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Futebol ocasional é o esporte que mais provoca lesões

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Data de Publicação: 21 de agosto de 2006
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CONSTANÇA TATSCH

Solução para o problema é praticar exercícios físicos regularmente, não ingerir bebida alcoólica antes da atividade e beber líquido

O futebol aos sábados com os amigos, pode ser um risco à saúde. Pesquisa com 450 pessoas, acima dos 18 anos e que sofreram lesões durante a prática de algum esporte nos últimos três meses, revela que 42% estavam jogando futebol quando se machucaram.

A pesquisa comprovou o que especialistas dizem: o que torna o jogo mais perigoso é a falta de preparo dos competidores, uma vez que 42% responderam que só praticavam atividades nos finais de semana.

O estudo, conduzido pelo laboratório Merck Sharp & Dohme, foi realizado em diversos países da América Latina e mostrou que as contusões mais comuns são entorses, lesões na musculatura das pernas, fraturas e lesões nos joelhos.

O médico André Pedrinelli, da diretoria do Comitê de Traumatologia do Esporte da Sbot (Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia), afirma que dois terços das lesões nos membros inferiores estão relacionadas ao futebol. “A pessoa joga, mas não treina para jogar. Muitos estão acima do peso, sem força, sem condicionamento físico”, afirma.

Pedrinelli explica que a solução não é abandonar o futebol, mas se preparar para ele. “É preciso orientar para que o jogador faça melhor e tenha menor prejuízo físico. Quanto menor o número de lesões, menos vezes ele vai precisar parar”.

Aires Duarte Júnior, coordenador do Grupo de Traumatologia do Esporte da Santa Casa, dá dicas sobre os cuidados a serem tomados: praticar musculação e alongamento, ter preparo cardiovascular, não ingerir bebida alcoólica, pois diminui os reflexos, beber líquido antes, durante e depois do jogo - a perda de eletrólitos causa fragilidade da fibra muscular e cãibras. Além desses cuidados, é preciso fazer exames cardiovasculares, e evitar jogar sob o sol forte.

Segundo Duarte Júnior, a atenção deve ser redobrada quando a pelada acontece na praia. “Futebol na praia é responsável por um grande número de lesões, pois a areia é fofa e além de exigir esforço físico maior, exige acomodação maior das articulações em razão do terreno irregular”, explica. Além de seguir as dicas citadas, é importante jogar calçado.

As mulheres ‘boleiras’ também estão sob maior risco. O ortopedista afirma que elas sofrem lesões com freqüência de duas a nove vezes maior do que os homens. As explicações para isso, além da falta de preparo, são articulações e ligamentos mais frágeis.

O futebol é mais arriscado que outros esportes, pois há contato direto, pessoas de níveis diferentes jogam juntas e a competição é acirrada. “Se existe o ingrediente competitivo, é impossível não ir um pouco além. Ele não quer perder e quer jogar como os outros”, diz Turíbio Leite de Barros, coordenador do Centro de Medicina da Atividade Física e do Esporte da Unifesp.

Embora os especialistas alertem para os riscos do esporte casual, o valor psicológico não é ignorado. “Esse é um assunto em que sempre tem a situação ideal e a realidade. O ideal é não fazer exercício de maneira esporádica. Mas o futebol de fim-de-semana é algo que tem um benefício de saúde mental tão grande que o saldo acaba sendo positivo”, afirma o fisiologista.

Problema pode se repetir de forma mais grave se não for tratado corretamente

Depois que a lesão já foi feita, muitos jogadores continuam pecando pela falta de cuidados. Ficar dias sentindo dor sem um parecer médico pode agravar o problema.

“A pessoa se automedica, aplica gelo e fica esperando. Isso é perigoso porque pode diminuir a dor, mas não trata o problema. E a dor é só um sintoma” diz André Pedrinelli, do Comitê de Traumatologia do Esporte da Sbot.

“É muito comum à pessoa se machucar, pôr a perna para cima, não procurar um médico. Fica sem saber o grau de gravidade. Se não tratar da maneira correta pode ter uma recidiva, que irão ser muito mais grave e mais difícil de tratar”, completa o ortopedista Aires Duarte Júnior, da Santa Casa.

Os médicos afirmam que os agravantes para os casos da lesão são: idade, condicionamento físico e, justamente, lesões pregressas.

Segundo Duarte Júnior, após uma lesão valem as regras do ‘PRICE’, sigla que significa proteção, repouso, gelo, compressão e elevação. Esses são os cuidados básicos.

Depois disso, é preciso observar a gravidade do caso. O ortopedista diz que o primeiro parâmetro é a dor; o segundo é o inchaço, e o terceiro, a presença de sangramento, equimose ou hematoma. Na dúvida, procure um médico na segunda-feira.

PERGUNTAS E RESPOSTAS

1. Quais as lesões mais freqüentes no futebol?

As lesões musculares mais freqüentes, de acordo com estudo realizado com jogadores profissionais, são: contusões (39%), entorses (24%), tendinites (18%), fraturas (13%) e luxações (5%).

2. Que outros esportes causam mais lesões?

Pesquisa com 450 pessoas que se machucaram praticando esporte indica que as lesões mais freqüentes em mulheres são causadas pelo vôlei (17%). Em segundo lugar, para homens (10%) e mulheres (15%) está a corrida, mas, nesses casos, os problemas são crônicos, pois é difícil encontrar corredor eventual. Basquete, tênis e judô também são esportes que podem machucar.

3. Todos os esportes exigem preparo?

A maior parte dos esportes pede um preparo muscular adequado, para que nenhuma parte do corpo seja sobrecarregada. Existe um protocolo de treinamento para cada esporte

4. O que pode ser feito na hora para evitar problemas?

O ideal é uma preparação durante toda a semana, mas no dia é importante aquecer, fazer alongamento (antes e depois do jogo) e usar tênis adequados. Aceitar os próprios limites, respeitando o momento de descansar e de beber água, é fundamental.

DEPOIMENTO

Com o passar dos anos, passei a jogar só aos domingos

Sou fã de carteirinha de futebol, jogo desde os 12 anos. Aos 18, eu estourei o menisco. Fiz cirurgia, fisioterapia e voltei a jogar. Só que não me preparei fisicamente, minha perna não ficou boa e tive uma série de lesões. Com o passar dos anos, passei a jogar só nos finais de semana. Dos 27 anos para frente, parei com o condicionamento físico, fiquei relaxado.

Tive uma ruptura na coxa, há pouco mais de dez anos. Foi no meio do jogo, porque não tinha aquecido antes. Aos 32 anos você não está novo, mas não está velho, aí começam as coisas. Fiz musculação, mas parei novamente, só jogando aos domingos.

Aí com o passar do tempo, tinha muita dor nas costas. Jogava uma partida, e chegava à noite, não conseguia andar. Estava com uma pequena hérnia de disco. O médico me deu como tratamento fisioterapia e musculação. Hoje eu não faço, parei de novo. Recomeço na semana que vem. Agora sou técnico, mas entro no segundo tempo.

Não tinha tempo para fazer academia, nem disposição. Vou ser sincero: se eu tivesse feito tudo, acho que muitas lesões não teriam acontecido. Tive lesão no tornozelo, na virilha... Eu ficava parado, e voltava. Vou voltar sempre.

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