POR AURELIO CARVALHO
Após cinco meses em falta no estoque, o medicamento Glizec, usado no tratamento da leucemia (principalmente na leucemia mielóide crônica - um dos tipos mais graves), voltou a ser fornecido pela Secretaria de Saúde do Estado, desde quarta-feira da semana passada. Para conseguir o remédio, os interessados devem entrar com um pedido junto à Secretaria de Saúde, que encaminhará ao Departamento de Assistência Farmacêutica do órgão.
Segundo a assessoria de comunicação da Secretaria de Saúde, o medicamento está sendo entregue na Unidade de Oncologia do Hospital Tarquínio Lopes Filho (Hospital Geral), na Madre de Deus, e até a data de ontem, 36 pacientes teriam sido atendidos. "Sabemos que ainda há uma certa burocracia no que diz respeito à distribuição do Glizec. Isso acontece porque o Ministério da Saúde possui uma lista de medicamentos que são fornecidos com facilidade aos pacientes, mas o Glizec não está nesta lista. É por isso que o paciente precisa dar entrada no pedido antes de se dirigir ao Hospital para receber o remédio. Mas a unidade de oncologia já está trabalhando para que essa burocracia acabe e que,com isso, o paciente tenha mais facilidade de acesso ao remédio", informou a assessoria.
Quanto à falta do Glizec por cinco meses, a assessoria explicou que a Secretaria de Saúde havia entrado com um processo de compra do medicamento. Mas o fornecimento dependia de licitação e o fornecedor não teria apresentado os documentos necessários para que a licitação fosse concluída.
Por causa da falta do medicamento, houve especulações de que uma pessoa, conhecida como José Irailton, de 29 anos, portador de leucemia, teria falecido, e que outros pacientes, principalmente portadores da leucemia mielóide crônica, corriam risco de morte.
A assessoria de comunicação da Secretaria de Saúde do Estado disse ao Jornal Pequeno que não tem conhecimento de nenhum desses casos, e acredita que as informações tenham sido apenas especulações de outros pacientes, inconformados com a falta do Glizec.
SOBRE A DOENÇA
O que é:
a) A leucemia mielóide crónica (mielocítica, mielogénea, granulocítica) é uma doença na qual uma célula que se encontra na medula óssea se transforma em cancerosa e produz um número elevado de granulócitos anormais (um tipo de glóbulos brancos).
b) Esta doença afeta pessoas de qualquer idade e sexo, mas é rara em crianças menores de 10 anos.
c) A maioria dos granulócitos leucémicos tem origem na medula óssea, mas alguns são produzidos no baço e no fígado.
d) Por vezes os granulócitos leucémicos sofrem ainda mais mudanças e a doença deriva para uma crise blástica. Nessa crise, as células-mãe cancerosas começam a produzir apenas granulócitos imaturos, sinal de que a doença se agudizou. Nesse momento, os cloromas (tumores compostos por granulócitos de reprodução rápida) podem aparecer na pele, nos ossos, no cérebro e nos gânglios linfáticos.
Sintomas
Nas fases iniciais, a leucemia mielóide crónica é por vezes assintomática. Contudo, algumas pessoas ficam fatigadas e enfraquecidas, perdem o apetite, perdem peso, sofrem de febre ou suores nocturnos e também têm uma sensação de estar cheias (habitualmente causada pelo aumento de volume do baço). Os gânglios linfáticos podem hipertrofiar-se. Com o tempo, as pessoas que têm este tipo de leucemias adoecem facilmente porque a quantidade de glóbulos vermelhos e plaquetas diminui consideravelmente, ocasionando palidez, hematomas e hemorragias. A febre, o aumento de volume dos gânglios linfáticos e a formação de nódulos cutâneos com granulócitos leucémicos (cloromas) constituem sinais alarmantes.
Diagnóstico
O diagnóstico da leucemia mielóide crónica estabelece-se frequentemente por meio de uma análise de sangue simples. A análise pode revelar uma quantidade anormalmente elevada de glóbulos brancos, que oscila entre 50 000 e 1 000 000 por microlitro (a quantidade normal é menos de 11 000).
Tratamento e prognóstico
Embora a maioria dos tratamentos não cure a doença em si, atrasa a sua progressão. Aproximadamente de 20 % a 30 % dos doentes com leucemia mielóide crónica morrem nos dois anos posteriores ao diagnóstico e aproximadamente 25 % morrem anualmente depois desse prazo.
A única possibilidade de recuperação total é o transplante de medula óssea.