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PF não revela nomes de empresas envolvidas com 'hackers' presos

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Data de Publicação: 25 de agosto de 2006
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POR OSWALDO VIVIANI

'TUBARÕES GALÁTICOS' AINDA LIVRES

Pelo menos quinze ‘alimentavam’ o esquema que desviou mais de R$ 80 mil de contas ‘on-line’ desde 2004

O delegado Pedro Roberto Meireles Lopes, da Polícia Federal, reafirmou ontem ao Jornal Pequeno que, por enquanto, os nomes das 15 empresas envolvidas com a “máfia dos hackers” de Imperatriz não serão divulgados. Segundo o delegado, a divulgação, nesse momento, atrapalharia as investigações sobre a quadrilha de “piratas” que invadia contas correntes de bancos “on-line” na internet e desviava grandes quantias de dinheiro.

Nenhum empresário ligado ao esquema fraudulento foi preso até agora. O superintendente da Polícia Federal no Maranhão, Gustavo Ferraz Gominho, garantiu ao JP, na quarta-feira, que os empresários que comprovadamente participaram do esquema seriam presos e todos teriam seus nomes divulgados.

R$ 80 milhões – Fontes da PF ouvidas pelo JP calculam que mais de R$ 80 milhões foram transferidos pelos “invasores” para contas de “laranjas”, desde 2004, quando a quadrilha começou a agir em Imperatriz. “Laranjas” são as pessoas que, em troca de pequenas gratificações em dinheiro, “emprestam” suas contas para serem usadas nas transferências de valores.

O delegado Pedro Lopes, que comanda a “Operação Galáticos”, informou que o número de prisões, realizadas da manhã de quarta-feira até ontem à tarde, era de 54 pessoas, e não de 67, como foi divulgado por alguns veículos de comunicação. Assim, restam 16 mandados de prisão para serem cumpridos – o total de mandados é 70 (45 de prisão temporária e 25 de preventiva). Os presos prestam depoimento na PF de Imperatriz e depois são levados a um presídio de Augustinópolis, no estado vizinho do Tocantins.

Ontem, a PF confirmou que dois dos “galáticos” presos já haviam aplicado golpes pela internet na cidade paraense de Parauapebas, conhecida como “paraíso dos hackers”. Gustavo de Souza e Mário Sérgio da Cunha foram presos em São Luís e transferidos para Imperatriz. Todos os mandados de busca já foram cumpridos. Documentos, computadores, carros, motos e até um “jet-sky” foram apreendidos pela Polícia Federal nas casas dos acusados.

Maior do país – A “Operação Galáticos” é a maior ação realizada no país contra os criminosos da internet (“hackers”). Iniciada na quarta-feira pela manhã, teve, em seu primeiro dia, a participação de cerca de 400 policiais de nove estados e até soldados do Exército e três aviões Hércules da Força Aérea Brasileira (FAB). Dos mais de 50 presos até agora, a maior parte é formada por “laranjas”.

O banco preferido pelos “hackers” para desviar dinheiro era a Caixa Econômica Federal (CEF). A “invasão” da conta era possibilitada com a implantação no computador do correntista de um “spyware” (vírus “espião”), por meio de um “spam” (mensagem não solicitada que chega pelo “e-mail”) ou do “site” de relacionamento Orkut.

Com o “espião” ativado, assim que o correntista abre seu banco “on-line”, todos os seus dados pessoais (inclusive sua senha) são copiados e chegam até o remetente do “e-mail” (o “hacker”). Com os dados em mãos, o “hacker” transfere o dinheiro do correntista “invadido” para a conta dos “laranjas”, previamente recrutados.

‘Carrões’ importados – A ação da PF foi denominada “Operação Galáticos” porque os próprios “hackers” assim se autodenominavam. Segundo o delegado Pedro Lopes, os “galáticos” julgavam-se “estrelas” intocáveis (como os “galáticos” do time de futebol do Real Madri) e faziam questão de ostentar os bens adquiridos ilegalmente – principalmente carros importados.

Esse era o “perfil” dos estudantes Arley Barbosa Gonzaga, de 28 anos, e Thaíse Araújo Ribeiro, 21, jovens de classe média alta apontados como dois dos principais líderes dos “hackers” imperatrizenses.

Arley, o “Palito” (morador da rua Dom Vital, 241, Vila Lobão), além de já ter sido denunciado por transferências ilegais de dinheiro pela internet, também está envolvido com o tráfico de drogas, segundo a PF. Seus parceiros de crime foram identificados pelos prenomes Lívio, Juan, Joel, Davi, Elder e Elton.

Thaíse Ribeiro, moradora da rua Simplício Moreira, 1793 (centro de Imperatriz), dividia com o namorado Jean Cláudio, segundo a PF, a liderança de uma das “células” de “hackers” desbaratadas na “Operação Galáticos”. A “célula” funcionaria na própria residência da acusada, onde, segundo denúncias anônimas, “era grande a movimentação de jovens conduzindo carros de luxo”. A própria Thaíse, uma estudante sem trabalho formal, possuía quatro “carrões”, segundo a Polícia Federal.

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