
A candidata pefelista ao governo do Maranhão Roseana Sarney será acusada, hoje, de compra de voto pelo seu adversário Aderson Lago, do PSDB, através de uma ação de investigação a ser apresentada à Justiça Eleitoral, em face do que ela anunciou semana passada em entrevista ao telejornal Primeira Edição, da TV Mirante: se for eleita, vai ajudar moradores de Rosário, a 60 km da capital, a pagar dívidas que contraíram com o Banco do Nordeste, por causa de uma fracassado pólo de confecção que ela própria tentou implantar quando governadora em 1996.

O advogado do PSDB, Rodrigo Lago, disse que habitualmente “a coisa mais difícil é provar que um candidato ou alguém a serviço dele, utilizando-se de recursos materiais ou em espécie, tenha subvencionado eleitores em troca do voto, mas neste caso foi a própria Roseana Sarney quem confessou publicamente, através de uma rede de emissoras de tv que cobre quase todo o Estado”. No entender de Rodrigo, não importa se, a essa altura, eleitores de Rosário receberam ou não ajuda financeira de Roseana Sarney, “pois para a lei basta a promessa de um benefício ao eleitor, no caso dela, a ajuda na quitação da dívida”.
A declaração que Roseana Sarney fez na segunda-feira da semana passada, ao abrir uma série de cinco entrevistas com candidatos ao governo na TV Mirante, foi em resposta a uma pergunta sobre críticas da oposição ao seu primeiro governo, em especial ao pólo de confecção de Rosário, inaugurado pelo então presidente Fernando Henrique com a promessa de gerar 4.500 mil empregos. Em sua representação, o advogado reproduz literalmente a declaração da candidata: “E se eleita for governadora do Maranhão, eu vou fazer com que essa fábrica volte a funcionar e vou ajudar também os nossos cooperados a pagar as contas que eles têm com o banco”.
O projeto é considerado por Aderson uma “herança maldita” deixada por Roseana Sarney, porque 3.600 moradores da pequena cidade que criaram 90 cooperativas de trabalhadores, segundo ele, “foram levados a contrair empréstimos no Banco do Nordeste para financiar parte do empreendimento”. No entanto, de acordo com o candidato tucano, “o projeto acabou virando um caso de estelionato, que causou enormes prejuizos aos antigos cooperados”.
O gerente do projeto, o chinês naturalizado brasileiro Chai Kwo Cheng, indicado ao cargo pelo marido de Roseana Sarney, Jorge Murad, na época um super-secretário do governo dela, fugiu com o empréstimo feito pelas cooperativas – mais de R$ 3 milhões – depois de convencer os ingênuos moradores a assinar talões de cheques em branco. Atualmente, a dívida com o Banco do Nordeste, em nome dos ex-cooperados, é superior a R$ 20 milhões. A costureira Maria da Graça Santos, por exemplo, é cobrada em R$ 623.331,15 mil, mas alguns amigos seus já receberam avisos do banco com valores nunca inferiores a R$ 300 mil. “Tenho medo de perder minha casa e minha máquina de costura por causa desse pesadelo que eu vivo há vários anos. Não durmo direito, fico agoniada o dia inteiro, porque não sei como vou pagar isto. O que ganho mal dá para comer”, afirmou Maria da Graça.