Oposição diz que casa do senador é uma fachadaSegundo pesquisa Ibope realizada entre 24 e 27 de agosto e divulgada dia 29, Sarney tem 50% das intenções de voto. E Cristina, ex-superintendente do Incra, 29%. Não que a eleição do ex-presidente já esteja comprometida, mas o desempenho da concorrente, nada mau para uma estreante, alertou Sarney.
A ascensão de Cristina se dá escorada em João Capiberibe (PSB), que governou o Estado de 1995 a 2002, elegeu-se senador e acabou cassado no ano passado, acusado de compra de votos. Capi, como é chamado, é o maior adversário de Sarney.
Na corrida para o governo, tem 39% dos votos. Waldez Góes, da coligação de Sarney, soma 48%.
O crescimento da candidatura de Cristina preocupou as hostes sarneysistas, embora ninguém admita. Na sexta-feira, enquanto a reportagem do Globo aguardava na varanda da casa do senador para entrevistá-lo, um assessor conversava por telefone com um deputado:
— Parabéns pelo filho — disse o assessor, logo acrescentando:
— Não, não se preocupe, essa pesquisa não é atual. Nós voltamos a nos recuperar. A realidade agora é outra.
Na mesma sexta-feira, Sarney, camisa branca, calça social, gravata e suspensórios, recebia taxistas, negros, candidatos e populares na casa que comprou em Macapá, no Bairro Jesus de Nazaré.
A casa, que os opositores dizem ser uma fachada, é guardada por dois homens armados e carece de pintura nova. Flores sucumbem no jardim.
Sarney minimiza a situação:
— Nunca estivemos tão bem. Na outra eleição não tínhamos o apoio de todos os prefeitos, como agora, além de lideranças e formadores de opinião.
Na TV, Sarney é exibido como o político que deu prestígio ao Estado e se mostra próximo ao presidente da República:
— Consegui com Lula uma escola técnica — diz na TV.
O animador do carro de som que acompanha Cristina esforça-se para demonstrar que Sarney não é da terra:
— Ele não sabe o que é maniçoba, não entende da dança do marabaixo, nem sabe onde se come o melhor camarão.
O senador, 50 anos de vida pública, ignora as críticas:
— Isso é coisa de campanha.
Mas, diferentemente de outras eleições, Sarney tem sido visto nas passarelas (pontes de madeira que levam às casas pobres), em caminhadas pelo centro, como fez sexta-feira. Em 1998, foi eleito com 97.466 votos, ou 27,95% dos válidos. Mas o eleitorado quase duplicou: de 213.289 eleitores para 360.614. E a oposição, que cresceu, diz que Sarney resolveu fazer campanha porque sentiu a água do Rio Amazonas nos joelhos.
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