POR JOSÉ LINHARES JR.
Iniciada há cerca de 20 dias, uma ocupação localizada nas proximidades do conjunto Copenhag, por trás da Uema, está sendo motivo de conflito entre famílias de sem-tetos e o suposto proprietário das terras, Luiz Carlos Nunes Freire. Toda a discussão teve início após a construção do muro que demarca as terras da Universidade Estadual do Maranhão.
Incoerências - De acordo com os sem-tetos, o lote em disputa é uma sobra de terras da Uema. "Conversamos com o engenheiro responsável pela construção do muro e ele disse que iria ter esta sobra. Por conta disso, resolvemos faze a ocupação", disse Joaquim Belfort Penha.
No entanto, o senhor Luiz Carlos Nunes Freire, se deslocou até a invasão e afirmou que as terras são suas. "Existe um lote perto do nosso que ele também disse ser seu. Apareceu lá e mostrou os documentos. Nós resolvemos sair. Mas, nesta nova ocupação, ele, apesar de ter vindo, ainda não mostrou a documentação", disse a sem-teto Maria José Gomes Naiva.
Os tem-tetos denunciaram que na última quarta-feira, 23, o suposto proprietário do terreno foi na área acompanhado de alguns capangas e ateou fogo nas casas. Além disso, segundo os invasores, ele ainda levou ferramentas e agrediu algumas pessoas.
O prefeito do campus da Uema, João Azevedo, revelou que as terras em questão não são da universidade. "Todas as nossas áreas já estão muradas e delimitadas. Qualquer terra fora do muro foge de nossa alçada", explicou.
Sobre o fato de os sem-tetos terem entrado em contato com a universidade, o prefeito do campus manifestou surpresa. "Nós não fomos procurados. Tivemos apenas uma disputa com o Luiz Carlos Nunes Freire que, inclusive, já foi resolvida".
Conflito - Nos últimos dias os sem-tetos foram vítimas de ameaças e de, segundo eles, agressões por parte de Luiz Carlos. "Ele me espancou e disse que iria me matar", revelou o sem-teto Marcos evangelista Amorim.
Algumas pessoas da ocupação temem por suas vidas e estão preocupadas com o futuro. "Todos aqui estão apenas querendo uma oportunidade, não queremos entrar em conflito com ninguém", afirmou a sem-teto Ana Cristina Sousa. A reportagem do Jornal Pequeno não conseguiu localizar o senhor Luiz Carlos Nunes Freire para ouvir a sua versão. Porém, fica o espaço para que ele faça os esclarecimentos que achar necessário.