POR AURELIO CARVALHO
Quatro trabalhadores rurais do município de Açailândia estão refugiados em São Luís, desde o começo deste mês, depois que foram jurados de morte por jagunços, que trabalham para o fazendeiro Amazílio Correia Júnior. Os lavradores contaram que as ameaças foram feitas após a invasão de 601 hectares da Fazenda Toca da Raposa, da qual Amazílio se diz proprietário. Sob os disparos de tiros e a ação da polícia local, alguns invasores foram rendidos e outros conseguiram fugir. Quem escapou, agora teme morrer e pede a ajuda do poder público para se livrar das ameaças e ter a posse dos 601 hectares, que julgam pertencer à União e não ao fazendeiro.
Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Açailândia (STTRA), que preferiu não se identificar, mais de 70 famílias correm perigo de morte, além de já estarem sem suas casas - que foram derrubadas no dia 2 de agosto pelos jagunços. "Estamos em estado de alerta. A qualquer hora muitos de nós podem ser mortos. Eles derrubaram nossas casas sem ordem judicial e agora querem nos matar. Se não tivéssemos fugido para São Luís, os jagunços do fazendeiro Amazílio Correia, teriam nos executado sem que pudéssemos nos defender", disse.
O caso - Segundo a Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do Maranhão (Fetaema), o conflito começou porque no dia 30 de julho passado, cerca de 70 famílias teriam ocupado parte das terras da Fazenda Toca da Raposa. No dia 31, o fazendeiro Amazílio Correia Júnior teria ido ao local, acompanhado do delegado de Açailândia, conhecido como Humberto, na tentativa de intimidar os lavradores. Como não conseguiram, resolveram tirar os trabalhadores rurais à força.
"Primeiro nos ofereceram cestas básicas e, em troca, teríamos que deixar as terras. Como viram que não adiantava, ficaram nos vigiando, tirando fotografias, investigando nossa vida, para depois atacarem. No dia 2 de agosto começaram os ataques. Derrubaram nossas casas e nos ameaçaram de morte. Eu e mais três trabalhadores conseguimos fugir, pois o objetivo deles é matar os líderes do movimento, ou seja, nós", afirmou um dos lavradores refugiados em São Luís.
A terra - Seguros de que a terra que invadiram pertence à União, os lavradores querem que o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) faça uma vistoria na área e se aposse da terra. Também querem que a Fetaema entre com uma documentação junto ao Ministério Público Federal, pedindo que o órgão se manifeste em relação à perseguição que afirmam estar sofrendo.
Os trabalhadores rurais garantem que estão de posse de uma documentação que comprova que os 601 hectares invadidos não pertencem à Fazenda Toca da Raposa e sim à União.
A assessoria jurídica da Fetaema, por meio do advogado Luís Antônio Câmara Pedrosa, já está estudando o caso e adiantou que a primeira coisa a se fazer é pedir a reintegração de posse da terra à União Federal. Se comprovado o fato de que os hectares invadidos pelos trabalhadores rurais não pertencem a Amazílio Correia, os trabalhadores podem, até mesmo, ser indenizados pelo fazendeiro.