Militantes dos movimentos sociais, ativistas sociais e pesquisadores, entre eles Socorro Nascimento, dirigente dos trabalhadores rurais e militante do movimento negro, e Magno Cruz, ex-presidente do Centro de Cultura Negra e militante sindical, distribuíram, ontem, um manifesto, intitulado “Xô Roseana”, com o objetivo de criar um movimento contra a eleição da candidata Roseana Sarney. Ao mesmo tempo, estão convocando todos os maranhenses interessados nesse movimento para uma reunião, hoje, às 19 horas, no Sindicato dos Bancários, na Rua do Sol, Centro. Essas pessoas poderão apresentar propostas para a realização do movimento, com a distribuição de adesivos, podendo, ainda, levar camisas brancas para serem pintadas no local.
O manifesto “Xô Roseana” tem o seguinte teor:
“Roseana Sarney é a manifestação do que há de pior no cenário político brasileiro.
É a mais afinada representante dos grandes grupos econômicos. Em oito anos de governo, implantou a política do Pão e Circo, distribuindo migalhas para a população cada vez mais empobrecida, enquanto disseminava a ilusão de um Novo Tempo através do seu complexo de comunicação.
Ela desmantelou as ações públicas nas áreas de agricultura, meio ambiente, saúde, ciência e tecnologia, educação e cultura, impedindo inclusive os investimentos do Governo Federal em áreas prioritárias.
Ao governo Roseana Sarney/Jorge Murad interessavam os investimentos que entrassem no caixa do governo estadual, os que permitiam o desvio de verba e a corrupção.
Jorge Murad, esposo e governador de fato, como super-secretário, transformou o estado em um balcão de negócios particulares, cujas maracutaias foram reveladas nacionalmente no escândalo da Lunus.
Entre os exemplos escabrosos consta a privatização do BEM, onde o governo contraiu um empréstimo de R$ 333 milhões e o banco acabou vendido por R$ 72 milhões; o projeto Telensino, que levou R$ 147 milhões, em parceria com a sócia da família, a Rede Globo; a Usimar e os inúmeros projetos da Sudam; a Fábrica de Confecções de Rosário, que deixou centenas de famílias carentes endividadas junto ao Banco do Nordeste; e ainda a Lagoa da Jansen, o Projeto Salangô, entre outros.
Em todos os casos, os braços da oligarquia aparecem com o envolvimento de empresas ligadas ou pertencentes ao Grupo Sarney. Como resultado deste período, ficou o endividamento absurdo do Maranhão, comprometendo os investimentos. Atualmente os juros atingem cerca de R$ 57 milhões mensais.
Dona do maior complexo de comunicação e sócia das grandes empresas, Roseana Sarney desfila pelas cidades do interior, nas classes mais empobrecidas, como a defensora dos fracos e oprimidos.
Nós, cidadãos e cidadãs esclarecidos (as), não podemos silenciar diante desta afronta à ética, à cidadania, uma ameaça ao patrimônio público.
Eles controlam os meios de comunicação, mas não podem calar as nossas consciências, as consciências que estão ocupando as ruas, em São Luís e em todas as cidades maranhenses, em um grande BASTA traduzido na já conhecida expressão XÔ ROSEANA”!
Hora de união I
Repercutiram as notas publicadas ontem na coluna sobre a inoperância da bancada federal sarneysista diante do estado caótico da BR-316, mostrado para todo o país pela TV Globo.
O presidente da Assembléia, João Evangelista, cobrou da bancada de deputados federais e senadores do Maranhão uma posição firme pela recuperação da BR-316.
“Chega de discursos e comícios, é hora de unir forças e pressionar o governo Lula para dar início às obras”, bradou da tribuna.
Hora de união II
O recado teve como endereço certo o grupo Sarney. No ano passado, Evangelista e José Reinaldo estiveram à frente de um grande movimento em defesa da rodovia.
Ao lado de prefeitos, empresários e deputados, foram recebidos em audiência pelo então ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento.
Mas apenas metade dos deputados federais e só dois dos quatro senadores maranhenses participaram do encontro. Para quem não lembra, Sarney e Roseana aturam nos bastidores, com êxito, para impedir a vinda ao Maranhão do ministro dos Transportes, quando anunciaria o início das obras da nova ponte da Estiva e lançaria o edital de licitação para recuperação da BR-316.
“Dramalhão mexicano”
Lamentável o dramalhão mexicano que vem fazendo, no horário eleitoral, o candidato ao Senado pelo grupo Sarney, Epitácio Cafeteira (PTB), acerca da determinação da Justiça Eleitoral proibindo o uso das imagens de Lula na propaganda do ex-governador.
O fato é que a exposição de Lula no programa fazendo elogios a Cafeteira, mesmo que constrangedora, além de ter sido patética, foi interpretada como grave infidelidade partidária.
Renúncia I
Em tom sereno, o deputado Rubens Pereira anunciou, ontem, da tribuna a sua desistência de concorrer à reeleição, devido a pendências com a justiça eleitoral.
Vai apoiar a candidatura do filho, Rubens Pereira Filho, filiado ao PRTB. “No ano que vem estará aqui um jovem de 22 anos, trazendo uma bagagem melhor que a minha.
Eu sou um caboclo da roça, ele já tem curso de Direito”.
Renúncia II
Antes, numa roda de jornalistas, Rubens Pereira externava a sua confiança na eleição do filho.
“Transferi todo o apoio político da minha candidatura para ele. Agora é só esperar a abertura das urnas.
Já estou que não me agüento”.
Aliviado
Para quem esperava que Ney Suassuna (PMDB-PB) abrisse a boca e levasse para o buraco Renan Calheiros (PMDB-AL), José Sarney (PMDB-AP) e antigos aliados, ele avisou:
- Eu sou uma pessoa ponderada. Não sou de explodir -, afirmou Suassuna em depoimento ao Conselho de Ética.
Pelas perguntas feitas ontem, pela postura do relator diante da defesa e pelo histórico de Peres, a pena para Suassuna deverá ser a máxima: perda de mandato.
MIUDINHAS
O auditório da Fiema será palco, hoje, às 16h00, de um encontro com os candidatos ao Governo do Maranhão - Edson Vidigal e Jackson Lago. Roseana Sarney não quis participar.
O encontro é promovido pela ABIH, ABAV, ACM, Ascem, Amasp, Ampe, Faem, Faema, FCDL, Fecomércio, Fiema, Fórum Empresarial e Sebrae-MA e será aberto à imprensa para cobertura jornalística.
Vidigal e Jackson terão 30 minutos, cada um, para comentar sobre o documento “Agenda Empresarial para o Maranhão”, elaborado pelas entidades promotoras do encontro, que apontam as prioridades do Estado sob o ponto de vista do empresariado maranhense.
Em seguida os candidatos respondem as perguntas formuladas pelos empresários e no encerramento terão 5 minutos para considerações finais.