja escassez de bons jornalistas no sistema. Mas, a exemplo dos escravos do Barão de Araruna, liberdade é uma utopia irrealizável na senzala do oligarca-mor do País.

Dentro de um projeto que elaborou, de ouvir os brasileiros em suas próprias regiões, o Jornal Nacional, da Globo, com Pedro Bial à frente, chegou ao Maranhão no feriado de 7 de setembro. E os jornalistas globais acharam de percorrer a pior rodovia federal, a BR 316, que liga o Maranhão ao Pará. Que vergonha! A caravana da Globo passou uma hora para percorrer 52 quilômetros, entre Santa Inês e Zé Doca, tal a quantidade de crateras existentes ao longo da estrada. Quem é ou quem são os culpados por essa falta de respeito aos maranhenses?

Em primeiro lugar, enquanto grande parte das rodovias nacionais praticamente não oferece condições de tráfego, pelo menos com o menor conforto e a mínima segurança, o Poder Executivo vive contigenciando verbas do Ministério dos Transportes para pagar dívidas que não foram feitas pelo contribuinte. Somente agora, às vésperas da eleição, anuncia-se uma operação tapa-buracos claramente eleitoreira e, mesmo assim, beneficiando Estados do Sul, onde é clara a superioridade de Geraldo Alckmin. O Maranhão parece não constar dos mapas do Palácio do Planalto. Mas, e o que foi feito, onde foi aplicado aquele monte de dinheiro que a então governadora Roseana Murad teria recebido para recuperar as estradas federais? Quem transita por quase todas as rodovias federais sabe muito bem que a situação é idêntica à da BR 316. Por que Roseana insiste em enganar a população com essa história de que é empreendedora, se o seu grande “legado” são dívidas astronômicas deixadas para o seu sucessor?

Se dependesse do governador José Reinaldo, tanto a BR 316 como as outras rodovias da União já estariam há muito tempo recuperadas, tal o seu empenho junto ao Ministério dos Transportes. Mas, uma andorinha só não faz verão. E, além de não fazer absolutamente nada, a bancada maranhense no Senado, seguindo orientação do poderoso chefão da dinastia, faz tudo ao seu alcance para evitar que o Maranhão seja beneficiado pelo governo federal. Está bem vivo na memória de todos o que aconteceu no caso daquele empréstimo destinado a humildes famílias de lavradores. Pois essa bancada continua torpedeando projetos que interessam aos maranhenses. É a famosa turma do carteado, da inoperância e das maquinações espúrias, formada por Roseana e João Alberto, que quer vir administrar o Estado. A herdeira rancorosa, como governadora, e o Carcará sanguinolento, como vice. Edison Lobão – excluído das práticas mais indecorosas – coordena a campanha eleitoral e, obviamente, o Zé Perversidade, apesar do processo de decadência irreversível, ainda é o mentor intelectual e dirigente supremo da organização.

Abrimos esse artigo mostrando por que a Rede Globo faz restrições às reportagens produzidas pela TV Mirante. Se fizesse uma matéria sobre a BR 316, o sistema certamente iria culpar o governador José Reinaldo. Há poucos dias, numa de suas enquetes imbecis do meio-dia, a TV do estadista de Curupu tentou induzir os seus telespectadores a acreditar que as rodovias federais estão em estado crítico por “falta de empenho de José Reinaldo”. Não tiveram honestidade suficiente sequer para dizer que o patrão deles é amigo de Lula e que Rosana recebeu muito dinheiro e nada fez para melhorar a condição daquela estrada

Nesse particular, o maranhense não tem mesmo sorte. Enquanto as demais afiliadas da Globo emplacam matérias até sobre amenidades, os trabalhos feitos pelo pessoal da Mirante muitas vezes seriam recusados por falta de credibilidade. Roseana, no seu horário de enganação, tenta mostrar um Maranhão virtual da sua camarilha – que é o inverso do Maranhão real do IBGE, aonde milhões de conterrâneos padecem com a miséria, identificada em estatísticas oficiais nos planos nacional e internacional, através dos piores indicadores socioeconômicos, agravados nas suas desastradas administrações. Entre tantas outras inverdades, diz que vai restabelecer o programa “Meu Primeiro Emprego” Só se teria a finalidade de compensar a desfaçatez de Cafeteira que, ultrapassando todos limites da subserviência, estaria se curvando humilhantemente, encerrando a vida pública como reles traidor (sem qualquer chance de se eleger coisa alguma), apenas para garantir o primeiro emprego de Janaína, como conselheira do Tribunal de Contas do Estado. Pelo andar da carruagem, contudo, a jovem senhora vai continuar aguardando a tão sonhada vaga. E o jeito vai ser gastar, por mais tempo, a dinheirama que, segundo Sarney, Roseana, Jorginho e o resto da trupe, o ex-governador furtou dos cofres públicos. Tanto dinheiro que, de acordo com o clã, teria estimulado Cafeteira a mandar “matar” o Reis Pacheco (a quem seria atribuída a responsabilidade pela morte do seu sogro, Hilton Rodrigues, e que, depois de derrotarem o Cafifa, na eleição para o Governo do Estado, apareceu vivinho da silva).

Já é lugar-comum, prática corriqueira ou coisa que o valha a bajulação despudorada de casas legislativas municipais e estaduais, ao conceder títulos de cidadania a pessoas que jamais fizeram algo relevante, de efetivo interesse público, nas localidades em que são agraciados com o que deveria ser, necessariamente, uma distinção atribuída com rigoroso critério de merecimento e justiça. Muitas vezes o cidadão nem sequer conhece a terra e, quando muito, tem relações com algumas autoridades, quase sempre as que patrocinam a homenagem “por razões que a própria razão desconhece”. Não raramente as credenciais dos “ilustres novos conterrâneos” são o patrimônio econômico e/ou a influência política exuberantes. No caso do título de Cidadão de São Luís que a Câmara de Vereadores concedeu ao deputado João Castelo, na semana passada, é uma das honrosas exceções. O título é bem mais valorizado quando Castelo o recebe não sendo mais governador do Estado e ainda não ser, novamente, senador da República. Nem os adversários podem desconhecer o merecimento da honraria, quanto mais as dezenas de milhares de são-luisenses que confiam na sua liderança política e na sua capacidade administrativa. Dentro do assunto: seria justa da mesma forma a honra ao mérito de Maria Izaura Feitosa Santos, ser humano de raras virtudes, exemplo dignificante de mulher, mãe-de-família, cidadã.

(othelinofilho@yahoo.com.br).

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