O Maranhão que a candidata do PFL, Roseana Sarney Murad, apresenta em seu programa eleitoral é muito diferente do Maranhão que ela, efetivamente, deixou em 2002, ao se desincompatibilizar para assumir a candidatura frustrada a presidente da República. No programa da noite de quarta-feira, Roseana afirmou que “no meu governo, conseguimos melhorar (na área de saúde) todos os indicadores com planejamento, programas e ações que beneficiaram a população”. Os dados do IBGE contam outra história: no governo Roseana, o Maranhão liderava os piores indicadores da área de saúde de todo o país.
Nada menos que 961 mil moradias eram de palha, o maior número do Brasil. Outros recordes negativos, segundo o instituto: 2,6 milhões de maranhenses não tinham água filtrada para beber, 3,03 milhões não tinham água encanada, 2 milhões não possuíam esgoto ou fossa. Além disso, o Estado ostentava a menor escolaridade do país: a média, para a população acima de 25 anos, era de 3,6 anos de estudo, enquanto no Nordeste era 4,2 e no Brasil 5,7 anos. O analfabetismo atingia 28% da população, maior que o índice nordestino (26,6%) e o brasileiro (13,3%). A renda per capita também era a menor: R$ 1949,30/ano. Neste quadro da renda, em 2001, 71,70% dos maranhenses sobreviviam em domicílios cuja renda domiciliar total era de no máximo 2 salários mínimos. No campo, 83,54% de maranhenses sobreviviam em lares com renda que variava de zero a três salários mínimos no máximo.
Estes fatores – educação, saúde e renda – são decisivos para explicar outro índice recorde do Maranhão do final da década de 90: o pior IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do país, número que ficou tristemente familiar no Estado: 0,636. Este ranking revelou, ainda, outra faceta da tragédia: dos 100 municípios mais pobres do país, 83 eram maranhenses.
“As equipes de Saúde da Família passaram de 10 para mais de 350, a mortalidade infantil caiu mais de 33%”, gabou-se Roseana. Novamente, a realidade desafina o discurso. Ao final do governo Roseana, ou seja, sete anos e três meses depois da posse, o número de equipes do Programa Saúde da Família era de 391. Em quatro anos, o atual governo atingiu a marca de 1.427. Sobre a mortalidade infantil, o Maranhão, segundo o censo de 2000, possuía a segunda maior taxa, 49,01 por mil nascidos vivos.
“Vamos recuperar os hospitais existentes e construir novos”, continuou Roseana. A incoerência é que em quase oito anos de governo, a ex-governadora não construiu um único hospital. “As crianças com 0 a 3 anos receberam cuidados especiais” é outra afirmação da candidata que não se sustenta. O SUS (Sistema Único de Saúde) registrou, em 2000, 347 óbitos de recém-nascidos por diarréia no Maranhão. No Piauí foram 53. As mortes entre menores de um ano por diarréia sacrificaram 829 crianças maranhenses naquele ano. No Piauí, foram 144. Diarréia é o diagnóstico mais evidente de subnutrição e miséria.
Além disso, o Maranhão registrava os piores índices do país de cobertura vacinal no primeiro ano de vida: 77,4% em relação à poliomielite (100% no Brasil), 61,5% em relação à hepatite B (94% no Brasil) e 70,3% quando se tratava de difteria, coqueluche e tétano (98% no Brasil).
Por fim, o locutor contribuiu com outro dado insustentável: “O governo Roseana deu prioridade às ações direcionadas à mulher e às crianças”. Não bastassem os números acima, a falta de acesso à educação e, portanto, de perspectivas de vida melhor durante quase oito anos de governo Roseana sacrificaram uma geração inteira de jovens maranhenses. Segundo o Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil, de 2000, o aumento dos casos de gravidez em adolescentes de 15 a 17 anos foi de 12,4% no Maranhão. No Piauí, o crescimento foi de 8,5% e, no país, de 8,4% em media.
(Reproduzido a pedidos)