Opinião
Hoje, levantei da cama com a alma pesada de tristeza e o espírito afogado pelas lágrimas da nostalgia, o que fazia todo meu se estremecer de saudades.
É engraçado como os acontecimentos do nosso dia-a-dia se refletem nos sonhos, e, às vezes somos atingidos e ficamos as mercê desses sentimentos que nos deixam abatidos.
Houve um tempo neste país de encantos mil, que se respirava civilidade e o lema, ‘Ordem e Progresso’ no nosso Lábaro Sagrado, era seguido à risca.
O amor por esta nação magnífica podia ser visto nas atitudes e comportamentos do povo. Se gostar de lembrar do tempo em que pedir a benção a uma pessoa mais velha (principalmente nossos pais, avós e tios); se gostar de lembrar do tempo em que ouvir conselhos de uma pessoa mais experiente sem questionar; se gostar de lembrar do tempo em q eu antes de entrar na sala de aula do Grupo Escolar Municipal, todos os alunos (meninos e meninas) vestidos de uniformes azul-marinho e branco, sapatos pretos e meias brancas, tinham que (perfilados com a mão direita no peito e a esquerda sobre ombro do aluno à frente) cantar o hino Nacional Brasileiro, enquanto o aluno mais disciplinado hasteava a Bandeira Brasileira (como era lindo de se ver!); se gostar de lembrar do tempo em que cada cidadão respeitava o direito do outro, pois, ainda era seguida a máxima que diz: “o meu direito começa quando o do meu próximo termina”; se gostar de lembrar do tempo em que, falar alto ou fumar em recinto fechado, cuspir para fora de veículo em movimento, urinar em praça pública era falta de educação; se gostar de lembrar do tempo em que se podia namorar, passear ou mesmo sentar para descansar em uma praça pública sem medo de violência;se gostar de lembrar do tempo em que não existia cabarés ou motéis por perto de escolas, colégios e faculdades(quem libera estes alvarás de funcionamento)? Se gostar de lembrar do tempo em que não existiam estes verdadeiros marginais que abrem a mala de seus carros e deixa o som ligado no volume mais alto possível, tocando lixos pornográficos, ferindo a sensibilidade e a audição de quem gosta da boa música, sem se importar se estão em frente de escolas, bibliotecas, e, principalmente hospitais e casas de saúde(onde estão as placas com a cruz e a palavra ‘SILENCIO’ indicando que ali existe estes estabelecimentos); se gostar de lembrar do tempo em que as mulheres andavam na rua com elegância se equilibrando em cima de um sapato de salto finíssimo, se sentava com decoro e falavam com educação, e mostrar os joelhos era sinônimo de vulgaridade(que dirá o corpo); se gostar de lembrar do tempo em que a família se reunia em torno de uma mesa, e antes de cada refeição se fazia uma oração de agradecimentos a Deus, e depois se comia a tradicional macarronada(isto aos domingos). Lembrar dos pic-niques promovidos pela escola, os passeios e excursões, dos bailes e festas de quinze anos(Ah! Como era lindo aquelas meninas e rapazes dançando ao som de uma valsa(geralmente ‘O Lago dos Cisnes)naquele salão todo iluminado, tendo ao centro a debutante a dançar com seu pai)!
Se lembrar disso tudo é ser: antiquado, cafona, nostálgico e, sobretudo retrógrado, eu o sou, pois me recuso a aceitar esses comportamentos e atitudes imorais desses tempos ’modernos’ onde, o errado é que o certo; o feio é que é belo o e onde ser mal-educado é que “faz parte”.
Por isso me levantei da cama com a alma pesada de tristeza e o espírito afogado nas lágrimas da nostalgia, por não entender como as coisas chegaram a este ponto.
Por não poder fazer nada para mudar esta situação, e por não enxergar uma luz no fim do túnel e, acordei assim, nostálgico e emocionalmente impotente. Mas aí me lembrei daquele passarinho que, diante de um incêndio na floresta resolveu com seu biquinho pegar água no córrego mais próximo e tentar assim apagar o incêndio, e, quando alguém lhe perguntou o que estava fazendo, ele respondeu: ‘A minha parte!’. Então resolvi usar a arma que tinha em mãos (a caneta) para tentar combater a saudade dos tempos em que nossa bandeira era respeitada (causou-me choque passar em frente a um colégio tradicional no centro da cidade e ver hasteada de cabeça para baixo (por assim dizer) o nosso Lábaro sagrado), o nosso hino Nacional era cantado nas escolas com amor e respeito pelos alunos, as pessoas se cumprimentavam nas ruas e os sorrisos eram mais espontâneos.
Será que algum dia alguém dirá novamente: BRASIL AME-O OU DEIXE-O! BRASILEIROS, NÃO VERÁS PAÍS COMO ESSE! Ou, ESTE É UM PAÍS QUE VAI PRÁ FRENTE!
“Que Deus o Senhor do Universo salve a nossa pátria!”
BARBOSA LIMA, romério.