INFÂNCIA VIOLENTADA
Uma equipe de policiais civis maranhenses, chefiada pelo delegado Praxísteles Martins (que responde pelo município de João Lisboa, vizinho a Imperatriz), resgatou, no último final de semana, uma menina maranhense de 15 anos, que estava sendo obrigada a se prostituir na cidade paraense de Nova Ipixuna.
A denúncia chegou ao delegado Martins por meio da própria mãe da adolescente, Maria Raimunda Gonçalves, moradora de João Lisboa.
Segundo o que Maria Raimunda contou ao delegado, sua filha havia sido levada ao Pará por Maria de Fátima Souza, há cerca de 15 dias, com a promessa de que receberia R$ 100 por mês para trabalhar em serviços domésticos.
Ao chegar em Nova Ipixuna (cidade próxima a Marabá), a menina foi obrigada a fazer programas sexuais com “clientes” arregimentados por Maria de Fátima. Os encontros aconteciam na própria residência em que a garota morava com a “patroa”. De acordo com o que a adolescente contou à mãe, a “cafetina” ainda debochava da menina, dizendo que ela era “muito besta” se pensava que com os R$ 100 por mês que ela lhe pagaria por mês conseguiria comer e se vestir. “Ela dizia que se eu não me prostituísse iria passar fome”, afirmou a menina.
Maria Raimunda Gonçalves denunciou o caso à polícia depois de perceber, durante uma conversa com a filha pelo telefone, que Maria de Fátima retirou o aparelho da mão da menina assim que ela começou a dizer que “não agüentava mais ficar no Pará” e que queria voltar para o Maranhão.
A “cafetina” apenas autorizou a adolescente a falar com a mãe porque a menina prometeu que pediria para enviarem de João Lisboa o registro de nascimento de sua irmã maior de 18 anos. O documento seria uma garantia para Maria de Fátima, no caso de uma verificação policial.
Apesar da natureza grave dos crimes que cometeu (indução à prostituição de adolescente e manter adolescente em cárcere privado), Maria de Fátima Souza continua livre. Ela não pôde ser autuada em flagrante porque não havia delegado de polícia em Nova Ipixuna.
Ao delegado Praxísteles Martins resta concluir o inquérito sobre o caso em João Lisboa e enviá-lo à Justiça paraense para que a “cafetina” tenha sua prisão decretada.