Setenta e seis famílias que trabalham numa área da União, que ficam na comunidade de Boa Vista, zona rural do município de São José de Ribamar, estão lutando na Justiça para adquirirem o direito de voltaram a plantar as suas roças na referida localidade. Hoje, os trabalhadores rurais vão participar de audiência na Delegacia de Polícia da Cidade Olímpica, com representantes da Polícia Militar e de entidades dos movimentos sociais que atuam na área dos Direitos Humanos e na defesa dos agricultores familiares.
Os lavradores tiveram as suas roças e plantações de mandioca e frutas nativas destruídas na última segunda-feira, 14, por um grupo de policiais, que cumpriam uma Ordem de Despejo concedida pelo juiz Marcio Castro Brandão, da Comarca de Ribamar, "atendendo pedido do coronel Ryod Ayoub Jorge, que se disse dono da área em questão", como se queixou a trabalhadora rural Raimunda Nonata Marques Ferreira, da Associação dos Agricultores e Artesãos de Boa Vista.
Segundo a direção da Associação de Agricultores da Boa Vista, documentos do Incra comprovam que a área em que as 76 famílias de agricultores estão trabalhando há meses pertence à União. "Do coronel Ryod são apenas alguns hectares e ele quer tomar posse de toda a terra aqui", denunciou Nonata Ferreira.
No confronto de segunda-feira, segundo relato dos trabalhadores rurais, os policiais militares atearam fogos em casas, destruíram roças e plantações de mandioca, insultaram e agrediram agricultores familiares e desdenharam das suas entidades representativas, como a Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do Maranhão (Fetaema), Incra, Sindicato de Trabalhadores Rurais de Ribamar e a Associação de Agricultores e Artesãos da Boa Vista.
Nesse confronto, três trabalhadores rurais foram presos de forma arbitrária e violenta. Os trabalhadores foram soltos no dia seguinte (terça-feira, 15), após intervenção da direção e da assessoria jurídica da Fetaema.
Segundo informações da Fetaema, a Policia Militar está abrindo processo contra os trabalhadores rurais da Boa Vista, caracterizando a ação como 'formação de quadrilha'. A direção da Fetaema está tomando as providências para garantir aos agricultores familiares o direito de voltarem desenvolver a sua atividade agrícola na área.