Falsidade ideológica
Pesquisa do Ibope mostra Maranhão com mais universitários que S. Paulo
A fantasia numérica produzida pelo Ibope no Estado do Maranhão, em pesquisa paga pela TV Mirante (de propriedade de Roseana Sarney), atingiu todos grupos da amostragem. O mais grotesco é o que trata dos eleitores com ensino superior e ensino médio. Mas o fiasco atinge outros grupos pesquisados, como os de analfabetos. No Maranhão, há 43% de eleitores analfabetos clássicos e funcionais (que mal sabem ler e escrever) cadastrados – o que representa cerca de 1,7 milhão de pessoas. Há ainda a população que sequer completou o primeiro grau: 1,21 milhão de habitantes (31,0%). Aparentemente, o Ibope não considerou essa parcela da população em nenhuma das três amostragens publicadas desde dezembro 2005.
Questionada pelo Jornal Pequeno, a diretoria do Ibope disse, por meio de sua gerência de comunicação (em nota oficial), que “não tinha controle sobre os entrevistados de outros níveis de escolaridade”. Apenas o nível superior poderia ser confirmado, segundo o plano de tabulação dos entrevistadores, em um dos módulos estatísticos. Para o Ibope, 44% dos entrevistados maranhenses têm o ensino médio e o superior completo. Os números do IBGE e do TRE mostram que o Maranhão tem 7,4% eleitores com segundo grau completo e apenas 1% de eleitores com superior completo.
“Vamos questionar na Justiça esses números todos. O perfil dessa pesquisa não se enquadra ao do Maranhão. Nesse caso, qual a fidelidade dessa intenção de voto? Nenhuma! Quando o assunto é intenção de voto, a urna é e sempre será a resposta definitiva”, disse Edson Vidigal, candidato ao governo pela coligação “O Povo no Poder”.
Na opinião do advogado da coligação, José Antônio Almeida, são fortes os indícios de falsidade ideológica nos levantamentos do Ibope. “Há falsidade ideológica. A Justiça vai julgar o caso com todas as evidências de uma pesquisa alterada.”, garantiu o advogado.
Para o Ibope, São Paulo tem menos universitários que o Maranhão, embora seja o estado mais rico do País. Aparentemente, as amostragens feitas em alguns estados do Norte e Nordeste (incluindo as do Maranhão) não consideram o real perfil local.
Exemplo: Em São Paulo, o Ibope trabalha com cerca de dois mil entrevistados para o coletando intenção de votos para candidatos ao Governo do Estado e presidência da República. O Estado tem 7% de eleitores com curso superior. Em suas planilhas, o instituto de pesquisa usa a taxa de 15%.Mesmo sendo mais que o dobro do perfil universitário paulista, o índice da amostragem está quase trezentos por cento abaixo dos números publicados no Maranhão (44% da amostragem de 812 pessoas aparecem com ensino médio e superior). O índice de eleitores com o primeiro grau completo no Maranhão é de 7,4%. Apenas 12 % da população entram na primeira série do ensino médio. Aqui surge uma evasão que beira 100%. Segundo o IBGE, apenas 12% da população (acima de dez anos) atinge a terceira série do ensino médio.
O IBGE trabalha com apenas 1% da população com curso superior completo. (PNAD/2004). Esses dados são os mesmos do TSE/TRE. Ninguém sabe de onde o Ibope tirou 44% da população com ensino médio e superior. Mesmo somando-se os dados do IBGE para ensino médio e universitário, chegaríamos a 13%. Em sua planilha, o instituto de pesquisa não separa os grupos de ensino médio e superior. Supostamente, o índice de 44% inclui os dois grupos populacionais. Com uma diferença: estão na mesma coluna. Aqui também reside uma diferença entre amostragens do Sul e Sudeste para coletas no Maranhão (três, desde dezembro de 2005). Em São Paulo: os universitários da amostragem (15%) aparecem em coluna separada. O pesadelo aumenta quando se tenta explicar onde o Ibope incluiu os 43% de analfabetos clássicos e funcionais, no perfil maranhense, e como eles deram sua opinião. Alguém leu para eles a lista de candidatos? Alguém valorizou o nome de algum candidato na leitura ou uma lista isenta foi apresentada durante o trabalho de coleta?