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Assaltos podem estar abastecendo campanhas eleitorais no Maranhão

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Data de Publicação: 15 de setembro de 2006
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POR OSWALDO VIVIANI

SINDICATO DOS BANCÁRIOS DE IMPERATRIZ ALERTA

Com base num relatório detalhado, que registra todos os assaltos a bancos praticados no Maranhão desde 1996, o diretor da Regional imperatrizense do Sindicato dos Bancários do Maranhão, José Nilson Oliveira Silva, levantou a possibilidade de os assaltos estarem servindo para abastecer campanhas eleitorais no Estado.

“Não pode ser uma simples coincidência os assaltos se intensificarem nos anos eleitorais, e principalmente nos cinco meses imediatamente anteriores aos pleitos”, afirmou José Nilson ao Jornal Pequeno.

O sindicalista lembrou que durante a CPI do Crime Organizado, no final de 1999, o motorista e segurança Jorge Meres Alves de Almeida (que morreu em 2005), um quadrilheiro arrependido que contou detalhes da organização que praticava assaltos no Maranhão, confirmou o uso do dinheiro roubado nas ações criminosas por políticos em campanha. A investigação da CPI sobre esse aspecto, contudo, nunca avançou.

R$ 26 milhões em 10 anos – Para justificar sua desconfiança, José Nílson exibiu números constantes no relatório do sindicato. Em dez anos (1996 a setembro de 2006), foram realizados no Maranhão 282 assaltos a bancos, nos quais foram roubados R$ 26.237.880,80. Cerca de 60% desses assaltos – 170, no total – ocorreram em anos eleitorais (1996, 1998, 2000, 2002, 2004 e 2006).

Nos assaltos praticados em anos eleitorais, foram levados pelos bandidos perto de R$ 18.200.000,00, o que equivale a aproximadamente 70% do total roubado nos bancos maranhenses em uma década.

Nesse período, o ano em que as quadrilhas mais agiram no Estado foi 1996 (eleitoral), quando foram registrados nada menos que 58 assaltos – 34 deles (quase 60%) praticados entre maio e setembro (cinco meses antes das eleições). As ações criminosas renderam, em 1996, mais de R$ 3 milhões aos bandidos.

A queda no ano subseqüente, 1997 (não eleitoral), foi visível: 18 assaltos, com R$ 1,4 milhão roubado. Nos anos eleitorais de 1998 e 2000, a atividade criminosa dos assaltantes retomou o fôlego. Foram 29 assaltos a bancos em 1998 (cerca de R$ 3,4 milhões levados) e 26 em 2000 (R$ 4,1 milhões). Em 2004, o número de assaltos a banco (17) destoou do padrão dos anos eleitorais, mas não o valor total roubado: mais de R$ 3,2 milhões.

Assaltos em série – Neste 2006, a “preferência” dos quadrilheiros por anos eleitorais parece voltar a se manifestar. Só de janeiro a setembro já aconteceram 11 assaltos a banco e três tentativas frustradas. Mais de R$ 1 milhão já foram roubados pelos bandidos nesse período. Em setembro, três dos assaltos ocorreram em menos de uma semana: Banco do Brasil de Buriticupu (dia 4, R$ 200 mil levados); Banco do Brasil de Tasso Fragoso (dia 5, R$ 250 mil); e Banco da Amazônia de Açailândia (dia 10, R$ 100 mil).

Os bancos da região sul do Estado seguem sendo os mais visados pelos assaltantes – pela fragilidade do sistema de segurança nas cidades e pelas várias opções de fuga (BRs e vicinais). Dos 11 bancos assaltados até agora em setembro, 7 estão localizados em municípios do sul do Maranhão.

Para o sindicalista José Nilson Oliveira, as autoridades precisam agir:

“Apesar das várias campanhas que fizemos – uma das quais tinha até um ‘slogan’ que se mantém atual: ‘Bancário não é alvo, cliente não é escudo’ –, os assaltos só têm se intensificado no sul do Estado, principalmente nessa época pré-eleitoral, e nada é feito preventivamente. Em muitas cidades, como Amarante do Maranhão, por exemplo, o contingente policial, em vez de aumentar, está sendo reduzido”.

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