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Data de Publicação: 22 de agosto de 2006
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Aldir Dantas

alddantas@yahoo.com.br

COMPRA DE VOTOS EM COMUNIDADES

As considerações feitas à semana passada aqui na coluna sobre padres e leigos que se aproveitam de comunidades cristãs para garantir interesses pessoais na política partidária mereceu o apoio de inúmeros segmentos socais e de pessoas que condenam esses tipos de práticas, muitas das quais abomináveis. No momento em que a corrupção grassa em todo o país, as desigualdades sociais são mais fortes, a fome e a miséria se acentuam e a exclusão social concorre para mais violência, assistimos estarrecidos, dinheiro não sei se, de procedência lícita, sendo distribuído em formas de cartazes, folders, festas, churrascos e outros agraciamentos para homens, mulheres e jovens, como meio de aliciamento e compra de votos. Seria muito oportuno se o Ministério Público Eleitoral e a Igreja Católica fiscalizasse esse tipo de compra de voto.

ORIENTAÇÕES DA CNBB

No inicio do mês de abril, o Conselho Episcopal Pastoral e o Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, divulgou um documento intitulado: ELEIÇÕES 2006 – Orientações da CNBB. Ele inicia relatando: “Os bispos, movidos pelo desejo de servir ao povo, dirigem-se aos eleitores / as participantes de comunidades cristãs e todas as pessoa de boa vontade, incentivando a sua efetiva participação na escolha de seus representantes e apresentando alguns critérios de discernimento para o processo eleitoral”. Registra ainda: “Diante dos desafios do contexto atual, de desigualdade social típica do sistema capitalista neoliberal, a implantação da globalização financeira, a absolutização do poder do capital sem a presença do controle social, após tantos escândalos de corrupção e malversação de dinheiro público frente à decepção de muita gente e da perda de confiança nos políticos e nas instituições democráticas, os bispos ainda constatam alguns sinais de resistência e esperança”.

VOTO NÃO TEM PREÇO

O Cardeal Geraldo Majella Agnelo, presidente nacional da CNBB afirma no documento: “A respeito dos critérios para a escolha dos candidatos, é preciso formar uma nova consciência política, iluminada pelo lema inicial da Lei 9840, contra a corrupção eleitoral voto não tem preço, tem conseqüências. O exercício da cidadania, comporta o controle social sobre o exercício do poder, em função do bem comum. Sem esta atitude por parte dos cidadãos, muitos políticos podem sentir-se confortavelmente instalados na promoção de seus interesses particulares”. Dom Geraldo Agnelo naquela oportunidade concitou todos os bispos do Brasil, que estavam presentes à solenidade a organizarem comitês em suas dioceses para combater a corrupção eleitoral. Apelo estendido a todos os segmentos da Igreja Católica e às entidades da sociedade civil organizada e ao Ministério Público.

ESQUECERAM A LEI 9840

As últimas campanhas políticas no Maranhão foram marcadas pela participação efetiva de vários segmentos socais, tendo à frente a Igreja Católica para o combate a corrupção eleitoral, através da Lei 9840, de iniciativa popular para combater a corrupção eleitoral. Infelizmente, apesar de já estarmos próximo das eleições, o movimento ainda não se manifestou publicamente, o que tem facilitado principalmente a ação de elementos, que se dizem católicos para fazerem vergonhosamente a compra de votos, apesar de alguns religiosos registrarem que não se trata de compra e venda, mas de troca de favores. O comunitário recebe o favor do político com bens materiais e agradece com o voto, o que na realidade é uma relação promiscuo e que deve ser combatida. O Movimento da CNBB Nacional, infelizmente não fermentou no Povo de Deus do Maranhão, por razões que deveriam ser esclarecidas por quem de direito. Eu como cristão católico, com vivência pastoral, tenho um princípio como missão profética, que me motiva a refletir, lutar e denunciar: É preferível pecar pela missão, do que pela omissão.

O PADRE E A POLÍTICA PARTIDÁRIA

Foi no ano de 2000, na cidade de Coroatá, que o episcopado maranhense em sua primeira reunião do exercício, no mês de janeiro que decidiu manifestar-se em documento tornado público sobre o Padre e a Política Partidária. A Carta dos Bispos como ficou conhecido o posicionamento dos dirigentes da Arquidiocese de São Luís e das Dioceses, destaca o seguinte: Considerando a proximidade do período eleitoral-partidário para preenchimento dos cargos de prefeitos e vereadores, a Igreja do Maranhão vem apresentar à sociedade sua posição diante da possibilidade da participação de presbíteros em cargos político-eleitorais.

O ESTADO DA CONSCIÊNCIA CRÍTICA

Aquela época o episcopado destacou: “É verdade que papas e bispos foram chefes políticos e também reis temporais, mas, hoje, a consciência crítica dos católicos considera sombrios para a evangelização os tempos de poder temporal dos papas. Nos estado atual da consciência crítica do papa, dos bispos, dos presbíteros e dos próprios fiéis, a candidatura político partidária de um padre é considerada como desvio da vocação presbiterial. Por isso não podemos dar consentimento e apoio, a estas candidaturas, e a não ser nos casos de suplência previstos no Código Canônico. Lamentamos que grupos minoritários de cristãos não suficientemente conscientes do sentido das vocações especificas e complementares de leigo e de presbíteros, fiquem incentivando os padres, por serem bons pastores, para se candidatarem num partido político, correndo o risco de perderem os seus padres. Por outro lado é decepcionante quando um padre instrumentaliza o seu ministério para candidatar-se, fundamentando-se, para isto, na liderança adquirida pelo exercício do mistério sacerdotal, sem o qual nunca teria condições mínimas de pensar, com razoável lucidez, em ser candidato”.

JESUS LIBERTA OS POBRES

Os bispos finalizaram o documento afirmando: “Quem liberta os pobres é Jesus. È a partir dEle e de sua Palavra que eles poderão libertar-se, interiormente em primeiro lugar, e exteriormente aos poucos, carregando com coragem profética a cruz do exercício responsável da cidadania, denunciando e enfrentando, sem perderem a esperança cristã todo tipo de dominação e exploração”.

LEGITIMIDADE PARA A CAMPANHA

Infelizmente não sei o que tem impedido as Pastorais Sociais, a Comissão Pastoral da Terra, a Comissão de Justiça e Paz, a Cáritas a promoverem discussões abertas sobre o assunto. Todas essas instituições têm legitimidade para tanto, assim como os seus dirigentes, que não têm nada que desabone as suas condutas. Uma outra questão que deixado muitos fiéis católicos desanimados é que nas celebrações ninguém se lembra de que estamos em um período eleitoral.

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