
O enviado especial da ONU ao Líbano, Terje Roed-Larsen, disse que a trégua deu ao governo libanês uma boa chance para ampliar sua autoridade sobre todo o país, mas alertou para o fato de a situação ainda ser delicada.
"Isso pode facilmente começar a piorar novamente e nos levar rapidamente para um abismo de violência e derramamento de sangue", declarou Roed-Larsen em Beirute, antes de partir para Israel.
O diplomata norueguês indicou também que qualquer ofensiva similar promovida por Israel apenas irá desencorajar os países comprometidos com a Unifil (Força Interina das Nações Unidas no Líbano) a enviar mais tropas ao sul do Líbano.
O ministro israelense da Defesa, Amir Peretz, anunciou neste domingo que Israel impedirá o deslocamento do Exército libanês nas áreas mais próximas à fronteira enquanto as tropas do Líbano não forem apoiadas por uma força multinacional.
"Continuaremos impedindo que o Exército libanês se movimente a menos de dois quilômetros da fronteira antes da mobilização de uma força multinacional", declarou Peretz durante reunião do Conselho de Ministros, segundo uma fonte oficial.
Peretz advertiu que as Forças Armadas devem se preparar "para um segundo turno" contra o grupo terrorista libanês Hizbollah, informaram fontes do governo. "Não permitiremos em nenhum caso que o Hizbollah [grupo terrorista libanês] se aproxime da fronteira", acrescentou o ministro.
Em vigor há quase uma semana, o cessar-fogo entre Israel e Hizbollah parece cada vez mais frágil. Ontem, o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, disse que estava "profundamente preocupado" com a violação, por parte de Israel, do cessar-fogo no Líbano.
O ministro libanês da Defesa, Elias Murr, afirmou hoje que qualquer violação do cessar-fogo no sul do Líbano será considerada um ato de traição.
"Qualquer disparo de foguetes que sirva de pretexto para Israel atacar o Líbano será tratado com a maior severidade", afirmou o ministro.