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Data de Publicação: 19 de agosto de 2006
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O superintendente da Polícia Federal no Paraná, Jaber Saadi, informou que deve ser pedida à Justiça a prorrogação da prisão de parte dos detidos na Operação Dilúvio, deflagrada na última quarta-feira com o objetivo de desarticular o maior esquema de fraudes do comércio exterior brasileiro. Os suspeitos teriam sonegado ao menos R$ 500 milhões somente em impostos aduaneiros.

Entre quarta-feira e ontem, 102 pessoas foram detidas em cumprimento a mandados de prisão temporária da Justiça Federal do Paraná e Santa Catarina. Os mandados de prisão temporária têm duração de cinco dias.

A previsão é de que a Polícia Federal peça a prorrogação por mais cinco dias ou a transformação em ordens de prisão preventiva. O objetivo, segundo Saadi, é ter mais tempo para ouvir depoimentos e descobrir novos detalhes do esquema de fraude em importação de mercadorias. “Nós deveremos solicitar a renovação da prisão, que seria a prisão preventiva, para alguns desses elementos envolvidos”, disse o superintendente.

Segundo Saadi, novos suspeitos de envolvimento no esquema devem ser presos. “Com a arrecadação da documentação, desse material de informática, nós vamos fazer uma devassa geral, desde os cabeças até os varejistas”, afirmou. “Podem surgir novos nomes também porque estamos ouvindo todos os que foram presos”.

Desde quarta-feira, cerca de 950 policiais federais e 350 servidores da Receita Federal foram mobilizados para cumprir 118 mandados de prisão e também ordens de busca e apreensão. A Operação Dilúvio revelou um grupo empresarial com ramificações em vários Estados e até mesmo nos Estados Unidos que agia há cerca de 10 anos trazendo produtos do exterior a preços subfaturados. No total, mais 24 grandes empresas (indústrias, atacadistas e varejistas) receberiam os produtos irregulares no Brasil. Segundo a Receita, o esquema fraudulento já teve como clientes a butique de luxo Daslu e Law Kin Chong, apontado pela PF como um dos maiores contrabandistas do Brasil. A Daslu disse desconhecer a informação. Entre os supostos sonegadores presos estão Marco Antonio Mansur, brasileiro que morou no Paraguai e atuava como chefe do esquema em São Paulo. Também foram presos nove servidores da própria Receita Federal. Os envolvidos são suspeitos de fraudes no comércio exterior, interposição fraudulenta, sonegação, formação de quadrilha, falsidade ideológica e documental, evasão de divisas, lavagem de dinheiro, corrupção e cooptação de servidores públicos.

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