ENTREVISTA HELENA DUAILIBE
Em poucos mais de dois anos de gestão à frente da Secretaria de Estado da Saúde, e contando com o total apoio do governador José Reinaldo Tavares, a secretária Helena Duailibe Ferreira conseguiu, além de habilitar o Estado em Gestão Plena de Saúde, uma das grandes vitórias do Maranhão nessa área, desenvolver programas que estão contribuindo de forma decisiva para a melhoria dos indicadores sociais, a exemplo do Leite é Vida e a Política Estadual de Atenção Oncológica. Agora, o corpo técnico da Secretaria está engajado na implementação do Pacto pela Saúde. Esses foram os três principais pontos abordados nessa entrevista com a secretária, em que ela falou dos impactos dessas ações na melhoria das condições de vida da população maranhense.
Pergunta - Secretária, sua pasta desenvolve vários programas importantes para a população, dentre os quais o Leite é Vida. Qual o impacto desse programa para a saúde do maranhense?
Helena Duailibe – Esse programa representa o compromisso do governo José Reinaldo Tavares em melhorar as condições de vida da população carente do nosso Estado. Hoje, 32 mil crianças e gestantes de 60 municípios são beneficiados com a distribuição diária do leite, um alimento saudável e essencial, que combate a desnutrição e contribui decisivamente para a redução da mortalidade infantil.
Pergunta – Além de contribuir para a redução das carências nutricionais de gestantes e crianças, o Leite é Vida também traz benefícios para a economia do estado. É isso mesmo secretária?
Helena Duailibe – É verdade. A distribuição do leite fortalece também os programas de geração de renda e emprego no interior do estado, incrementando a economia dos municípios contemplados. O fornecimento do leite é feito por produtores de pequeno porte ou agricultores cujo perfil se enquadre no Programa Nacional de Apoio à Agricultura Familiar (Pronaf). Temos hoje, mais de 2.000 pequenos produtores cadastrados no programa.
Pergunta – É intenção da Secretaria ampliar o programa para outros municípios?
Helena Duailibe – Dentro do cronograma estabelecido pela Secretaria de Saúde, até o final do ano, o programa deverá ser estendido a 80 municípios, o que representará uma ampliação dos atuais 32 mil para 42 mil beneficiários.
Pergunta - Secretária, por vários anos, o Maranhão viveu carente de uma rede de assistência aos portadores de câncer. Mas, hoje a realidade é outra. Como foi possível essa mudança em tão pouco tempo?
Helena Duailibe – Essa mudança aconteceu porque houve vontade política do governador José Reinaldo Tavares em garantir um atendimento digno e de maior qualidade aos portadores de câncer. Uma das primeiras medidas que tomamos foi organizar o serviço de acordo com a nova política nacional de oncologia. O maior avanço é o foco da política estadual do câncer que, além da assistência, é orientada para a prevenção, com o diagnóstico precoce da doença, realização de exames e campanhas educativas.
Pergunta – Como está hoje, a rede de assistência aos portadores de Câncer no Maranhão?
Helena Duailibe – Hoje, temos o Hospital Aldenora Belo, que acabou de colocar em operação modernos equipamentos de radioterapia, tais como acelerador linear, tomógrafo computadorizado e ultra-som, com recursos federais e contrapartida financeira do Governo do Estado no valor de R$ 2 milhões. O grande problema seria manter esse serviço de radioterapia funcionando. Mas sensível à questão, o governador José Reinaldo autorizou a Secretaria de Saúde a financiar a operacionalização dos equipamentos, beneficiando 66 pacientes que estavam na fila de espera desse atendimento especializado.
Pergunta – Quais os ganhos para a população com a inauguração, recentemente, de duas Unidades de Oncologia, na capital e no interior do estado?
Helena Duailibe - No início de julho, o Governo do Estado atendeu a uma antiga reivindicação da região tocantina e implantou a Unidade de Oncologia integrada ao Hospital São Rafael, em Imperatriz, com capacidade para realizar 2.534 procedimentos ambulatoriais por mês, dentre os quais 203 sessões de quimioterapia, 320 consultas especializadas e 8.700 exames. Já a Unidade de Oncologia no Hospital Tarquínio Lopes Filho, realizará mensalmente 1.947 consultas nas áreas de mastologia, proctologia, neurocirurgia, ginecologia, urologia e de cirurgias toraxica e geral, como também o total de 5.889 procedimentos oncológicos, incluindo 350 sessões de quimioterapia. Nosso objetivo agora é implantar o Centro de Alta Complexidade em Oncologia, integrado ao Hospital Universitário, o qual irá disponibilizar o serviço de radioterapia.
Pergunta – Que outras medidas estão sendo tomadas pela Secretaria na área oncológica?
Helena Duailibe – No fim deste mês iremos realizar o I Fórum Estadual de Atenção Oncológica aqui em São Luís. O encontro visa divulgar o Plano Estadual de Atenção Oncológica e dar conhecimento aos gestores sobre as ações a serem operacionalizadas em cada município. Durante o fórum, iremos capacitar os profissionais de saúde, médicos e enfermeiros, dos municípios sede de Microrregiões de Saúde, em coleta e interpretação dos exames papanicolau, de mama, câncer de pênis e de próstata.
Pergunta – Secretária, um novo modelo começa se constituir no âmbito do Sistema Único de Saúde, denominado de Pacto pela Saúde. O que pode se esperar com essa nova reforma no sistema?
Helena Duailibe – Posso afirmar com certeza que o Estado do Maranhão está engajado nesse novo momento da saúde pública brasileira, discutindo, por exemplo, a agenda de atividades prioritárias do Pacto pela Vida, tais como a atenção integral à saúde do idoso; o controle do câncer de colo de útero e de mama; a redução da mortalidade materna e infantil; e o fortalecimento da atenção básica. Em sintonia com o controle social, via Conselhos Estadual e Municipais de Saúde, estamos trabalhando para fortalecer o Pacto em Defesa do SUS. E temos ainda o Pacto de Gestão, onde já começamos a promover uma ampla discussão, primeiramente com todo nível central da Secretaria da Saúde, como preparativo de um encontro que realizaremos com todos os municípios, no próximo mês para tratar do pacto.
Pergunta – Na prática, qual o papel dos municípios com a implantação do Pacto da Saúde?
Helena Duailibe - Em síntese o papel de cada município na saúde vai ficar bem claro, bem determinado. O que ele pode fazer para melhorar a atenção à saúde de sua população e o que vai encaminhar para outros municípios. O que se espera com isso é se não resolver, pelo menos minorar o maior problema do SUS que são as filas, como por exemplo: fila das hérnias, fila das neurocirurgias, das cirurgias cardíacas etc.