Um editorial certeiro
O editorial “A surpresa Vidigal”, publicado ontem no Jornal Pequeno, causou mal estar na Casa do Calhau. O sintoma mais forte do impacto surgiu à noite, durante o programa de Roseana Sarney. Pela primeira vez, desde o início do horário eleitoral gratuito, a candidata não gravou. Roseana Sarney simplesmente não apareceu para o tradicional discurso de amarração do tema apresentado.
Como ensina o ditado popular, o feitiço virou contra a feiticeira. Os números do Ibope, ajeitados para inflar a candidatura do PFL e tentar evitar o segundo turno, começam agora a ser arrumados para se aproximar da realidade. Afinal, o Ibope não pode deixar que as urnas o desmoralizem. Roseana Sarney entrou, então, em queda livre e o segundo turno começa a mostrar o ar da graça, segundo o próprio Ibope.
Pior ainda para a candidata do PFL e seu grupo é que a novidade Vidigal – a possibilidade mais temida pela Casa do Calhau – toma corpo. Enfrentar o ex-ministro do STJ no segundo turno é uma luta em quarto escuro, onde a rejeição e os resultados desastrosos dos dois mandatos de Roseana Sarney no Palácio dos Leões serão colocados na balança, ao lado da trajetória vencedora de Vidigal, desde a infância no Beco do Urubu até a presidência do segundo mais importante tribunal do país. Não foi por outro motivo que começou a circular ontem a informação de que Edison Lobão deve deixar a coordenação da campanha de Roseana Sarney. A informação, no entanto, é oficiosa.
Voto fechado
O projeto que está sendo elaborado pelo deputado Stênio Rezende (PSDB), trazendo de volta o instituto do voto fechado para a escolha do presidente da Casa e da Mesa Diretora, não agradou nenhum pouco o grupo Sarney.
Os deputados roseanistas, que vivem expectativa da volta dela ao governo, acham que abrindo o voto fica mais fácil controlar cada parlamentar.
Lista de “eleitos”
A distribuição à imprensa de uma das listas com supostos ‘eleitos’ para a Assembléia Legislativa, na última quarta-feira, deixou magoada uma parte dos parlamentares que concorre à reeleição.
A relação produzida por um deputado ‘roseanista’ tirou do páreo candidatos potenciais como Mauro Bezerra e outros nomes fortes do PDT, como Geovane Castro.
Por outro lado, deu um “jeitinho” de encaixar os parlamentares pefelistas para não receber “puxão de orelhas” da candidata majoritária. O idealizador promete reformulações na lista.
Sem argumentos
Interessante quando a candidata do PFL ao governo, Roseana Sarney, diz que não vai responder às críticas de adversários para não baixar o nível da campanha.
O problema é que é difícil se defender de mazelas como a estrada Paulo Ramos/Arame, Lunus, extinção da Secretaria de Agricultura, superfaturamento da Lagoa da Jansen, empobrecimento do Maranhão, Telensino, Usimar, Fábrica de Rosário, Salangô, entre tantas outras.
Boa idéia
Uma das propostas de governo que tem dado o que falar no Maranhão á a idéia lançada pelo candidato do PSB, Edson Vidigal, que pretende instituir, caso seja eleito, a “Casa da Creche”.
O ex-ministro quer criar uma bolsa, paga pelo governo, às donas de casa que tiverem disponibilidade para cuidar de filhos de mães que trabalham e não têm com quem deixar as crianças.
A proposta está tendo boa aceitação.
Serviço prestado
As regras estabelecidas pela TV Globo - deixar a cadeira do ausente vazia, permitir perguntas ao ausente, e a tréplica de quem perguntou- criou um risco enorme para todos os candidatos favoritos, no caso de ausência dos mesmos.
Só Aécio não correria este risco. A probabilidade de Lula e outros favoritos de irem ao debate é tão alta quanto os riscos de perderem pontos após debates que tendem a ter audiência alta, dada a proximidade da decisão do eleitor -apenas inercialmente decidido.
Quem tem até 50% das intenções de voto, terá que ir, compulsoriamente sob risco de amargar um segundo turno, onde já entrará fragilizado.
Voto feminino
Uma interrogação persegue o PT desde a primeira campanha presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva, em 1989: por que as mulheres não alimentam tanta simpatia pelo petista quanto os homens? A tendência histórica se confirma, 17 anos depois: o último levantamento do Datafolha (11 e 12 de setembro) mostra que Lula tem a preferência de 55% do eleitorado masculino, mas, entre as mulheres, a intenção de votos cai para 45%.
Nas eleições de 2002, o assunto mobilizou toda a coordenação de campanha de Lula. A última pesquisa do Datafolha de outubro de 2002 mostrava que Lula tinha 52% dos votos de homens e 39% das mulheres; e José Serra foi escolhido por 17% dos eleitores homens e 24% das mulheres. Hoje, o candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, tem 29% dos votos entre mulheres e 26% de homens.
Em 1998, algumas pesquisas qualitativas feitas por publicitários que auxiliavam o PT tentavam entender a alma feminina. Algumas mulheres disseram, na ocasião: “O Lula se parece muito com o meu marido”.
A imagem do petista estava associada ao companheiro comum, que a mulher tinha a seu lado, dentro de casa. Nem de perto se parecia com o “galã” Fernando Collor de Mello, que levou vantagem entre as mulheres e venceu em 1989.
MIUDINHAS
O programa do candidato ao governo do Estado, deputado Aderson Lago (PSDB), foi buscar nos arquivos declarações do ex-gerente Ricardo Murad (PMDB) desaconselhando voto na hoje aliada Roseana Sarney. Recordar é viver!
No programa eleitoral de ontem, o socialista Marcos Silva (PSTU) incrementou o jingle “Eu acredito é na rapazeada”, que já está na boca do povo, com a participação de um cantador de boi. Falta só acertar o acorde.
O candidato do Prona ao governo do Estado, João Bentivi, fez ontem referências à Bíblia para insinuar quem é o “pai da mentira” e quem é o “pai” da candidata pefelista, Roseana Sarney. Bateu forte!
Para os adeptos da teoria de que “rir é o melhor remédio”, a grande pedida da semana é o espetáculo “Velório P’ra Morrer de Rir”, terça (19), quarta (20) e quinta (21), às 21 horas, no Teatro João do Vale (Praia Grande).
Protagonistas do espetáculo, os atores Thadeu Santos e Beto Magalhães prometem fazer o público dar boas risadas.