Ibope no Maranhão: problema nas amostragens, concluem especialistas A pesquisa publicada ontem na TV Mirante e hoje pelo jornal o Estado do Maranhão tem o mesmo objetivo: forçar o eleitor a crer em um cenário que cerca o nome de quem está em primeiro lugar. Roseana Sarney pagou pelo pacote de cinco pesquisas (como sócia do grupo Mirante) e certamente aparecerá na frente em todas pesquisas do Ibope que serão publicadas até a eleição. Mas o perigo não é a liderança de quem paga a pesquisa e sim a manipulação na composição da amostragem. Isso vem ocorrendo no Maranhão desde dezembro de 2005.
“Enquanto os grupos populacionais do Maranhão não estiverem representados na amostragem, o Ibope e o grupo Mirante estarão sob suspeita de falsidade” explicou um geógrafo conceituado, que pediu para não ter seu nome revelado.
Na verdade, quando o assunto é Ibope no Maranhão, pouco importa quem está na frente; o que interessa, segundo os especialistas consultados pelo JP, “é o corte por grupo etário, por sexo, raça, por escolaridade e faixa salarial”.
Como entender uma pesquisa? – Pelo IBGE/2004, por exemplo, o Maranhão tem 84% da população ganhando até dois salários mínimos (com 20% sem qualquer renda). Pelo Ibope, 44% desse grupo chega ao ensino médio e ao curso superior. Os dados salariais são do IBGE-PNAD/2004, que registra apenas 1% dos maranhenses com curso superior.
No caso do Ibope, a margem de erro mais provável para uma amostragem de 812 pessoas seria de 3,4 pontos para cima ou para baixo. Exemplo: quanto mais uma pesquisa se aproxima de cinco pontos, maior a chance de o resultado não representar absolutamente nada no espaço e no tempo.
Com margem de erro de cinco pontos, um candidato que tem 10 % de intenção de voto terá, pela margem, algo entre 5 a 15 pontos percentuais. Considerando-se que uma eleição majoritária pode ser decidida até por um voto, a margem de erro da coleta assume importância vital para a medição das tendências do candidato e do eleitor.
Segundo o IBGE-PNAD/2004, 84% da população maranhense ganha até dois salários mínimos: são pessoas que estão abaixo da linha de pobreza ( 20% delas sem qualquer renda). Nas pesquisas do Ibope publicadas até agora essa parcela da população vem sendo vem sendo contemplada na amostragem. Mas o corte por escolaridade é enganoso, gerando uma monstruosidade numérica: o ensino médio foi colocado na mesma coluna de planilha que o ensino superior.
Ao dizer que o Maranhão tem 44% de entrevistados com ensino médio e superior, o Ibope desrespeitou sua base oficial de dados – disponível pelo IBGE/2004 e pelo TSE.
Por tudo isso, a coligação Povo no Poder que apóia Edson Vidigal entrou com ação do Supremo Tribunal Federal contra a senadora Roseana Sarney Murad e seus irmãos co-proprietários do grupo Mirante. Os veículos da família Sarney publicaram, em julho, que a candidata liderava na intenção de votos em várias regiões do Estado. Acontece que esses dados não estavam registrados no TRE – o que gera suspeita de fraude eleitoral. Por carta, o Ibope admitiu o erro.
O advogado da coligação Povo no Poder (www.vidigal40. can.br) deve entrar com outras ações contra a o Ibope e o grupo Mirante por suspeita de fraude na escolha do grupo de pessoas pesquisadas (amostragens).
“Há problemas nessa amostragem do Ibope”, disse um especialista em pesquisas eleitorais que atua em todo Brasil.
Um dos dados que mais chocaram o especialista foi a discrepância entre faixa de renda (eleitores com até dois salários mínimos) e escolaridade (mais de 40% de pessoas com ensino médio e superior, segundo o Ibope). A população de maioria pobre (com até dois salários mínimos) é analfabeta clássica ou funcional: “dificilmente chegará ao ensino médio e ao curso superior”.
Há ainda a questão dos analfabetos do Estado do Maranhão: 26% desses eleitores não são contemplados na amostragem do instituto. A pesquisa de hoje não fornece essas informações básicas. Os dados só serão conhecidos nos próximos dias, quando o Ibope publicar as planilhas completas em seu site. (www.ibope. com.br ). Por algum motivo inexplicável, as pesquisas maranhenses não estão em manchete na home (primeira página do site) do instituto. Mas o acesso aos documentos é possível pela ferramenta de busca: basta digitar “maranhão” e clicar em pesquisar.
Outras pesquisas (mais sérias que as do Maranhão) estão publicadas no site. Os investigadores amadores podem comparar, por exemplo, dados dos eleitores universitários de São Paulo (15%) com os dados dos maranhenses (44% entre médio e superior). No Maranhão, de quase seis milhões de habitantes, apenas 12%¨da população concluem o ensino médio. “Isso comprova que o Ibope errou ao trabalhar com uma amostragem tão elevada para essa escolaridade em suas pesquisas,” explicou um pesquisador, que também pediu para não ter seu nome revelado.
“As pesquisas do Maranhão feitas pelo Ibope são sempre assim. É um absurdo”, reagiu um experiente publicitário nordestino.
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