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SEBASTIÃO NERY

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Data de Publicação: 24 de agosto de 2006
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TRÊS FESTAS DE "QUADRILHA"

Rio - Em 7 de novembro de 37, no palácio das Princesas, Carlos de Lima Cavalcanti, governador de Pernambuco, já sabia da conspiração no Rio de Janeiro. Negrão de Lima, ministro da Justiça de Vargas, tinha passado por lá e avisado que o Exército ia dar o golpe para manter Getúlio no poder.

Como sempre, os amigos de Lima Cavalcanti começaram a fugir. E o governador preparava-se para resistir. Debaixo das almofadas, dos sofás, dentro dos jarros, nos quartos dos fundos, armas escondidas por todo canto.

O Comando Militar do Recife já tinha tirado a rádio do palácio do ar e retirado a guarda. Na solidão do palácio, Lima Cavalcanti conversava com o filho Carlos Gilberto e com o sobrinho Caio de Sousa Leão. De repente, chegou um telegrama de Juracy Magalhães, governador da Bahia:

- Tenha calma. Marcharei para Pernambuco com dois mil homens.

CARLOS CAVALCANTI

A comemoração do telegrama durou a noite inteira. Champanhe estourando nas taças e velhas quadrilhas francesas dançadas nas varandas. No teatro Santa Isabel, Rosalina Coelho e Heckel Tavares davam concerto. Foram todos para o teatro. De madrugada, voltaram, governador, família e artistas.

No sofá grande do salão principal, deitado, desnudado, de porre, 16 anos, Caio de Souza Leão. Não resistira à emoção alcoólica do Estado ameaçado. O governador, cara fechada, mandou-o dormir.

Juracy não marchou. Dia 10, as tropas do Exército cercavam o palácio. Como fizeram com Arraes, vinte e sete anos depois, em 64.

A "QUADRI-LULA"

Na casa senhorial do ministro Gilberto Gil, em São Conrado, aqui no Rio, o presidente Lula, cercado de artistas e caçadores de verbas, comandou uma outra festa de quadrilha. Não a inocente quadrilha junina de Pernambuco e do Nordeste, mas a "quadrilha" definida e denunciada pelo procurador-geral da República, a "organização criminosa" chefiada por José Dirceu e o governo de Lula e do PT. Márcia Vieira e Paula Autran contaram no "Globo":

- "Uma platéia de cerca de 80 artistas, socialites e intelectuais lotou a sala da casa do ministro Gilberto Gil. Lula foi ovacionado ao chegar. Tomou uma dose de uísque e, animado e contando piadas, de pé sobre um banquinho, defendeu seu governo e se comparou a Fidel Castro, no poder desde 1959:

- "Fidel escreveu que a história um dia o absolverá. Eu não vou precisar esperar pela história. O povo vai me absolver (sic) agora".

É-QUADRILHA

"O ator José de Abreu levantou um brinde constrangedor:

- "Estou aqui como Zé. Quero fazer uma homenagem ao Zé Dirceu, ao Zé Genoíno e ao Zé Mentor!", disse referindo-se ao ex-ministro José Dirceu, ao ex-presidente do PT José Genoíno e ao deputado José Mentor. (Só faltou o Marcola. Os três mensaleiros foram denunciados pelo procurador-geral como membros da "quadrilha" do governo, da "organização criminosa" do PT).

Lula e a maioria dos presentes aplaudiram. Abreu foi conferir depois:

- "Fui inconveniente, presidente"? "De jeito nenhum", respondeu Lula.

"Lula negou que tivesse escondido o deputado João Paulo Cunha no comício de Osasco. Indagaram se subiria ao palanque com Dirceu e Genoíno":

- "Lógico que sim. Não tenho problema de subir no palanque com eles".

ZÉ GENOÍNO

Em São Paulo, em outra festa da "quadrilha", José Genoíno, mensaleiro, lançava o livro de memórias, "Entre o Sonho e o Poder" (Editora Geração, SP), pungente depoimento a Denise Paraná, que fez "Lula, o Filho do Brasil".

Dois terços do livro é a historia forte, dramática, do menino pobre do interior do Ceará que vai estudar em Fortaleza, entra na política estudantil, mete-se na guerrilha do Araguaia, é preso, sofre bárbaras torturas, passa cinco anos na cadeia,é solto em 77 e em 82 se elege deputado federal por São Paulo.

Uma bela biografia. Mas a parte final do livro é brutal agressão ao leitor e à própria história dele. Eleito Lula, feito presidente do PT, passa ele a ser um pau mandado de José Dirceu, um fantoche do governo. Ele mesmo confessa. Joga no lixo todas as posições e convicções de quando era da "minoria" no PT e passa a defender o que pensa e manda a "maioria" oficial.

CURIÓ

O PT fez do lançamento do livro mais uma festa da "quadrilha", a "organização criminosa" denunciada pela PGR e a CPI. Os "mensaleiros" e "quadrilheiros" estavam lá, arrogantes e arrotantes. No livro, Genoíno nega o óbvio, como se nada dos escândalos apurados pelas CPIs tivesse acontecido:

- "Roberto Jefferson fez a falsa (sic) denúncia do suposto (sic) Mensalão. Até agora não encontraram nenhuma prova documental de depósitos que prove. Não encontraram qualquer testemunha que concorde com a denúncia".

É muita cara de pau. E cria o maior constrangimento mental para todos nós, como eu, que, na Câmara, em 83, nos expusemos para defender Genoíno (que não se defendia) do capitão Curió, também deputado, que o acusava de ter entregue à Guerrilha do Araguaia e seus companheiros e, por isso, o João Amazonas jamais o perdoou. Se Genoíno é tão cara de óleo de peroba para negar o provado e comprovado Mensalão, Curió não teria dito a verdade?

www.sebastiaonery.com.br

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