O número de deputados acusados de envolvimento com o escândalo do mensalão que devem renunciar aos mandatos deve cair para três ou quatro. A avaliação é do presidente do Conselho de Ética da Câmara, deputado Ricardo Izar (PTB-SP), que recebeu informação de que vários deputados mudaram de idéia no final de semana, pressionados pelos que vão enfrentar o processo.
Na semana passada, a avaliação era de que haveria uma renúncia em massa dos deputados sanguessugas. "Pelo ambiente, acho que o número de renúncias deve diminuir. Pode ser pressão de um deputado sobre o outro", afirmou Izar.
Na avaliação de muitos deputados, o Conselho não deve dar conta de abrir todos os processos neste ano. Para os que não são candidatos em outubro, seria negativo renunciar agora.
A direção da Câmara deu prazo até a meia-noite de ontem, 21, para que os deputados renunciassem aos seus mandatos para evitar um processo no Conselho de Ética. Houve plantão na Casa. Na ante-sala da secretaria-geral da Mesa foram colocados vários sofás para abrigar os jornalistas e assessores que acompanharam os pedidos de renúncia.
O presidente do colegiado instaura os processos hoje, às 11h. Depois disso, a renúncia não tem mais efeito de paralisar as investigações. Os deputados que forem cassados perdem o mandato e os direitos políticos por oito anos.
Até agora, apenas Coriolano Sales (PFL-BA) renunciou o mandato. Ele é um dos 69 deputados acusados pela CPI dos Sanguessugas de ter recebido dinheiro em troca de apresentar emendas ao Orçamento para a compra de ambulâncias.