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Detentos de Pedrinhas concluem curso de mecânica em refrigeração

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Data de Publicação: 2 de agosto de 2006
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A Secretaria Estadual de Justiça e Cidadania (Sejuc) e o Senai realizam amanhã, 3, às 10h, a formatura de 17 internos da Penitenciária de Pedrinhas que participaram do curso de Mecânica em Refrigeração Comercial na unidade móvel do Senai.

O curso teve início no dia 5 de abril com duração de 105 dias e carga horária de 220 horas, divididas em aulas práticas e teóricas (práticas 60% e teóricas 40%). Foram capacitados 17 internos que agora estão aptos a encarar o mercado de trabalho. Além de uma nova profissão, os detentos também tiveram direito a remissão (para cada três dias trabalhados eles têm direito a reduzir um dia da pena).

O secretário de Justiça e Cidadania, José Magno Moraes de Sousa, disse que o curso foi só o primeiro passo. "Nós vamos agora, trabalhar para implantar na Penitenciária de Pedrinhas uma oficina de mecânica em refrigeração, para que os internos possam aprimorar os seus conhecimentos, além de repassar o que aprenderam para os outros presos", afirmou.

Desafio - Um desafio, assim definiu o instrutor do Senai, Francisco Renã Lisboa Alvarenga, 44 anos, responsável pelas aulas na unidade móvel instalada no Complexo Penitenciário, quando recebeu o convite para ministrar o curso para os detentos de Pedrinhas. "Como todo mundo que não conhece o sistema prisional, fui preparado para enfrentar grandes dificuldades com os alunos, no entanto, para minha felicidade me deparei com uma turma muito dedicada e cheia de vontade de aprender. Eles não tinham nenhuma experiência com a mecânica de refrigeração e hoje posso assegurar que estão capacitados para enfrentar o mercado de trabalho".

O detento Manuel Messias, 41, preso há oito anos, disse que sempre procurou trabalhar na penitenciária. "Quando soube que ia ter esse curso me interessei em participar. Para mim é muito importante, embora a gente saiba que vai ser muito difícil voltar ao mercado de trabalho por causa do preconceito da sociedade, com essa profissão a gente cria pelo menos uma expectativa de que pode dar certo. Eu tenho vontade de trabalhar e de exercer a profissão que aprendi aqui. Para mim a integração que tivemos com o professor, o respeito que ele demonstrou ter por nós, fez com que a gente passasse a olhar o colega como uma pessoa", concluiu.

Já o detento Raimundo Nonato Lima de Almeida, 30 anos, disse que não esperava ter uma oportunidade dessas na penitenciária. "Nunca esperei que uma coisa dessas acontecesse na minha vida. Ter a oportunidade de estudar, aprender uma profissão nova na cadeia. Quando estava em liberdade nunca me interessei em estudar. Agora só falta mesmo a implantação de uma oficina dentro da penitenciária para que a gente possa desenvolver a nossa profissão e ajudar outros internos a aprender um ofício também", afirmou.

Para o interno Fausto de Almeida Caldas, 46 anos o curso foi uma oportunidade para mudar de profissão. "Minha profissão antes de ser preso era de motorista, de mecânica de refrigeração, não sabia nada. Hoje três anos, quatro meses e dez dias de prisão, eu me sinto feliz por estar concluindo este curso e a minha expectativa é continuar na profissão. Para nós que estamos presos, um curso desses tem um valor enorme, só o fato de a gente poder sair da Penitenciária e vir para a unidade móvel do Senai e aqui encontrar um clima acolhedor, sem preconceito, um clima de união, não tem o que pague. Aqui nós conversamos, brincamos e nos sentimos mais humanos", disse.

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