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EditorialCom nova presidência, casos vão para gaveta

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19 de agosto de 2006
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No quarto ano como presidente do Conselho de Ética do Senado, João Alberto (PMDB-MA) tem marcado sua atuação pelo engavetamento de denúncias. Ele é um dos mais fiéis aliados do clã Sarney. Faz parte da “bancada” do senador José Sarney (PMDB-AP) e ocupa a vaga de vice na chapa da senadora Roseana Sarney (PFL-MA) ao governo do Estado.

Antes dele, o órgão pediu e obteve a cassação do mandato do senador Luiz Estevão (PMDB-DF), além de levar dois ex-presidentes do Senado a renunciarem - Jader Barbalho (PMDB-PA) e Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) - para fugir da mesma punição. Estevão e Jader foram alvos de denúncias quando ainda não exerciam mandato.

Logo que assumiu, João Alberto encampou a tese de que crime fora do mandato não conta e vai para a gaveta. O resultado é que o órgão passou a ser alvo de manobra e o Senado passou a ser uma instituição onde tudo é perdoável. Um exemplo é o ex-ministro da Previdência e atual líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR). Alvo de quatro denúncias, incluindo ter oferecido fazendas fantasmas como garantia de empréstimo, Jucá foi beneficiado por engavetamento de João Alberto. “Ele não era senador na época”, justificou.

Outro exemplo é o do senador Roberto Saturnino (PT-RJ), acusado de ter se comprometido a entregar metade do mandato ao atual presidente do PDT, Carlos Luppi. A troca, segundo Luppi, se justificaria pelo fato de ele ter sido eleito única e exclusivamente por ter tido Leonel Brizola como cabo eleitoral, depois de perder uma eleição, com menos de 12 mil votos, para vereador. Apesar das testemunhas, João Alberto, que foi relator, achou que uma repreensão resolvia o problema.

(Editorial de ontem do jornal O Estado de São Paulo)

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