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Edemar deixa a prisão, onde fez cursos religiosos e leu Shakespeare

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Data de Publicação: 25 de agosto de 2006
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Edemar Cid Ferreira, ex-controlador do Banco Santos, deixou anteontem a cela de 10 metros quadrados que ocupava na penitenciária 2 de Tremembé, a 132 km de São Paulo. Foi recebido pela família por volta das 16h30, em sua casa de 8.000 metros quadrados, no Morumbi (zona sul de SP).

Na terça-feira, a 2ª Turma do STF concedeu liminar para que ele fique em liberdade ao menos até o julgamento final do habeas corpus solicitado ao mesmo tribunal. Segundo seus advogados, Edemar deverá permanecer em São Paulo aguardando o julgamento.

Nos 89 dias em que permaneceu na prisão, o ex-banqueiro se dedicou à vida espiritual. Freqüentou cursos ministrados no presídio por igrejas evangélicas, pela Igreja Católica e outros sobre espiritismo. Mas Edemar não se filiou a nenhum credo.

“Desde que deixou o colégio Marista, em Santos, na adolescência, ele estava afastado da religião”, conta um dos seus advogados, Ricardo Tepedino, do escritório Sérgio Bermudes. Tepedino, que acabou se tornando amigo do ex-banqueiro, foi buscá-lo ontem na prisão, em seu carro, uma Blazer preta, acompanhado de outros dois advogados.

A rotina de Edemar no cárcere, de acordo com o advogado, era preenchida por leituras e o trabalho na lavanderia do presídio. Com tempo de sobra, o ex-banqueiro debruçou-se sobre a obra de William Shakespeare - leu tudo mais de uma vez, segundo Tepedino - e livros de filosofia.

O escritor franco-argelino Albert Camus (1913-1960) fez parte de sua biblioteca filosófica em Tremembé 2. Autor de “O Estrangeiro” (1942), Camus escreveu, entre outras obras, “O Homem Revoltado” (1951), em que distingue os crimes de paixão dos crimes de lógica.

O processo – Edemar responde a processo na 6ª Vara Federal de São Paulo sob acusação de formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e gestão fraudulenta. Ele nega. O Banco Santos teve sua falência decretada pelo Banco Central em setembro do ano passado e deixou um rombo de R$ 2,9 bilhões.

O processo corre na 2ª Vara de Falências de São Paulo em câmera lenta, segundo os credores. Só na última terça, o comitê de credores obteve do administrador da massa falida, Vânio Aguiar, nomeado pelo BC, a relação dos devedores do banco, com o valor dos débitos e das “reciprocidades” (aplicações feitas no Santos em troca de empréstimos).

No total, o banco emprestou R$ 1,7 bilhão a clientes que não honraram os débitos. “Ainda estamos analisando o quadro dos créditos a que o banco tem direito, para saber como recuperá-los para a massa falida”, diz o advogado Luiz Eugênio Müller Filho, do escritório Lobo & Ibeas, que representa 106 credores do Santos. “Passado quase um ano da falência, nada foi feito para recuperar os ativos do banco e pagar aos credores”, afirma Müller.

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