São Luís sediará de terça-feira (22) a sexta-feira (25), a X Reunião Nacional de Pesquisa em Malária. Abertura será amanhã às 19h30, no Rio Poty Hotel (Ponta d’Areia). O evento reunirá pesquisadores de renome na área que participarão de conferências, pelestras e mesas-redondas.
Pela primeira vez São Luís sediará a Reunião Nacional de Pesquisa em Malária. Na programação, temas que estão na linha de frente das pesquisas nas áreas de Clínica, Epidemiologia, Diagnóstico e Tratamento, entre outros. O desafio do controle da doença também será discutido.
Ao final, será redigido um documento com propostas a ser entregue à Secretaria de Vigilância em Saúde e à Coordenação Nacional do Programa de Controle da Malária do Ministério da Saúde.
A X Reunião Nacional de Pesquisa em Malária é uma promoção da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (SBMT). A realização fica por conta da regional maranhense da SMBT, Universidade Federal do Maranhão, Secretaria de Vigilância em Saúde, Secretaria Municipal de Saúde de São Luís, Organização Pan-Americana da Saúde e Centro de Referência em Doenças Infecciosas e Parasitária.
MARANHÃO - A malária é uma das principais enfermidades que acometem o Maranhão. Com índices elevados, apenas no ano de 1987 foram diagnosticados mais de 56 mil casos. Entre 1988 e 1990, mais de 37 mil em cada ano. Em 1994, um declínio, mais de 28 mil casos; em 1995, 32 mil casos.
Segundo o Coordenador do evento, o médico Antonio Rafael da Silva, “a Reunião Nacional realiza-se num clima de preocupação com o aumento de incidência da malária, pois finalizou-se o ano de 2005 com o incremento de cerca de 25% em relação a 2004”, diz, e acrescenta: “Em sete estados a malária cresceu além dos limites aceitáveis, destaque para os estados do Acre, Amazonas, e Amapá”.
Antonio Rafael alerta ainda para a necessidade da discussão em torno do tema. “Nunca, a nosso ver, a política de controle da malária precisou ser discutida à luz da política de descentralização para estados e municípios e de sua inserção na agenda política dos governos federal, estadual e municipal”, destaca o médico.
No Maranhão, a malária atinge, principalmente, as populações rurais ou semi-rurais e as recentemente fixadas em áreas de difícil acesso. Municípios da chamada Amazônia Maranhense, da Ilha de São Luís e da Baixada Ocidental detém o maior índice da doença. No entanto, focos podem ser encontrados em outros municípios do estado.
DOENÇA - A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera a malária um grave problema de saúde pública. Cerca de 40% da população de mais de 90 países convivem com o risco de contágio. Em todo o mundo, entre as doenças infecciosas, somente a AIDS supera a malária em número de mortes.
Dados do Ministério da Saúde indicam que, em 2005, a Amazônia Legal registrou 584 mil casos da doença. Esse número representa cerca de 25,8% a mais do que o notificado em 2004. Noventa pessoas morreram. Segundo o Programa Nacional de Controle da Malária, o aumento do número de casos se concentrou principalmente nas periferias de cidades como Manaus (AM), Porto Velho (RO) e Cruzeiro do Sul (AC), com cerca de 27% dos casos.
Técnicos do Ministério da Saúde acreditam que o crescimento ocorreu por uma série de fatores, entre eles o desenvolvimento acelerado das cidades, principalmente das periferias, e o aumento do extrativismo, que leva pessoas a ocuparem áreas de risco, onde os mosquitos têm seus criadouros. Além desses fatores, as condições climáticas da Amazônia Legal favorecem o desenvolvimento do mosquito transmissor.
As autoridades em saúde recomendam que os habitantes das áreas endêmicas evitem banhos nos igarapés, principalmente no final da tarde e durante a noite. Quando possível, deve-se usar mosquiteiros, telas nas janelas e portas das casas, que funcionam como proteção contra o mosquito transmissor da doença.