O 'POVINHO' QUE ELEGE
Rio - O coronel Massa, chefe de Polícia da Paraíba na República Velha, sogro do romancista José Lins do Rego, elegeu-se senador, veio para o Rio e passou muito tempo sem ir lá. O advogado, depois deputado federal e ministro do Superior Tribunal Militar, Alcides Carneiro, foi ao Senado vê-lo:
- Senador, me desculpe, sou apenas um jovem advogado, mas como seu eleitor e correligionário, se o senhor me permite, acho que o senhor precisa dar um pouco mais de atenção ao povo.
- Ora, meu filho, esse negócio de povo ninguém entende mais do que eu. Povo só é povo quando é povo. Povo que não é povo não é povo.
ROSSI
Na "Folha", o encanecido e cada dia mais lúcido Clovis Rossi conta que, "em 1989, logo após ser derrotado por Fernando Collor de Mello, Luís Inácio Lula da Silva desabafou entre amigos: - Êta povinho bosta"!
A mesma "Folha", neste domingo, traz um retrato dramático desse "povinho bosta" de Lula, que agora o está reelegendo presidente, depois de ele patrocinar, como principal líder do PT e presidente da República, o hoje unanimemente maior escândalo de corrupção da história política do país.
O Instituto "Datafolha", em pesquisa nacional, perguntou aos eleitores quem é o candidato "mais preparado de modo geral" para ser presidente da República". Resposta: 44% disseram que é Lula. Alckmin, 31%.
O "Datafolha" também perguntou "quem é o candidato mais corrupto". Lula ganhou longe: - 25% disseram que é ele, 9% que é Alckmin, 2% que é Heloisa Helena. "Qual o mais inteligente"? Ganhou Alckmin. Lula perdeu.
"Corrupto" e "curto", mesmo assim o "povinho bosta" gosta e votar nele.
WEFFORT
Clovis Rossi, cada dia mais decepcionado, comenta:
- "O problema não é o tal de povo ser santo, sábio ou "b"... ("bosta"). O problema é ser eternamente objeto, e não agente de sua própria história. O problema é ser pobre demais, desarticulado e desorganizado demais, a ponto de precisar, eternamente, de alguém que se faça "pai" dele".
Na mesma "Folha" de domingo, o brilhante professor e sociólogo Francisco Weffort, fundador, primeiro ideólogo e secretário-geral do PT, autor de um livro fundamental, que já foi Bíblia no PT - "O Populismo na Política Brasileira", depois ministro da Cultura dos governos de Fernando Henrique, numa definição decifra muito bem o enigma de Lula com o "povinho bosta":
- "Lula é o Ademar de Barros destes novos tempos". ("Rouba, mas faz", lembram-se?). "O pobre que depende do Bolsa Família para viver deve considerar muito distantes as controvérsias sobre malversação de dinheiro publico. O pobre não julga nem inocenta ninguém. Ele simplesmente deixa isso de lado. Sempre houve no Brasil um pragmatismo dos eleitores, que misturam suas convicções com seus interesses".
IUPERJ
O primeiro Legislativo foi criado para fazer o Orçamento. O primeiro dever do homem publico é prestar contas do dinheiro púbico. Todos cobramos prestação de contas de todos os que recebem dinheiro público. Inclusive de quanto estão recebendo e gastando os candidatos. Democracia é isso.
Mas há uma categoria misteriosa e privilegiada de cidadãos que vive de dinheiro público, farta-se nele e ninguém conhece suas contas: os intelectuais. Depois que inventaram essa ficção esperta chamada "cientista político" (sic), são centenas, milhares, pelo país todo, os "institutos de ciências políticas", muitos deles pura picaretagem para tomar dinheiro de todos os governos.
Não conheço, quem conhece?, o DNA e as contas do IUPERJ do Rio. Mas espanta-me que, a duas semanas das eleições, tenham a audácia, certamente muito bem remunerada, de "definir", com precisão matemática, quantos deputados cada partido vai eleger e o PT, é obvio, "em primeiro lugar":
- "O texto "Análise e Previsão de Distribuição das Forças Partidárias" para a Câmara, do IUPERJ, diz que o PT elegerá no mínimo 87 (sic) deputados. O PSDB terá a segunda bancada, com 68 (sic) cadeiras. O PFL, 61 (sic). E o PMDB, 56 (sic)" (Ilimar Franco, Globo).
Nem têm o cuidado de arredondar os números. É previsão ou provisão?
AÉCIO
Para agradar a Lula, o governador mineiro Aécio Neves, esquecendo a sábia lição do avô Tancredo contra "sabedoria demais", estava soprando e inchando a candidatura de Newton Cardoso a senador pelo PMDB-PT. Mas o Newtão é desbocado e não se segurou. Disse a um aliado que, eleito senador, no dia seguinte lançará sua candidatura a governador para 2010.
Aécio soube e se apavorou. Todo o seu projeto é unir Minas em 2010, para poder ser candidato a presidente. A condição indispensável para se afastar do governo será deixar o operoso e poderoso vice Atastasia no trono, como governador e candidato a governador. Newton, entupido de votos e dinheiro, faria um estrago. E, como proprietário do PMDB de Minas, poderia melar o projeto de Aécio de abandonar o PSDB e sair candidato pelo PMDB.
Aécio acordou a tempo. Está suspendendo Eliseu Rezende com guindaste.
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