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cidadesÔnibus da Guanabara tem viagem interrompida por agente da Sinfra

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14 de setembro de 2006
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POR JOSÉ LINHARES JR.

Na manhã de ontem, 13, o ônibus da empresa Guanabara que faz a linha São Luís/Fortuna teve sua primeira saída do Terminal Rodoviário de São Luís. Os fiscais da Secretaria Estadual de Infra-Estrutura (Sinfra) deram o aval, os onze passageiros embarcaram e o ônibus seguiu viagem. No entanto, após chegar ao posto de fiscalização da Polícia Rodoviária Federal (PRF) na Estiva, o ônibus foi detido e a viagem interrompida. De acordo com o superintendente de transportes da Sinfra, Manuel Lima, a retenção foi um mal-entendido. "O problema é que a linha estava parada e a documentação não estava toda em dia. Contudo, após a liberação do veículo o bom-senso impedia a retenção do ônibus. Mesmo assim, um de nossos fiscais se equivocou e deu a ordem".

Segundo agentes da PRF, a ordem teria partido de um homem identificado como Francimar, fiscal da Sinfra, que ligou para o posto pedindo que o veículo fosse detido. Para o secretário regional da empresa Guanabara, George Tavares, o ato foi arbitrário e impensado. "Como é que uma empresa totalmente legal, detentora de todas as documentações necessárias e que paga seus impostos em dia tem seus veículos parados, enquanto uma série de transportes irregulares segue matando pelas estradas do Maranhão"?

O ônibus saiu do Terminal Rodoviário por volta das 7h30, cerca de cinco minutos após a saída, o posto da PRF foi acionado por Francimar. "Ele nos disse que o ônibus havia saído sem que a inspeção tivesse sido realizada. A ordem era para que o veículo voltasse para que a inspeção fosse feita", relatou o inspetor Suami.

George Tavares apresentou uma série de documentos que, segundo ele, comprovam a legalidade da linha. Além disso, o fiscal Antônio Carlos, que estava entrando no turno no momento em que o ônibus da Guanabara estava saindo, revelou que todos os procedimentos foram tomados. "Vi o Evaldo (fiscal) recebendo a lista de passageiros e tomando todos os procedimentos. À primeira vista parecia não haver nada de errado".

O gerente de vendas Anderson Santana, da Guanabara, afirmou que toda a documentação foi entregue, assim como foi realizada a inspeção prévia. "Quando tivemos a notícia que o ônibus havia sido parado 10 minutos após sua saída e justamente por ordem da Sinfra, que acabara de fazer a inspeção, não conseguimos entender nada".

Uma das passageiras do ônibus, não entendeu a decisão. "Enquanto nós estávamos aqui, parados, uma dezena de vans com pneus carecas e superlotadas trafegava livremente. Acho que aconteceu uma inversão de valores que pesa muito contra o responsável por ela", informou.

Manuel Lima afirmou não ter sido comunicado e condenou a ação. "Parar o ônibus após sua liberação foi um ato equivocado. Eu, particularmente, só fiquei sabendo dele por meio da imprensa. Se tivesse sido informado antes, usaria do bom-senso e evitaria o constrangimento passado pelos passageiros".

De acordo com o secretário adjunto de Infra-Estrutura, a linha São Luís/Fortuna estava desativada e precisaria de um prazo de dez dias após o pedido protocolado, para a liberação. "A burocracia realmente existe. Mesmo assim, insisto em dizer, o bom-senso nos impele a abrir mão dela em prol dos usuários".

Maxwell Gazola, presidente do Sindicato das Empresas de Transporte Rodoviário do Estado do Maranhão (Sintrema) reclamou muito da postura da Secretaria. De acordo com ele, esta não é a primeira vez que a Sinfra prejudica os empresários do setor. "Nos últimos anos eles estão dando concessões a empresas sem estrutura alguma sem nenhum tipo de licitação. Nada contra a criação de novas linhas, mas este tipo de procedimento necessita de licitação. Quando se dá concessão de linhas desta forma, se prejudica, em primeiro lugar, à população".

O Sintrema protocolou denúncia no Ministério Público contra a Secretaria. De acordo com Maxwell, inúmeras tentativas de debater com a Secretaria já foram realizadas, todas sem êxito algum. "Está na hora de reagirmos, a situação não pode continuar assim". Manuel Lima firmou que a Sinfra sempre esteve aberta para diálogo e que a denúncia do presidente do Sintrema, é imprecisa. "As últimas linhas foram liberadas a título precário, e ele, como presidente do sindicato, deveria saber disso. A Secretaria não se nega a debater e eu, sinceramente, acho que tudo isso é fruto de um grande mal-entendido", concluiu.

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