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Senador recua e diz que processos de sanguessugas não vão acabar em pizza

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Data de Publicação: 18 de agosto de 2006
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Depois de sinalizar na quarta-feira, 16, que poderia arquivar os três processos de cassação dos senadores envolvidos na máfia das ambulâncias, o presidente do Conselho de Ética do Senado, João Alberto (PMDB-MA), recuou ontem, 17, e disse que os processos não vão terminar em "pizza".

"Não existe pizza. Vamos apurar tudo. Mas que ninguém me cobre uma decisão sem levar em conta a minha consciência", afirmou.

O senador disse que foi mal interpretado pela imprensa quando comentou que não acredita nas palavras do empresário Luiz Antônio Vedoin, sócio da Planam, que revelou à CPI dos Sanguessugas os nomes dos três senadores envolvidos nas fraudes: Ney Suassuna (PMDB-PB), Serys Slhessarenko (PT-MT) e Magno Malta (PL-ES).

"Eu não desqualifiquei o depoimento do Vedoin. Disse que há um bandido declarado, mas não significa que não tenham outros bandidos. No episódio do ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), havia outros bandidos na Câmara", afirmou.

O senador disse que em nenhum momento se mostrou disposto a arquivar os processos. Segundo João Alberto, como presidente do Conselho de Ética, é seu papel deixar os senadores apresentarem defesa. "Fica muito ruim dizer que vou arquivar, inclusive como candidato que sou. Eles não tiveram oportunidade de apresentar defesa à CPI", disse.

João Alberto manteve o prazo de três dias úteis, que começou a contar ontem, para que os três senadores apresentem defesa ao Conselho de Ética. O senador vai esperar até a próxima segunda-feira pelas defesas. E garante que, na terça-feira, tomará a decisão de arquivar ou levar os processos adiante no Conselho. "É praxe do Senado solicitar defesa prévia. Vamos terminar com a apuração dos fatos".

Relatores - Se decidir instaurar os processos no Conselho de Ética, João Alberto disse que vai designar três relatores para investigar cada um dos acusados. O senador não adiantou nomes para relatar os processos. Disse, apenas, que não vai escolher relatores do mesmo partido dos acusados.

João Alberto reiterou que não se sente constrangido por ser do PMDB, mesmo partido de Ney Suassuna, que deixou a liderança do PMDB esta semana. "Sou imune a pressões. Se o líder errou, não é líder. O líder não pode errar. Ele tem que ser julgado", disse.

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