O BARRACO ARTISTICO
Rio - Aniversário do brigadeiro Eduardo Gomes, depois do golpe de 64. No apartamento do Flamengo, os velhos amigos e o estado maior da antiga UDN reunidos para homenagear o chefe e o líder. Juarez Távora, Cordeiro de Farias, Juracy Magalhães, Prado Kelly, Carlos Lacerda, Aliomar Baleeiro, etc.
Toca a campainha, entra Dom Paulo Evaristo Arns, cardeal de São Paulo. Dona Eliane, irmã do brigadeiro, abre a porta:
- Cardeal, estão todos aqui à sua espera.
- Pois é. Os revolucionários à minha espera. São homens perigosos.
Juracy levantou-se:
- Perdão, senhor cardeal. Mas não é assim. Ou não é mais assim. Já fomos muito perigosos. Hoje estamos todos puxando um pesado carro de boi.
A "MERDA" MELÓDICA
Quatro anos e o PT só quer puxar carro forte. O jantar de Gilberto Gil e 80 "artistas" com Lula, no Rio, acabou em barraco, como final de baile funk. Chutaram o balde da ética. No "Globo", Paula Autran contou o segundo ato:
1. - "Ao deixar a casa do ministro, o compositor Wagner Tiso disse:
- "Eu não estou preocupado com isso (a ética do PT). Estou preocupado com o jogo do poder. Não estou preocupado com ética do PT ou com qualquer tipo de ética. Para mim, isso não interessa. Eu acho que o PT fez um jogo que tem que fazer para governar o pais. Entendeu? Eu me sinto eufórico com os resultados do governo Lula. Estou indignado é com os indignados"!
Para o diretor Augusto Boal, "nunca houve um governo tão atento à ética". Outro petista de carteirinha, tucano reconvertido, o ator Paulo Betti:
- "Política não existe sem mãos sujas. Não dá para fazer política sem botar a mão na merda".
CPI DOS VAMPIROS
2. - "O cantor Fagner, que não esteve no encontro e vota em Heloisa Helena, disse que Tiso está usando o talento para defender o indefensável:
- "Dizer-se de esquerda ou de direita hoje não existe, até porque o Lula está fazendo um governo de direita. Não sou filiado ao PSDB há quatro anos e nunca recebi do partido um tostão. Também nunca fui patrocinado por estatal, como Tiso, que só tem projetos ligados à Petrobrás e ao Banco do Brasil. Ele é um alienado político. Será que, com isso, o cachê dele vai aumentar como o do ministro Gilberto Gil aumentou"?
Por que só há CPI do Executivo (Correios), do Legislativo (Sanguessugas) e do Judiciário (Tribunal do Trabalho de São Paulo)? Um dia vai haver a CPI dos Vampiros Artísticos. Governo e estatais gastam milhões e milhões patrocinando espertalhões, alguns com talento, outros sem nenhum, sem licitações, sem concorrência, sem fiscalização, sem Tribunais de Contas, sem nada. Tudo na base do compadrio, do jabaculê, do rachuncho, da corrupção.
E as compras de livros, milhões de exemplares, milhões e milhões de reais, pelos ministérios da Educação e da Cultura? É outro pântano misterioso. Ninguém sabe os critérios, as justificativas. O dinheiro escoa como vala negra.
E de repente os geniais "escritores" e "intelectuais" começam a calar ou, pior, a falar e escrever exatamente o contrario do que falavam e escreviam antes.
MERCADANTE
Reli o depoimento de Duda Mendonça na CPI dos Correios. E o senador Aluisio Mercadante, candidato do PT a governador de São Paulo, tem razão. Duda Mendonça não disse, como jornais publicaram na época e comentei aqui, que a campanha dele custou muito cara ao "caixa-mil" de Delúbio Soares.
Resposta de Duda ao relator Osmar Serraglio:
- "Na campanha do senador Mercadante, ele foi profundamente beneficiado na campanha de São Paulo, porque eu tinha toda uma estrutura montada e podia fazer a campanha dele de graça. Não tinha essas despesas. E, na nossa campanha, ele tinha, se não me engano, dois minutos de televisão. Eu tinha equipe montada e estúdio. Era chegar lá, gravar aquele troço e botar. Custo zero, praticamente. Então, ele teve uma campanha muito baixa".
Resposta de Duda à senadora Heloisa Helena:
- "A campanha do presidente Lula foi totalmente paga com dinheiro oficial, assim como a do senador Aloísio Mercadante. A do senador foi barata, muito barata. Ela entrou num pacote onde eu tinha toda a estrutura pronta".
MERCADANTE (2)
Resposta de Duda ao senador Pedro Simon:
- "Hora nenhuma eu admiti que o pagamento por fora saiu da campanha do presidente Lula, assim como posso garantir que não saiu da campanha do Mercadante. E hora nenhuma o Mercadante sabia disso ou falou em dinheiro. Até porque a campanha do Mercadante foi tão baratinha. Se eu fizesse uma campanha de senador somente dele, certamente não teria esse custo. Mas ele ficou com uma campanha de senador e uma campanha de presidente. Toda a estrutura montada. Poderia perfeitamente fazer de graça, porque, na verdade, me custou uma pessoa para atender a ele. O resto, a estrutura tinha tudo".
Resposta de Pedro Simon a Duda Mendonça:
- "Foi o que V. S. fez na campanha para governador do Antonio Brito (no Rio Grande do Sul). V. S. fez a campanha de Antonio Brito e eu era candidato ao Senado. Entrei de graça. Sem pagar nada. Na carona".
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