O SEGUNDO ROUBO DA VALE
Rio - A Vale do Rio Doce é filha dileta das entranhas de Minas. Em 42, na Segunda Guerra Mundial, Getulio mandou a Washington uma missão chefiada pelo ministro da Fazenda Artur de Sousa Costa, da qual fazia parte o engenheiro em minas e metalurgia Israel Pinheiro, com cursos de siderurgia na França, Inglaterra e Alemanha e secretário da Agricultura de Minas.
Na volta, em julho de 42, o Brasil encampou a Companhia Brasileira de Mineração e Siderurgia e a Itabira de Mineração (antigas Itabira Iron Ore) e a Estrada de Ferro Vitória-Minas. Delas nasceu a Vale do Rio Doce, destinada à exploração, comércio, transporte e exportação de minério de ferro das minas de Itabira (MG) e exploração do tráfego da Estrada de Ferro Vitória-Minas.
Primeiro presidente e estruturador da Vale do Rio Doce: Israel Pinheiro.
Em 45, Israel deixou a Vale para se eleger constituinte por Minas. Em 56, convocado por Juscelino, renunciou ao mandato de deputado e assumiu a presidência da Novacap, para comandar a construção de Brasília.
ISRAEL PINHEIRO
Já pensando na necessidade de criar uma infraestrutura, um cinturão verde, de fornecimento alimentar à nova capital, Israel convidou uma missão japonesa para vir ao Brasil e estudar um projeto agrícola em torno de Brasília.
Os japoneses chegaram falando baixinho, um grupinho muito organizadinho, todos ouvindo muito e um só falando, e pouco. Israel os pôs em uma caminhonete e saiu levantando poeira vermelha pelos caminhos virgens dos arredores de Brasília, mostrando a amplidão do cerrado e defendendo a certeza de uma grandiosa experiência agrícola.
Na volta, os japoneses não disseram palavra. Israel já estava irritado:
- Os senhores não têm nada a dizer?
- Temos, sim, doutor. Terra ruim, ruim, muito ruim.
- Os senhores acham que, se a terra fosse boa, eu ia chamar japonês? Eu chamava mineiros. Pensam os senhores que em Minas não há mais ninguém?
E nunca mais Israel conversou cerrado com japonês. Ele estava certo. Terra ruim se conserta com adubo. Hoje, o cerrado, a partir de Brasília, planta e colhe quase 40% de todos os grãos que o país produz, consome e exporta.
FERNANDO HENRIQUE
Há mais uma jogada sórdida na praça contra a Vale de Israel Pinheiro.
Além de lhe haver entregue reservas de ferro suficientes para 400 anos de exploração, e imensas reservas de tantos outros minérios, o pais investiu nela bilhões e bilhões de dinheiro público nas minas de Minas, nas ferrovias Vitória-Minas e Carajás, nos portos de Tubarão (ES) e de Itaqui (MA).
Em maio de 97, em um dos maiores crimes de lesa-Pátria que o Brasil já sofreu, Fernando Henrique "vendeu", entregou a Vale por míseros R$ 3,3 bilhões, sem sequer o cuidado de reservar ao governo uma "Ação Gold Share", que daria ao poder publico o direito de veto a negócios escabrosos e contrários ao interesse nacional, como a ação que a União possui na Embraer.
Oito anos depois, em 2005, com praticamente os mesmos investimentos anteriores feitos pelo país, a Vale já teve uma receita de US$ 13,4 bilhões (R$ 30 bilhões) e um lucro liquido de US$ 4,8 bilhões (R$ 10,5 bilhões).
ALMEIDA NEVES
Um patriota de verdade, experimentado, provado, competente, Léo de Almeida Neves, jornalista, advogado, economista, diretor da área Agrícola e Industrial do Banco do Brasil, deputado estadual, federal (cassado pelo AI-5) e senador pelo Paraná, autor de "Destino do Brasil: Potência Mundial" (Ed. Graal, RJ), "Vivencia Histórica" (Ed. Paz e Terra, SP), me escreve e denuncia:
1. - "A Vale do Rio Doce ofereceu US$ 17 bilhões à vista para comprar a "Canadá Inco", líder no mercado mundial de níquel. É um surto de loucura tamanho disparate. Quatro bancos internacionais - ABN AMRO, UBS, Credit Suisse e Santander - emprestarão à Vale US$ 4,5 bilhões, prazo de dois anos".
2. - "Se não puder pagar, a Vale corre o perigo de ser absorvida por esses bancos ou ser vendida a alguma multinacional. E a Previ e outros Fundos de Pensão? Em junho, a Vale devia US$ 5,9 bilhões. Subirá para US$ 25,6 bilhões, segundo a Moodys e a Fitch. Em 2002, ela poderia ter comprado a Inco por ¼ da oferta atual e, um ano atrás, adquiriria pela metade do preço".
BNDES
3. - "O presidente do BNDES, Demian Fiocca, afirmou com absoluta semcerimônia e desfaçatez que vê com bons olhos conceder refinanciamento se, após os dois anos, a Vale não puder pagar aos bancos. É frágil o argumento de que a Vale precisa internacionalizar-se e diversificar atividades".
4. - "Ela é a maior produtora mundial de ferro e, com Austrália e África do Sul, detém praticamente o oligopólio, exportando em volume crescente para a China, União Européia e outros. O dever da Vale seria acelerar, no Brasil, seus projetos de exploração de níquel nas jazidas Vermelho, Onça, Puma, São João do Piauí e Água Branca,investindo e antecipando a extração do minério".
5. - "A atitude lógica seria uma associação com chineses, alemães, japonesas, coreanos, etc, para implantar no Brasil usinas siderúrgicas e, ao invés de exportar bem primário, exportar o produto industrializado".
Eles querem, pela segunda vez, roubar a Vale fingindo comprar.
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