O Maranhão de Roseana não é o mesmo Maranhão, capítulo IIA memória e os fatos acusam: a candidata do PFL ao governo do Maranhão mentiu novamente em seu programa da noite de sexta-feira, quando abor-dou a questão do emprego. “Colocar o poder público a serviço do desenvolvimento, fortalecendo os pólos industriais, reduzindo impostos, atraindo novas empresas, investindo em treinamento de trabalhadores. Tenho certeza que o Maranhão vai voltar a trilhar o caminho do crescimento. Cada um fazendo a sua parte todos ganham e muitos empregos serão criados”, afirmou Roseana Sarney Murad na televisão. Ela esqueceu-se de dizer que seu governo extinguiu a Companhia de Desenvolvimento Industrial (CDI), abandonou os pólos industriais e criou uma prática política danosa, que ganhou as páginas de Veja, logo depois do estouro do escândalo Lunus, e espantou dezenas de empresas que pretendiam investir no Maranhão, como a Bung & Born, que acabou se instalando no Piauí.
Sob o título “A família de 125 milhões de reais ... e um genro”, a revista Veja publicou extensa matéria sobre Jorge Murad e o patrimônico acumulado pelos Sarney em quarenta anos de dominação política do Maranhão. Diz um trecho da matéria: “Um dos maiores empresários do Piauí, João Claudino, dono de um conglomerado de companhias, tentava montar um shopping em São Luís. Pretendia instalá-lo nas imediações do Tropical Shopping Center, com 170 lojas, uma sociedade entre membros da família Murad. Seria uma concorrência e tanto ter dois shoppings tão próximos um do outro, mas o negócio não avançava – até que começaram a surgir sussurros de que nunca avançaria, a menos que Murad tivesse uma participação no novo shopping. Nada foi confirmado, mas o negócio só deslanchou depois que João Claudino admitiu como sócio no empreendimento o empresário Miguel Ethel, de São Paulo, um velho amigo de Jorge Murad. O primeiro-genro possui o dom de sempre ter seus amigos instalados em lugares relevantes para os próprios negócios.” Outro exemplo. O edifício em São Luís onde ficam as sedes das empresas de Murad, inclusive a Lunus, que sofreu a devassa da PF, foi construído num terreno que hoje está no nome da construtora Pleno, cujo principal acionista, Severino Francisco Cabral, é amigo e sócio de Murad”.
“Um dos bons negócios que o governo do Maranhão proporcionou aos empreiteiros foi a construção da estrada que leva a um parque na região dos Lençóis Maranhenses, um dos paraísos do litoral do Estado. A rodovia, que encurtou em cinco horas o tempo de deslocamento da capital a essa parte do litoral, custou 37,5 milhões de reais ao governo estadual. A construtora escalada para o trabalho chama-se Sucesso – e seu dono vem a ser aquele mesmo empresário do Piauí, João Claudino, que tanta dificuldade teve para construir um shopping em São Luís. João Claudino, desde que fez a sociedade com o amigo de Murad, não tem do que reclamar. Sua empreiteira, nas duas gestões de Roseana, já conseguiu seis belos contratos com o governo do Estado”.
Continuou o programa de Roseana Sarney: “Todas as ações do meu governo, criaram muitos empregos. Cada obra construída, cada programa social implantado além de ajudar quem mais necessitava gerava mais postos de trabalho.”. Outra vez a realidade desmente a candidata. Além da extinção da CDI, o governo Roseana também acabou com a Secretaria da Agricultura, com a Emater e a Emapa, eliminando, assim, a extensão rural, a assistência técnica, o fomento e a pesquisa agropecuária. O resultado, além da falta de trabalho no campo, foi a fome e a maior taxa de migração de todo o país. Ao final da década de 90, que começou com o governo Edson Lobão, atual coordenador da campanha da candidata do PFL, e terminou com o de Roseana, 1 milhão de maranhenses deixaram suas casas para buscar a sobrevivência em outros lugares.
A produção agregada de arroz, feijão, mandioca e milho – que tinha batido a marca de 4.873.426 toneladas em 1980, desabou para 1.366.546 toneladas em 1996, segundo ano de governo de Roseana. Em 1998, coincidindo com o desmantelamento do aparato institucional voltado para a produção agrícola familiar, a produção do Estado daqueles quatro itens essenciais à dieta dos maranhenses alcançou o seu nível mais crítico: 1.356.174 toneladas. Este montante, dividido pela população daquele ano, proporcionou uma produção anual per capita de 260 quilogramas, ou 710 gramas por pessoa por dia.
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