O primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, e o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Kofi Annan, conversaram ontem, 30, a respeito de decisões para prolongar o cessar-fogo entre Israel e o grupo terrorista libanês Hizbollah, mas não houve acordo.
Durante visita a Israel, iniciada ontem, Annan pediu que Olmert acelere o fim do embargo aéreo e naval imposto ao Líbano - para recuperar a economia libanesa e fortalecer o governo de Beirute. Em resposta, Olmert disse que só encerrará o embargo quando se fizer cumprir a resolução 1.071 da ONU, ou seja, que soldados da ONU e do Líbano assumam o controle da fronteira israelo-libanesa. Israel também quer a devolução imediata dos soldados israelenses seqüestrado em 12 de julho pelo Hizbollah, ação vista como o estopim da nova onda de violência no Líbano.
A resolução 1.071 pede a retirada de todos os soldados israelenses que atualmente ocupam parte do sul do Líbano. O controle desta região será entregue ao Exército Libanês e aos soldados da força multinacional que dará apoio à Unifil (Forca Interina da ONU para o Sul do Líbano). A idéia é impedir o lançamento de foguetes do grupo xiita contra cidades no norte de Israel e fortalecer o cessar-fogo.
Durante o conflito, que durou 34 dias e "vive" um cessar-fogo desde o último dia 14, o Hizbollah lançou cerca de 4.000 foguetes contra Israel, causando danos a edifícios, deslocamento de cerca de 300 mil pessoas e parte das cerca de 200 mortes registradas no país. Neste mesmo período, Israel lançou intensos ataques por ar, terra e mar contra o Líbano, deixando inúmeras cidades reduzidas a escombros, além de causar o deslocamento de cerca de 1 milhão de pessoas e causar mais de 1.200 mortes [a maioria civis].
Coletiva - Durante entrevista coletiva ontem, Annan reiterou que o bloqueio ao Líbano deve ser levantado. O embargo israelense sobre aeroportos e portos libaneses tem por objetivo barrar a entrada de armas para o Hizbollah.
Em seguida, durante a mesma entrevista, Olmert reafirmou a exigência do cumprimento da resolução 1.071 para encerrar o embargo, alegando que só tomará tal decisão quando a "força multinacional puder controlar a fronteira, impedindo que o Hizbollah receba armas, e que, até que isso ocorra, que seja permito que Israel, ao lado da tropas da ONU, controle a região --opção considerada hostil pela Síria.
Reféns - Annan disse ainda ao governo de Israel que fará tudo o que puder para conseguir a libertação dos três soldados israelenses seqüestrados pelo Hizbollah (2) e por grupos terroristas palestinos (1), ocorridos em ações distintas.