SÃO JOSÉ DE RIBAMAR

Os cinco lavradores presos pela Policia Militar na última segunda-feira, 14, no povoado Boa Vista, no município de São José de Ribamar, prestaram depoimento ontem, 18, na delegacia da Cidade Olímpica. Cerca de 100 lavradores compareceram à delegacia e protestaram contra a audiência. "Nós fomos agredidos e expulsos de nossas terras. Além disso, ainda vamos ser processados", protestou o lavrador José silva Alves.
Motivada pelas denúncias de baderna causadas pelos lavradores durante a restituição de posse, a audiência não contou com a participação de Ryod Ayoub Jorge, que se intitula proprietário das terras. Munidos de documentos, os lavradores afirmaram ontem que as terras em questão pertencem à União, e que Ryod estaria agindo de má fé. "Ele possui terras próximas e quer anexar todas como se fosse dele", disse a lavradora Raimunda Nonata Marques, que reside em Boa Vista há mais de oito anos.
Desapropriação - Os lavradores foram expulsos da área por policiais militares que cumpriam ordem judicial de despejo, expedida pelo juiz Márcio Castro Brandão, da comarca de São José de Ribamar.
De acordo com informações prestadas pelos lavradores, os policiais atearam fogo em casas, destruíram roças e plantações de mandioca, além de prender os cinco lavradores e ferir mais um.
Durante a audiência, os lavradores questionaram a legalidade da liminar dada pela Justiça. "O Incra, assim como a GRPU, já deixaram claro que as terras pertencem à União. Logo, a liminar não poderia ter sido expedida", explicou Carlos Bronson, advogado da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do Maranhão (Fetaema).