Por Zé Cuxá
O escrachado colunista José Simão, da Folha de São Paulo, sempre escreve que o Brasil é o país da piada pronta. O Maranhão não foge à regra.
Apesar da luta diária pela sobrevivência, os caboclos do interior do Estado não perdem a piada quando percebem uma mentira dos seus interlocutores em meio a uma prosa e outra. Por exemplo: se alguém se exalta contando vantagens sobre façanhas obtidas no dia-a-dia, ao invés de ficaram admirados ou estupefatos, a resposta deles é quase sempre assim: “quem viu? Só se foi fulano de tal, que é cego!”.
O Maranhão que Roseana Sarney e o seu séqüito mostram por meio do Sistema Mirante é de um Estado “maquiado”, um Estado do “sem” – sem estradas, sem indústrias, sem empregos e sem esperança. Hoje, a candidata do PFL prega que, caso ganhe a eleição, vai recuperar a agricultura e os programas sociais do Estado. Como assim, cara pálida? O governador de fato, Jorge Murad, que fez frente aos sete anos de governo da filha de Sarney, extinguiu a nossa agricultura, deixou os nossos rebanhos entregues à febre aftosa e pouco se importava com os pobres, pois para ele morar em casa de taipa coberta de palha com algumas galinhas criadas no quintal, sem no mínimo uma fossa sanitária já é suficiente para o maranhense viver com dignidade.
Essa é a situação que salta aos nossos olhos e se eles insistem que é o contrário, alguém está mentindo de forma deslavada para a população: ou Roseana Sarney esconde a verdade, nua e crua, ou não devemos mais acreditar nos levantamentos do Instituto de Pesquisas Econômicas e Aplicadas (IPEA) ou no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que apontam o Maranhão como campeão de pobreza, miséria, analfabetismo, desemprego e outras mazelas só comparadas ao Haiti. Quanta vergonha!
Vejamos o exemplo do Ceará, que eliminou o coronelismo e imediatamente atraiu mais de 450 empreendimentos que geraram empregos, renda, qualidade de vida para a população, e virou um estado próspero em curto espaço de tempo. Quanto a nós, (re) eleger Roseana Sarney é praticamente condenar o Maranhão a mais quarenta anos de atraso. Só não vê quem não quer, ou é cego mesmo.
PITADAS DE CUXÁ
BOTARAM A MÃE NO MEIO
Frase pintada em camisetas à venda no mercado central de Fortaleza-CE: “... agora vou votar nas P..., porque cansei de votar nos filhos delas...”.
O ESTORVO DOS SOBRENOMES
Já se foi o tempo em que sobrenome tinha peso e honrava a propaganda dos candidatos. Que o digam os sorridentes “Roseana” e “Ricardo” que aboliram “Sarney” e “Murad”, respectivamente, pois hoje fazem dupla em cartazes nos quais omitem as origens familiares que os tornaram “inimigos” outrora, e agora, “unha e carne”.
PASSO DE TARTARUGA
Primeiro ele achou que era esperto como um “ganso”. Agora diz que acha que é uma “tartaruga” ao invés de “coelho”. O candidato a senador “Cafifa” sabe o que diz, afinal o seu desempenho nas pesquisas está com o “freio de mão puxado”.
ROSEANA É “DEUSA”?
O programa de TV da candidata do PFL cita, na cara dura, que Roseana Sarney “fez” a Lagoa da Jansen”. Bom, que ela detém “podres poderes” é evidente, mas ter poderes divinos, interferir na natureza e “fazer” lagoas, rios, etc., aí já é blasfêmia: se fossem pelo menos lagoas e rios de lama...
ELENCO JURÁSSICO
A voz continua a mesma, mas os cabelos... O elenco de candidatos, principalmente para deputado federal do Maranhão, parece mais o casting de novelas da Rede Globo. Quase sem nenhuma cara nova. Os pretendentes à Câmara Federal estão quase todos de cabelos branquinhos, branquinhos. O jeito é recorrer à farmácia.
DE PAI PARA FILHA
Com a desistência de Janaína Cafeteira, não teremos mais a “acirrada” disputa entre as filhas dos principais candidatos a senador por uma vaga na Assembléia Legislativa. O caminho ficou mais fácil para Gardeninha Castelo.
PORTA VOZ DO PLANALTO?
Quem vê o senador João Alberto, vice na chapa de Roseana Sarney, falar grosso para as câmeras sobre a CPI das Sanguessugas, fica em dúvida se ele está representando o seu padrinho político, o senador José Sarney, ou o chefe do padrinho, o presidente Lula.
BEN-TI-VI, BEN-TI-VI...
Aquele passarinho de papo amarelo gosta de acordar a população com o seu inconfundível canto matinal, mas o mascote do candidato do Prona, João Bentivi, só balança a cabeça e não pia nada.
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