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GeralPalestinos, os hóspedes inconvenientes do Líbano

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27 de agosto de 2006
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Opinião

Felinto Ribeiro*

Na República libanesa, pela constituição vigente, o primeiro ministro é muçulmano e o presidente é cristão. Os laços colonialistas e culturais entre o Líbano e a França provocaram a ocidentalização do povo libanês. A democracia libanesa é uma das mais evoluídas dos países árabes. A ocidentalização de sua cultura tem promovido a imigração libanesa para outros países. O governo da República libanesa obedece a um critério de reciclagem semelhante às democracias ocidentais. A evolução política e econômica da República libanesa a credencia a ser chamada a Suíça do oriente médio. As suas montanhas, a cultura da uva, do pêssego e da maçã se assemelham à cultura da agricultura suíça. Os governos árabes, em sua grande maioria, são governos unitários, com uma política estável, sem arejamento democrático. Os governos do Egito e da Síria só mudam de governante ou por morte natural ou por crime. Os partidos são unitários.

O presidente Nasser, do Egito, formou o Clube dos Oficiais Livres para destituir o governo do rei Faruk. O presidente Nasser teve dois objetivos importantes no seu governo: levou o Egito à comunidade dos paises não - aliados pelo marechal Tito da Iugoslávia e conquistou, em 54, a soberania egípcia, interrompendo 72 anos de colonialismo britânico. Apesar de suas grandes conquistas, a democracia do Egito não obteve avanço com a queda da monarquia do rei Faruk. Os oficiais livres, liderados por Gamal Abdel Nasser, não passaram de uma enganação. Nasser faleceu em 1970, legando ao seu povo uma ditadura mais cruel do que a herança deixada pelo irresponsável rei Faruk. A polícia de Nasser se assemelha à Gestapo de Hitler, à PID de Oliveira Salazar, e ao KGB de Stalin.

Em matéria de democracia, somente o Líbano ocupa uma exceção no mundo árabe. A Síria é um país de uma ditadura milenar. Os generais se sucedem por meio de golpes militares. O presidente Assad era ministro do presidente Ataffe e se instalou no governo por meio de um golpe de estado. Ao falecer deixou seu filho na presidência eleito por um congresso que se limita a dizer amém àquela estrutura política unitária.

A República síria guarda profundo ressentimento da República libanesa que foi desmembrada da Síria em 1834 pela divisão do mundo árabe, pelos ingleses e franceses. O governo libanês, após a guerra dos seis dias. 1967, foi compelido a receber os palestinos egressos do território palestino. A Jordânia foi outro país vitima destes hospedes inconvenientes. A capacidade política do rei Hussein se distingue entre os demais governos árabes. O rei Hussein organizou o seu exercito utilizando os beduínos que são fieis ao monarca. Os palestinos fizeram 12 tentativas para assassinar o rei. A Síria mantinha em território jordaniano cerca de 12 mil soldados e o Iraque, sete mil. Com a permanência dos exércitos sírio e iraquiano em território jordaniano, a autoridade do rei deixou de existir. Os palestinos abusavam. O rei vivia com uma mulher palestina e todos os projetos do monarca contra os palestinos a mulher do rei denunciava por ser de origem palestina.

Para se livrar de uma rainha inconveniente, o monarca sugeriu que a rainha fosse passar férias na Europa. Seguindo a bordo de um avião este veio a explodir em pleno ar. Há uma forte suspeita que foi um desastre criminoso promovido pelo monarca para se livrar da companhia nociva de sua mulher. O rei conseguiu uma mulher de origem inglesa, secretamente foi a Londres e conseguiu que o governo britânico divulgasse um enérgico pronunciamento de advertência à Síria e ao Iraque. Assim se manifestou o governo de sua majestade inglesa: “Não aceitarei que nenhum país estrangeiro interfira nos problemas internos da Jordânia e aqueles paises que mantiverem exercito em território jordaniano que procurem se retirar”. Com este pronunciamento a Síria e o Iraque retiraram suas forças e o rei Hussein nomeou o general Mojali, um beduíno fiel e promoveu o setembro negro que culminou com a eliminação de 5.000 palestinos em território jordaniano.

Após a tragédia palestina, considerada o setembro negro, o rei Hussein expulsou os palestinos restantes de seu território e a harmonia voltou a reinar naquele pequeno reino.

O Líbano tem o governo dividido: uma parte o primeiro ministro muçulmano e outra parte o presidente cristão. Nestas circunstâncias a República libanesa não pode pedir ajuda a outros governos objetivando a expulsão dos palestinos de seu território. Lamentavelmente o Líbano está servindo de abrigo ao terrorismo e o estado judeu vem recebendo ataques dos terroristas palestinos que partem do território libanês.

As bases terroristas dos palestinos no Líbano estão recebendo ataque permanente de Israel. Os palestinos se infiltram no seio da população libanesa e o estado judeu tem que bombardear o território libanês como revide dos ataques terroristas. Os governos d Síria e do Iran abastecem os terroristas acampados no Líbano e usam, com estratégia política, a acusação de que o estado judeu está bombardeando a população civil do Líbano. Os terroristas ficam infiltrados nas cidades libanesas e lançam foguetes nas cidades mais próximas da fronteira do Líbano com Israel. O governo judeu não deve aceitar o cessar-fogo porque os palestinos se recusam a entregar as armas. Aceitar o cessar-fogo nestas circunstâncias é um grave risco para a segurança e sobrevivência do estado de Israel. O Estado judeu já fez varias tentativas de paz com os palestinos, mas foram infrutíferas. Os governos ar4abes defendem os palestinos, mas não querem que os mesmos venham para o seu território. O Egito e a Síria apóiam o terrorismo, mas longe de suas fronteiras. Somente a republica do Líbano é forçada a tolerar os palestinos em seu território porque a Síria ameaça o governo libanês. Existe um forte laço entre a republica libanesa e o Brasil. São Paulo é um estado de grande imigração libanesa.

*Historiador

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