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Investigações sobre assassinato de Valdecy Rocha continuam paradas

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31 de agosto de 2006
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POR OSWALDO VIVIANI

NOVE MESES DEPOIS

Delegado especial designado para o caso passou no concurso da Polícia Federal e deixou a Polícia Civil

Nove meses depois do assassinato do advogado Valdecy Rocha por um pistoleiro, em Imperatriz, as investigações sobre o caso estão completamente paradas. A apuração do crime não anda desde meados de dezembro do ano passado, quando o ex-cabo da Polícia Militar Gilvan Pereira Varão, de 40 anos, foi apontado como o executor do advogado.

O delegado João Carlos Amorim Diniz, designado no final de julho pelo secretário de Segurança, Raimundo Marques, para retomar as investigações e chegar ao mandante, passou no concurso para agente da Polícia Federal e deixou a Polícia Civil.

De acordo com o delegado Josenildo José Ferreira (que cobre as férias do delegado regional de Imperatriz Hagamenon de Jesus Azevedo), Diniz chegou até a trazer sua equipe para Imperatriz, mas três dias depois teve de deixar o caso para se apresentar à Polícia Federal. Segundo Josenildo, dias depois que Diniz deixou Imperatriz, o delegado José Maria Melônio Filho, da Secretaria de Segurança Pública, entrou em contato com a 10ª Regional e informou que a secretaria estava providenciando a designação de outro delegado especial para o “caso Valdecy Rocha”. Até agora, porém, ninguém foi designado. Não há previsão de quando o novo delegado chegará a Imperatriz.

A nova paralisação das investigações, mesmo depois de o próprio secretário de Segurança, Raimundo Marques, garantir que o crime seria apurado até o fim, com a polícia apontando executor e mandante, deixou os familiares de Valdecy Rocha revoltados.

Gener Marinho, sobrinho do advogado (que também é dirigente do Sindicato dos Bancários de Imperatriz), esteve na semana passada com o delegado Josenildo Ferreira e foi informado de que o caso vai ter mesmo de ficar parado até que a Secretaria de Segurança nomeie um novo delegado especial para retomá-lo.

Diante da Prefeitura - O crime de encomenda que vitimou o advogado Valdecy Ferreira Rocha, de 52 anos, aconteceu às 17h30 do dia 30 de novembro do ano passado, diante da Prefeitura de Imperatriz e a menos de 200 metros do Fórum da cidade.

O advogado, um profissional bastante conhecido na cidade, foi atingido com um único tiro na cabeça quando, depois de encerrar o expediente em seu escritório, se preparava para ligar sua caminhonete D-20 branca com carroceria de madeira. De acordo com testemunhas, antes de atirar, o matador puxou Valdecy pelo cabelo, não dando qualquer chance para a vítima. O assassino fugiu numa motocicleta Honda Titan preta, pilotada por um comparsa. Natural de Piripá (Bahia), Valdecy Rocha exercia a advocacia em Imperatriz desde 1981. Seu escritório, que atendia a causas cíveis, em sua maioria, ficava no edifício Antenor Bastos, 3º andar, sala 301, localizado na rua Rui Barbosa, a cerca de 100 metros do local onde ele foi morto.

O assassinato do advogado causou enorme comoção em Imperatriz. Por conta do crime, a OAB-Imperatriz, sob o comando de seu presidente Agenor Dourado, liderou um amplo movimento contra a violência, reunindo vários setores da sociedade civil. O Fórum da cidade chegou a ser fechado, em sinal de protesto.

Segundo autos, ex-mulher é maior suspeita

O Jornal Pequeno teve acesso ao inquérito policial que está nas mãos da Justiça e apurou que, pelo que consta nos autos, a ex-mulher do advogado, Irani Vieira Ferreira da Rocha, é, segundo a polícia, a maior suspeita de ser mandante do assassinato de Valdecy Rocha.

Irani, de quem Valdecy estava separado de fato há 5 anos quando foi morto, é dona de uma escola de Enfermagem (a Nova Dinâmica), localizada na rua Monte Castelo, perto da Universidade Estadual do Maranhão (Uema).

O JP também apurou que os primos e sobrinhos de Valdecy Rocha estranharam algumas atitudes de Irani Ferreira, logo após o crime.

Uma delas foi ter ido pessoalmente buscar alguns móveis velhos na casa onde Valdecy morava, na companhia de um primo e um sobrinho (Hibernon e Adriano Marinho), no Parque do Buriti. Ela chegou à residência acompanhada de alguns homens e carregou um guarda-roupa, uma cama e um aparelho de ar-condicionado.

Os familiares de Valdecy Rocha também teriam achado incoerente o fato de Irani haver, imediatamente depois do crime, contratado um advogado para defendê-la de eventuais acusações (José Lamarck de Andrade Lima, com escritório na Vilinha), em vez de juntar forças com a família de Valdecy para tentar encontrar os culpados pela morte do ex-marido.

De acordo com o que o JP apurou, a ex-mulher de Valdecy Ferreira Rocha já deu entrada na Justiça com pedido de posse dos bens do advogado, que consistem em duas fazendas no estado do Tocantins, cerca de 1500 cabeças de gado e várias casas e terrenos em Imperatriz e Augustinópolis (TO). Todos esses bens totalizam aproximadamente R$ 6 milhões.

Os únicos herdeiros de Valdecy – já que quando ele foi assassinado o processo de divórcio (litigioso) ainda não havia sido concluído – são sua ex-mulher, Irani, que tem cerca de 50 anos, e seus dois filhos, Débora Vieira da Rocha, 24, e Hugo Vieira da Rocha, 21.

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