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SEBASTIÃO NERY

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Data de Publicação: 22 de agosto de 2006
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TRAGÉDIA É ISSO AÍ

Rio - Ademar de Barros era prefeito de São Paulo, Jânio Quadros governador. Ademar saiu candidato a governador, Jânio lançou Carvalho Pinto. Começou a guerra. Ademar depositava dinheiro da Prefeitura em vários bancos. Dizia-se que recebia contribuições deles para a campanha.

Um dos principais instrumentos do esquema de Ademar era a Casa Bancária dos irmãos Delia. Corria o boato solto em São Paulo. Emílio Carlos, deputado janista, descobriu negócios de Ademar com os Delia, denunciou, provocou uma corrida, a Casa Bancária explodiu.

Uma manhã, por força de um acordo político com Hugo Borghi, Ademar ia dar posse aos novos secretários de Finanças (José Cintra Gordinho) e de Justiça (Luis Mezzavilla), entra apressado Roberto Alves, seu assessor:

- Prefeito, aconteceu uma tragédia. Explodiu a Casa Bancária dos Delia.

Ademar olhou em torno, a sala entupida de gente, os dois novos secretários ali perto, de terno novo, prontos para a posse, os jornalistas e fotógrafos atentos, bateu a mão nas barrigas enorme e gargalhou:

- Que nada, Roberto, você não entende de tragédia. Tragédia maior vai ser agora, com a posse desses dois.

LULA E BANCOS

Lula mal terminou o primário, mas fez graduação, mestrado e doutorado em mentira e impostura. Diz dia e noite que garantiu "dinheiro barato, com juros de 2%", para os pobres, trabalhadores, funcionários, aposentados.

Pois é um dos mais sórdidos crimes públicos já cometidos no país. No "Faustão", o Caçulinha canta a enganação: - "A Fininvest dá". Ela é uma "financeira" do Unibanco, que dá empulhamento. Como dezenas de outras picaretagens iguais ("Finasa", "Insinuante", etc), prometem empréstimos "à vista, na hora, sem aval, com juros de 2%". E cobram na folha de pagamento. Domingo, na "Folha", Fernando Canzian denunciou a tragédia-Lula:

- "Transferência de Renda a Bancos é Brutal - As pessoas pagaram 44% a mais só em juros. Taxa ao consumidor supera 100% ao ano. O aumento de credito no Brasil nos últimos meses produziu uma enorme transferência de recursos do setor público e da renda dos assalariados para os bancos. Em julho, o juro mensal médio subiu para 6,24% ao mês (106,7% ao ano), o maior patamar desde setembro de 2003. Para R$152,2 bilhões em credito, foram pagos 67,6% de juros. Taxas das financeiras variam até mais de 8%. Houve salto de 89,2% de inadimplência de pessoas que não honraram suas dividas".

CÉSAR MESQUITA

Chegou à minha casa de manhã cedo, com a chave do carro na mão, avisando que ia voltar logo. E deu a ordem, como só os amigos podem dar:

- Você tem 60 dias para escrever um livro sobre as eleições (de 15 de novembro de 74, as mais importantes depois do golpe de 64). Trinta dias para percorrer antes os 22 Estados, e trinta para escrever o livro depois. Preciso dele antes do Natal. Vou pôr nas bancas. Será o primeiro livro em banca de jornal.

Era César Mesquita, que acabara de assumir a direção da histórica "Livraria Editora Francisco Alves", a de "Os Sertões" de Euclides da Cunha, comprada pelo almirante José Celso de Macedo Soares Guimarães.

Viajei de tarde. Passei por Brasília, conversei com o saudoso Petrônio Portela, que correra o país escolhendo os governadores da Arena para Geisel, fui a 22 Estados e "As 16 Derrotas Que Abalaram o Brasil" foram um sucesso.

PORTUGAL

No começo de 75, de novo César Mesquita chegou à minha casa de manhã cedo, com nova ordem: ir para Portugal escrever um livro sobre a "Revolução dos Cravos", a de 25 de abril de 74, e a Constituinte portuguesa.

Fui ficar um mês, fiquei quase um ano. A editora pagava. "Portugal, Um Salto no Escuro" foi o primeiro livro no Brasil sobre a derrubada do salazarismo. Outro sucesso. O simpático almirante Macedo Soares cobrou:

- Quando o César chamou você para escrever os livros, me disseram que você era comunista. E não é nada disso. O que você é, é consumista.

- Almirante, há muito exilado brasileiro lá, alguns comendo mal, quase passando fome. Meus amigos almoçavam comigo,eu assinava,o senhor pagava.

- E fez bem. Fez bem. Um cristão age assim mesmo.

PETRÓPOLIS

Semana passada, fui a Petrópolis, passei pelo Quitandinha para ver meu amigo César Mesquita que, aposentado, morava lá. Não estava. Tinha morrido na véspera, em hospital do Rio. Em silêncio. Disse aos filhos que não queria velório, nem missa, nem notícia. Ontem, informei-lhes que ia dar esta nota. Militante fiel e talentoso da esquerda, genro de Graciliano Ramos, César fez meio século de jornais, sobretudo no "Correio da Manhã", e de livros.

GLOBAIS

No "Globo", o Anselmo Góis publicou pesquisa do instituto GPP, no Rio: "o melhor governador do Rio" (depois da ditadura) foi Brizola, depois Garotinho, depois Rosinha. Lá embaixo, Marcelo Alencar e Moreira Franco.

Os piores foram os dois apoiados pela Globo e pelo Globo. Enquanto Brizola desafiou e enfrentou o grupo "Globo", ganhou sempre no Rio. Fez as pazes, passou a perder. Marcelo, Moreira e César Maia, deles, estão sumindo.

www.sebastiaoner.com.br

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