POR OSWALDO VIVIANI
'TUBARÕES GALÁTICOS'
Uma pizzaria, uma grande indústria do setor alimentício e revendedoras de pneus e de carros importados estariam entre as empresas que se beneficiavam com o desvio de dinheiro de contas na internet em Imperatriz
A Polícia Federal já tem em mãos os nomes de 20 empresas acusadas de envolvimento com a “máfia dos hackers”, que desviava grandes quantias de dinheiro de contas bancárias “on-line” em Imperatriz. O Jornal Pequeno apurou que uma conhecida pizzaria, uma revendedora de pneus e uma grande indústria do setor alimentício estariam entre as empresas que se beneficiavam com o esquema, desbaratado com a prisão, na quarta-feira passada, de 54 pessoas, na chamada “Operação Galáticos” da PF.
Dos presos, 10 já foram soltos pela PF no final de semana. Todos são “laranjas” (que “emprestavam” suas contas para os “hackers”, em troca de uma pequena gratificação). Eles vão responder às acusações em liberdade.
De acordo com o delegado Pedro Roberto Meireles Lopes, que comanda a “Operação Galáticos”, já há provas e indícios substanciosos o suficiente para que seja pedida a prisão dos empresários envolvidos com os “hackers”. “As empresas recebiam de 13% a 50% para ‘lavar’ o dinheiro obtido ilicitamente pelos ‘piratas’ da internet”, afirmou o delegado.
Pizzas e ‘carrões’ – O empresário Leonardo Garcia, dono da Romano’s Pizzaria, a mais famosa da cidade, já foi ouvido pela PF.
Também ontem, seria intimado para comparecer à sede do órgão Pedro Santos Souza, o “Irmão”, dono da Angecar (rua Luís Domingues, 727). Foi na Angecar que a estudante universitária Thaíse Araújo Ribeiro, de 21 anos, apontada pela Polícia Federal como uma das líderes dos “galáticos”, comprou pelo menos um de seus quatro “carrões” importados – um Audi vermelho –, por R$ 90 mil.
Arley Barbosa Gonzaga, 28, outro acusado de liderar o esquema criminoso também teria comprado um Audi prata na Angecar.
O delegado Pedro Lopes confirmou ao JP o que até ontem era um boato – de que um empresário teria devolvido à polícia R$ 100 mil, que, segundo ele teria “caído” por engano em sua conta. O delegado não quis revelar o nome do empresário, que seria do vizinho estado do Tocantins. Apesar do “belo gesto” de devolver o dinheiro, as investigações da PF sobre o empresário seguirão seu curso normal.
Uma revendedora de pneus (que tem duas lojas em Imperatriz) e uma grande indústria do setor alimentício também estão no “listão” da Polícia Federal, e seus proprietários devem ser intimados para prestar depoimento em breve.
Depoimentos – No último fim de semana, a Polícia Federal ouviu 12 das 47 pessoas que foram transferidas de Imperatriz para a Cadeia Pública de Augustinópolis (estado do Tocantins), depois do desencadeamento da “Operação Galáticos”, na quarta-feira, 23.
Foram ouvidos 7 homens e 5 mulheres, inclusive Thaíse Ribeiro, que reclamou das condições da cadeia. A prisão de Augustinópolis tem capacidade para 80 presos. Atualmente abriga 83 (36 detentos que já estavam lá, mais os 47 “galáticos”).
Também no último fim de semana, a Polícia Federal começou a periciar tudo o que foi apreendido na “Operação Galáticos” – computadores, documentos, carros, motos e até um “jet sky”. O trabalho dos peritos, que visa juntar mais provas ao inquérito, deve terminar ainda esta semana.
