Opinião
A MALSINADA ESCRITA DA SERPENTE
(Espaço cedido para a publicação do prefácio do livro A Oligarquia da Serpente). Primeira Parte.
Herbert de Jesus Santos (*)
Othelino Filho e Othelino Neto, com A Oligarquia da Serpente (de artigos e crônicas), sugerem como, literalmente, “se mata a cobra e se mostra o pau”. Prestam, por oportuno, o serviço público de sanear o ambiente político-administrativo contaminado sem precedência, no Maranhão, num trabalho tamanho-família, com a diferença inversamente proporcional ao da acusada de levantar um império à custa do suor e sangue de um povo, e que, ambiciosa ao extremo, usa inocentes magnetizados por mídia bombástica quanto escravos na (ego)idolatria ao bezerro de ouro. A primeira tenciona pôr tudo em pratos limpos; a segunda (da oligarquia Sarney) insiste, aqui, em transformar mentira em verdade para paupérrimos, pensando, absolutista, qual Luís XIV, “O Estado sou eu”!, ocupado em festança e carteado, no palácio, enquanto a Revolução Francesa afiava a guilhotina para as cabeças coroadas.
O título, coerente, incisivo e de suma importância para a bibliografia nacional, desvenda um círculo sanguessuga e impiedoso, que, doravante, apesar das dissimulações do caos perpetrado, não mais se esconderá debaixo do Sol, que, no Maranhão, até ele mente, num Sermão do atualíssimo Padre Antônio Vieira. Coincide com os 40 anos do sarneyzismo, por que salta aos olhos o dedo em riste dos autores aos que, ao bel-prazer, empurraram gerações às trevas da ignorância, para tirar proveito do atraso e carência dos que compram gato por lebre, e, receosos, acham bonzinhos quem os fazem contribuir para os mais necessitados comer o pão que o Diabo amassou, e morrer de fome e de justiça social, e do alastro num crescendo da violência.
Por ser a oligarquia o governo de poucos, o leitor mais atento perceberá, incontinenti, que nesse longo e tenebroso período, em que o grupo Sarney estabeleceu-se, assim foram os éforos, que controlavam a vida econômica e social de Esparta, e, com o miserê na cidade-Estado, davam-se ao luxo de vetar projetos de lei e perseguir quem lhes dessem na telha. Elegiam-se por um ano, mas, com o imenso poder, só o largaram pressionados também. Em Atenas, eram os nobres que manipulavam a justiça e a gestão pública; assenhorearam-se das terras cultiváveis, expulsando os pequenos proprietários (agricultores), que, com as dívidas, empobreceram mais, tornando-se presas fáceis do mandonismo insaciável, que os escravizaram. Em sistema de minoria, nem escola privilegia-se como bem-comum, em qualquer era.
Essa publicação audaciosa indica que, no Maranhão, permaneceu o chavão e rebaixaram o teatro. A maioria, em Atenas, cedo não suportou os excessos da prepotência e, com o aperfeiçoamento da democracia, aboliu a escravidão, com que os sem-terras voltaram às suas posses; incentivou as artes; acessou os pobres, que passaram a ser assalariados, aos bens culturais e à política; e embelezou a cidade-Estado com imensas e necessárias obras para a utilização coletiva, reduzindo o desemprego. Se a oligarquia arruinou a organização socioeconômica e intelectual de Atenas, aqui infelicitou muito mais – parece o livro as trombetas de Jericó. Com efeito: assim que assumiu o executivo (1966-9), a promessa de Sarney, com o Maranhão Novo, de tirar a barriga do Estado da miséria e empreender o desenvolvimento coletivo, não passou de força de expressão. Superou, para pior, a do senador pernambucano Vitorino Freire (1945-65), que as reeditadas Oposições Coligadas sepultaram. Forçou o êxodo rural, não obstante nossos solo fértil e águas perenes; e massificou a lengalenga de que, com o biombo de algumas obras federais, o Maranhão deve tudo a ele (senador José Sarney), que coloca para debaixo do tapete a decadência generalizada pelo seu maquiavelismo. Mais notório ficou, com essa obra literária, que o predomínio dessa facção – sem concorrência, também, em longevidade, no Brasil e América Latina –, disformou mais o cabeça, enquanto à filha, ex-governadora e senadora Roseana Sarney Murad, é contabilizado o auge do apodrecimento do tecido social, com o marido, Jorge Murad. Prova à exaustão que, em duas vezes consecutivas (1995-2001), o voraz Governo do Novo Tempo dela não teve comparação em sacrificar quase 70% da nossa população para abaixo da linha de pobreza; trucidou os órgãos que fortaleceriam a agricultura; não houve reengenharia no serviço público; e campeão mesmo só nas denúncias das mais escandalosas corrupções do País. Campesinos, sem horizonte, não vieram mais esticar os bolsões de miséria na Capital, contudo caíram nas garras dos “gatos” (atravessadores de mão-de-obra fácil), em trabalhos escravos nas fazendas do Pará, Tocantins e Goiás. Realizaram a viagem contrária dos flagelados da seca nordestina, que, antes do Governo Sarney, chegavam, em São Luís, para os considerados oásis dos vales do Pindaré e Mearim. (Continua no próximo domingo, 27).
(*) Jornalista, escritor e membro do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão.
Parceria com a França beneficia pesquisadores maranhenses
A Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão firmou, no dia 06 de julho, um acordo de cooperação técnica com a universidade Paris-Dauphine, visando o intercâmbio entre o Maranhão e a França. O convênio foi assinado pelo presidente da FAPEMA, Sofiane Labidi, em reunião com os professores Vangelis Pasches, Serge Haddad e Valerie Monfort, diretores da instituição parisiense. De acordo com Labidi, a parceria possibilitará o desenvolvimento de pesquisas em comum entre os dois países, além de ser o primeiro passo para as discussões que podem viabilizar a criação do diploma-duplo, que terá a mesma validade tanto na universidade Paris-Dauphine quanto nas universidades maranhenses. O leque de possibilidades acadêmicas é grande. O presidente da FAPEMA citou, ainda, o intercâmbio de estagiários e o encaminhamento de estudantes do Maranhão à França para participar de programas de doutorado, inicialmente na área de Tecnologia da Informação.
A fim de dar início à troca de conhecimentos, as instituições maranhense e francesa vão realizar um seminário em São Luís, em novembro próximo, onde serão apresentados os projetos de pesquisa já iniciados solidariamente. Entre os vários temas a serem abordados está a Web Semântica. Com essa iniciativa, a FAPEMA dá continuidade a uma parceria iniciada em 2005 com a França, através da Escola Superior de Engenharia Eletrônica, Informática, Telecomunicações e Redes (ESEO), na cidade de Angers. A Université Paris Dauphine atende a cerca de 9 mil estudantes. Em 2003, 4.200 formaram-se pela instituição, sendo 3.842 em cursos graduação e 358 em cursos de mestrado e doutorado. De todo o corpo discente, 23% são estudantes estrangeiros, oriundos de 126 países.
Com atuação desse nível, a FAPEMA – motivada pela inspiração e talento raros do Dr. Sofiane Labidi – vem incluindo o nosso ainda modesto, porém promissor, universo acadêmico no contexto vigoroso da pesquisa, da inovação tecnológica e da cultura do Primeiro Mundo. Nossas felicitações e gratidão ao mestre e à sua equipe, pois é de espíritos iluminados que o Maranhão precisa.
(othelinofilho@yahoo.com.br).