Sistema de Segurança do Maranhão: antes e depois de Raimundo CutrimJosé Raymundo De Sousa*
Natural do município de São João Batista, o delegado da Polícia Federal, Raimundo Soares Cutrim foi nomeado secretário de Segurança Pública do Maranhão no dia 3 de julho de 1997, pela então governadora Roseana Sarney, que lhe confiou importante e desafiadora missão: erradicar o câncer que havia se instalado no Sistema de Segurança e dotá-lo de condições necessárias para seu pleno funcionamento. Cutrim foi encarregado, também, de desenvolver políticas e projetos na área, com a finalidade de reduzir o índice de criminalidade no Estado.
À época, a violência havia atingido números alarmantes, considerados insuportáveis pela sociedade. Os crimes de encomenda, as queimas de arquivo e as desovas freqüentavam com assiduidade as manchetes diárias dos jornais, dos programas de rádio e dos noticiários da televisão.
Nove anos depois de aceitar o desafio e se dedicar com exclusividade à função que lhe foi confiada, o resultado foi considerado como altamente positivo pela população do Estado. O Dr. Raimundo Cutrim é conhecido, hoje, em todo o Maranhão e no Brasil, como o homem que extirpou o câncer do Sistema e conseguiu imprimir uma marca emblemática no seio da sociedade maranhense: “O antes e o depois de Cutrim, na Segurança Pública”.
Em janeiro deste ano, ao deixar a Secretaria de Segurança, aclamado pela sociedade e nos braços do povo, o Dr. Cutrim foi categórico: “hoje (janeiro/2006), o Maranhão detém os menores índices de violência e São Luís está entre as quatro melhores capitais menos violentas do país. Uma cidade com excelente qualidade de vida, de acordo com pesquisa publicada pela revista Istoé, em 2005”, enfatizou.
Combate ao crime organizado –Ao assumir a Pasta da Segurança, o Dr. Cutrim descobriu que através de ações pouco recomendáveis, alguns delegados e policiais haviam deixado de seguir as normas de conduta e de caráter inerentes ao cargo ou função e exigidas pela sociedade, para associar-se (acumpliciar-se) com os chefões do Crime Organizado, a quem juraram fidelidade, prestaram serviços e até emprestaram suas armas, em alguns casos. Este seleto grupo, hoje considerado a “banda podre da Polícia”, exercia um poder paralelo contra os que se insurgiam contra suas vontades. Exemplo marcante foi o assassinato do delegado Stênio Mendonça (25/maio/2005), em plena avenida Litorânea.
A morte do delegado Stênio Mendonça foi tramada nos subterrâneos do Crime Organizado, porém, com apoio logístico de companheiros da vítima que detinham cargos no Sistema. Toda a trama foi investigada, passo a passo, sob a coordenação e orientação do Dr. Cutrim. A elucidação, mediante provas técnicas e testemunhais irrefutáveis, foi seguida da punição, através da Justiça, que condenou deputados, delegados, policiais, pistoleiros de aluguel, empresários e até juízes, que foram obrigados a sentar no banco dos réus e prestar declarações à CPMI do Crime Organizado. Alguns figurões ainda estão cumprindo pena, tendo em vista que a maioria dos envolvidos foi caçada e presa pelo Dr. Cutrim.
*Jornalista e militar reformado
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